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Marega absolvido de processo por declarações após ter sido alvo de racismo

Decisão surge seis meses depois do sucedido, quando Marega utilizou a rede social Instagram para se insurgir contra os adeptos.
Lusa 26 de Agosto de 2020 às 20:14
Marega na porta de saída
Marega
Marega
Marega na porta de saída
Marega
Marega
Marega na porta de saída
Marega
Marega
O futebolista maliano Moussa Marega (FC Porto) foi hoje absolvido da acusação de que era alvo por declarações nas redes sociais após ter sido vítima de racismo, comunicou o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol.

Em comunicado, o órgão disciplinar dá conta da decisão de "julgar improcedente, por não provada, a acusação" de que era alvo, absolvendo o avançado de qualquer infração disciplinar.

A decisão surge seis meses depois do sucedido, quando Marega utilizou a rede social Instagram para se insurgir contra os adeptos que lhe direcionarem insultos e cânticos racistas, além de ter apontado o dedo aos árbitros do encontro Vitória de Guimarães-FC Porto por não o defenderem.

Na publicação, em que critica os árbitros da partida, a causa deste processo, apelidou de "idiotas" aqueles que vão "ao estádio fazer gritos racistas". "E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por me terem dado um cartão amarelo porque defendo a minha cor da pele", acrescentou.

O jogador abandonou o recinto do encontro da I Liga em Guimarães, em 16 de fevereiro, aos 69 minutos, depois de ter aguentado insultos racistas desde o aquecimento da partida.

Na altura, o Conselho de Disciplina abriu um inquérito aos vimaranenses, enquanto promotores, e o Ministério Público instaurou um inquérito na sequência deste incidente, que mereceu a condenação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, entre outros.

O caso, no qual foram identificados mais de 20 suspeitos, abalou o mundo do futebol, com representantes do setor a pedirem mudanças na forma como a violência e racismo no desporto é combatida.

Este comportamento configura um crime previsto no Código Penal punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos, e uma contraordenação sancionada com coima entre 1.000 e 10.000 euros.

Já este mês, ao Jornal de Notícias, o avançado disse que, na generalidade, não se sabe se o que se passou "mudou a mentalidade" quanto ao tema, porque "ainda não se conhece qualquer sanção".

"Não sei o que se passa. Já não se fala disso, mas o certo é que a partir do momento em que sucedeu, aquilo deu a volta ao mundo. Foi muito importante, porque se falou disso em todo o lado, mas não são as bandeirolas ou as 't-shirts' com slogans contra o racismo que vão mudar as coisas. Até agora, nada mudou", acusou.

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