Um golo do mal-amado Purovic, um herói improvável e acidental nos dias que correm, valeu a vitória ao Sporting frente ao Estrela e a passagem às meias-finais da Taça de Portugal, num jogo em que saiu do banco a garantia de que os leões vão continuar a defender o troféu conquistado na época passada.
Mas o triunfo não disfarça a crise exibicional dos verde-e-brancos, com muito querer, mas pouco poder, pouca arte e engenho. Foi no esforço que a equipa ganhou, mas também na sorte, pois no golo, Moreno fez a bola bater na cabeça do montenegrino. Logo ele, que entrou para o lugar daquele que geralmente resolve, Liedson (saiu lesionado). E, ironia das ironias, quem resolveu foi Purovic, já nos descontos, numa fase em que o Sporting carregava, mas sem encontrar clareiras na defesa tricolor, apesar de Paulo Bento ter dado profundidade, com a boa entrada de Izmailov.
A primeira parte do Sporting foi fraca. Foram precisos 17 minutos para o Sporting fazer um remate digno desse nome à baliza de Pedro Alves. Por aqui se vê o tempo que a equipa demorou a entrar no jogo, num lance que só serviu para ter um troco que poderia custar bem caro aos leões, não fosse Viveiros desperdiçar, isolado, um bom cruzamento. Os jogadores da casa chegaram a dar a ideia de que estavam a actuar juntos pela primeira vez, com passes para o lado oposto ao daquele para onde se desmarcava o companheiro. Preocupantes sinais de uma equipa sem uma vela que a iluminasse, quanto mais uma luz que a guiasse pelos bons caminhos da baliza tricolor.
Rui Duarte salvou sobre a linha, mas o Estrela nunca se ficou, criou perigo pelos irrequietos Mendonça e Pedro Pereira, que deu cabo do juízo ao apático Ronny. No Sporting correram muito os jogadores, no Estrela correu mais a bola. Bem pior o Sporting, apagado nas ideias e que só saiu da escuridão, num momento em que a sorte a protegeu. Isto, porque o Sporting, por si só, dificilmente lá chegaria. E os leões ainda passaram pelo susto maior, num golo bem invalidado a Giancarlo.
PSP CAÇA 'VERY-LIGHTS'
Uma operação da PSP, realizada nos últimos dez dias “em todo o distrito de Lisboa, desde Cascais até Torres Vedras”, levou à apreensão de um total de 1987 ‘very-lights’ e outros artigos pirotécnicos, informou o Comando Metropolitano. A acção destinou-se a detectar “situações ilegais”, que pudessem “pôr em causa a segurança de pessoas e bens” quando os artigos fossem utilizados em recintos públicos.
O OLHAR DO ADEPTO: COMO ANALISA AS EXIBIÇÕES DE SPORTING E BENFICA NA TAÇA?
TÊTE-À-TÊTE Miguel Ângelo - Sporting
O golo do Sporting acaba por ser um epitáfio perfeito para um jogo confuso, trapalhão e sem brilho que as duas equipas levaram a Alvalade. Embora dominando por completo face à postura difícil do E. Amadora, o Sporting não conseguiu que a equipa funcionasse como um todo. Melhor na segunda parte, especialmente depois do reposicionamento de Moutinho no terreno, o Sporting não conseguiu demonstrar no resultado final a sua supremacia. Mas o futebol é assim mesmo, e as vitórias e eliminatórias decidem-se muitas vezes nos últimos minutos, como o tem demonstrado ultimamente o campeonato nacional. E agora, de cabeça limpa, é avançar para o jogo de domingo, reflectindo sobre o jogo desta noite, mas tendo em conta que o próximo adversário irá permitir que se jogue um futebol diferente...
MASOQUISMO BENFIQUISTA João Malheiro - Benfica
O que é que o Estádio da Luz tem que é diferente dos outros? Um adversário chamado Benfica. Adversário? Assim mesmo. Um Benfica adversário do Benfica. Um Benfica adversário de si próprio. Um caso surpreendente de masoquismo competitivo.
Já não é só no cenário da Liga ou de confrontos europeus. Na Taça também, ainda que o antagonista, como ontem, responda pelo nome de Moreirense e exiba credenciais da terceira carruagem da nossa locomotiva futebolística.
Felizmente, contra factos houve um argumento. E que argumento! O argumento Rui Costa (é mesmo ele quem vai arrumar as botas?), a desbravar o caminho para um triunfo transpirado. Transpirado até de falta de qualidade.
No domingo outra música vai soar. O jogo não é em Alvalade?...
DÉRBIS DO PASSADO: GOLOS E EXPULSÕES
- Camacho foi duas vezes a Alvalade ganhar e Paulo Bento cumpre o 5.º dérbi desde a estreia brilhante na Luz (3-1); ninguém fez mais golos que Beto e J.V. Pinto nas duas últimas décadas
CAMACHO COMO ERIKSSON
Camacho tem um currículo imaculado em Alvalade: dois jogos, duas vitórias a zero: 2-0 em Dezembro 2002 (golos de Zahovic e Tiago), 1-0 em Maio de 2004 (Geovanni), no tal jogo que valeu a qualificação para a Champions. Nos últimos 30 anos apenas um treinador benfiquista ganhou mais vezes no estádio dos leões: Eriksson, que ali ganhou três dos cinco dérbis disputados. ‘Empatado’ com Toni e Souness (também com duas vitórias), Camacho pode fazer história no domingo. Não há duas sem três ?...
BENTO: E VÃO CINCO!
No domingo, Paulo Bento torna-se o primeiro treinador sportinguista desde Carlos Queiroz a disputar cinco jogos com o Benfica, suplantando os quatro dérbis de Peseiro, Boloni e Inácio. Dos quatro jogos com os encarnados, três aconteceram na Luz e o primeiro, a 28 Janeiro 2006, saldou-se por um triunfo claro dos leões (3-1), com bis de Liedson. Desde então Bento regista uma derrota (0-2) em Alvalade e dois empates na Luz (1-1; 0-0). Se a sequência vitoriosa dos leões no Alvalade XXI pesar alguma coisa, Bento pode finalmente ‘estrear-se’ em casa.
BETO E J.V.P: 4 GOLOS
O defesa Beto e João Vieira Pinto (Benfica), ambos com 4 golos, são os melhores marcadores nos dérbis de Alvalade desde 1990. Mas enquanto o ‘grande artista’ marcou os 4 golos na baliza certa (hat-trick no épico 6-3 de 1994; um golo no 4-1 de 1998) o ex-central leonino, acossado por Cadete (!), marcou dois autogolos no embate de 1999 que valeram a vitória aos encarnados (1-2). Antes, Beto marcara golo da vitória leonina em 1996 (1-0) e voltou a marcar na goleada (3-0) de 2001.
BENFICA MUITO AVERMELHADO
O cadastro disciplinar do Benfica em Alvalade é mau nas duas últimas décadas: regista um total de 11 jogadores expulsos contra 4 do Sporting. Nas últimas sete visitas o Benfica terminou quatro jogos em inferioridade numérica: em 2002 (1-1), Argel e Zahovic viram ambos o vermelho; na época seguinte (2-0) foi a vez de Petit; seguiram-se Alcides, em Janeiro de 2004 (1-2), e Ricardo Rocha em 2005 (1-2). Nos leões, Quaresma foi expulso em 2002 e Rui Jorge em 2004. Sinais dos tempos.
VUKCEVIC NO DÉRBI
Vukcevic está recuperado para o dérbi de domingo com o Benfica. O extremo montenegrino recuperou da luxação no ombro direito
FARNERUD COM FEBRE
Farnerud ficou de fora dos eleitos para o jogo com o E. Amadora, por ter apresentado febre, devido a uma infecção respiratória
Local: Estádio José Alvalade (7475 espectadores)
Árbitro: Duarte Gomes (Lisboa)
SPORTING: Rui Patrício, Abel (Izmailov, 52 m), Tonel , Polga, Ronny (Grimi, 76 m), Miguel Veloso, João Moutinho, Pereirinha, Romagnoli, Tiuí , Liedson (Purovic, 53 m). Treinador: Paulo Bento.
E. DA AMADORA: Pedro Alves, Rui Duarte, Maurício, Hugo Carreira, Hélder Cabral (Pedro Pereira, 38 m), Fernando , Celestino, Mendonça, Vítor Moreno, Nuno Viveiros (Giancarlo, 65 m), Mateus (Marco Paulo, 75 m). Treinador: Daúto Faquirá.
Marcador: 1-0 Purovic (90 m 1 m)
Acção disciplinar: Cartões amarelos – Hélder Cabral (26 m), Celestino (55 m), Tiuí (57 m), Miguel Veloso (57 m), Rui Duarte (68 m), Maurício (90 m 3 m)
Melhor jogador: Purovic (Sporting)
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