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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

SÓCIOS DERROTAM MANUEL VILARINHO

Ao rejeitarem por larga maioria a suspensão das modalidades do clube, os sócios do Benfica deram um cartão amarelo à direcção liderada por Manuel Vilarinho. A proposta do elenco ‘encarnado’ não convenceu os associados e a forma como foi apresentada, quase que a equacionar apenas o caminho do fim das ‘amadoras’, não caiu bem entre os benfiquistas.

02 de julho de 2003 às 00:00

A assembleia não foi pacífica, longe disso, e Vilarinho foi ‘atacado’ em várias frentes, pela forma como geriu os vários problemas das modalidades, desde que assumiu a ‘pasta’, após a saída do ‘vice’ José Santos, até então o responsável pelo ‘dossier’.

Numa noite quente e de alguma polémica, que durou mais de cinco horas, a vitória acabou por ser dos sócios, que fizeram valer a sua vontade e concederam mais uma oportunidade às modalidades do clube.

A proposta do sócio e ex-dirigente António Figueiredo foi aprovada e vai ser então criada uma comissão de trabalho, encarregue de definir um plano financeiro que viabilize a continuidade das modalidades. Os dez por cento provenientes da quotização anual, paga pelos sócios, vão continuar a ser encaminhadas para as ‘amadoras’ e por outro lado, foi votada e aprovada uma outra proposta que introduz uma quota suplementar, facultativa, no valor de cinco euros, que reverte na totalidade a favor das modalidades.

Após um ano de inúmeros problemas e adiamento de decisões, da assembleia geral de segunda-feira surgiram algumas soluções que podem ainda viabilizar a continuidade, se não de todas, pelo menos de algumas ‘amadoras’.

Certo é que o caminho parece ser apenas um: a auto-suficiência de cada modalidade, com o clube a contribuir apenas e só com os dez por cento da quotização anual.

Os vários seccionista terão agora mais algum tempo para provar que as ‘amadoras’ poderão prosseguir a sua actividade, sem que para isso precisem de viver dependentes das receitas do futebol.

No final da assembleia, Manuel Vilarinho, visivelmente cansado, ainda acreditava na sua proposta. “Ainda acredito que a nossa proposta era tão boa quanto as outras que foram a votação”, afirmou, congratulando-se ainda assim com o facto do hóquei em patins estar em vias de garantir a continuação da sua actividade. Certo é que muitos problemas continuam por resolver. Há ainda vários meses de salários em atraso, nas modalidades e nos funcionários do clube e mesmo que daqui em diante a situação se altere, há uma herança pesada que se vem a acumular nos últimos dois anos que tem de ser resolvida.

AUMENTO DE QUOTAS

A proposta foi feita por Manuel Botto, que avançou com a sugestão, mas outros sócios também abordaram o tema. Os associados que assim o desejarem, poderão pagar mais cinco euros além da quotização mensal, cujo montante reverterá na totalidade para as modalidades amadoras. Espera-se com esta medida, um encaixe de cerca de 300 mil euros.

10 POR CENTO

Os sócios voltaram a confirmar a deliberação de Maio de 1994, segundo a qual o Benfica deve reverter 10 por cento do valor total das quotizações para as modalidades, num total que perfaz cerca de 750 mil euros. Ao contrário do que foi decidido há quase 10 anos, o dinheiro não tem sido entregue às secções.

LUCRO DISTRIBUÍDO

As receitas das modalidades amadoras que conseguem gerar lucro próprio – foram indicados três exemplos como referência, a saber, natação, judo e ginástica –, passarão a reverter para as restantes modalidades do clube.

GRUPO DE ESTUDO

A Direcção fica encarregue de formar um grupo de estudo/trabalho para resolver rapidamente as questões pendentes – nomeadamente a questão do financiamento e patrocínio –, de forma a viabilizar a continuidade de todas as ‘amadoras’ do Benfica.

REACÇÕES À VOTAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL

“Encaro o futuro com muito optimismo e para mim era claro que os sócios iriam votar contra a suspensão das modalidades amadoras. Aliás, a proposta da Direcção foi demasiado agressiva e demorou a ser anunciada. A derrocada começou com o discurso de José Santos, que ao contrário do resto da Direcção, veio bem preparado e não houve argumentos para contrariá-lo. Acho que a Direcção não preparou tão bem como devia uma Assembleia tão importante como a de ontem. Já dei cinco nomes para a formação do grupo de estudo, do qual espero um trabalho rápido e eficaz para garantir a continuação das modalidades no Benfica”. - José Augusto (Seccionista do Andebol)

“Pelo tempo que passei no Benfica, não esperava outra coisa que a atitude que os sócios tiveram ontem na AG. Quero também dar uma palavra de carinho para os Diabos Vermelhos que fizeram de tudo para que este jogadores e o hóquei continuassem. Demos muito ao clube, de há 15 anos para cá o Benfica só não venceu a Taça dos Campeões Europeus e se hoje o hóquei está assim é por culpa da Direcção. O objectivo foi sempre deixar os jogadores irem embora para poderem acabar com a modalidade, mas saiu-lhes mal a coisa. Desejo muita sorte para os que ficaram e espero que nunca tenham que passar por aquilo que passámos”. - Filipe Gaidão (Jogador de Hóquei)

“Foi com muita tristeza que vi a Direcção propor a suspensão de uma modalidade com tantos pergaminhos no clube, mas fiquei feliz por constatar que de facto os sócios nunca permitiram que tal acontecesse. Esta foi uma situação que se arrastou por muito tempo e que deveria ter sido resolvida há muito mais tempo, até porque não compete aos sócios andar de porta em porta à procura de investidores. O futuro do hóquei? Para já vamos tentar formar a melhor equipa possível com as condições que temos. Perdemos oito jogadores que estavam em final de contrato e creio que vamos poder manter pelo menos dois ou três atletas”. - Augusto Carones (Seccionista do Hóquei)

“Ainda há muito para fazer para que as modalidades possam continuar. O grupo de estudo vai ter uma tarefa complicada mas é possível manter todas as modalidades se os sócios também colaborarem. Não basta ir à Assembleia e votar um aumento de cinco euros nas quotas. Também é preciso pagá-las. Infelizmente o que está a acontecer com as modalidades do Benfica são apenas um reflexo do que se passa em todo o País. Veja-se o caso do Sporting que também já começou a ter alguns problemas. Uma solução? Penso que uma redução nos custos, com a instauração de um tecto salarial, poderia ser uma boa forma de começar”. - Luís Moreira (Seccionista do Futsal)

PSPS RECLAMA 108 MIL EUROS PELOS JOGOS NO JAMOR

A PSP de Oeiras reclama o pagamento de cerca de 108 mil euros (cerca de 21600 contos) ao Benfica pelo policiamento feito nos quatro jogos que os ‘encarnados’ disputaram no Estádio do Jamor, após a demolição da Luz. Os agentes da PSP que fizeram o policiamento dos jogos do Benfica no Estádio Nacional (Varzim, Sporting, Boavista e Vitória de Guimarães), serviço efectuado fora do respectivo horário de trabalho, pretendem ver regularizada a situação, caso contrário admitem boicotar os próximos encontros que os ‘encarnados’ disputarem no Jamor. Entretanto, o Benfica já terá prometido efectuar o pagamento dentro de três meses, mas essa é uma situação que parece não agradar aos agentes da polícia.

REUNIÃO AMANHÃ COM EUROÁREA

O Benfica reúne amanhã com a Euroárea para tentar negociar a dívida que o clube tem para com aquela empresa. Os ‘encarnados’ tinham de regularizar o valor em falta (12 milhões de euros) até ao final de Junho, mas sabendo de antemão que não teriam condições para efectuar o pagamento, o clube da Luz contactou a Euroárea no sentido de encontrar uma solução e estudar novas formas de pagamento. Por isso, na passa da segunda-feira decorreu uma reunião entre as duas partes para abordar o problema e ficou agendado um novo encontro que terá lugar amanhã.

Ao que o CM apurou, parece haver boa vontade por parte da Euroárea para ultrapassar a questão, e segundo o vice-presidente do Benfica para a área jurídica, Tinoco Faria, “o clube vai encontrar formas de regularizar a situação”.

Desta forma, fica afastado o cenário das letras da Olivedesportos (receitas televisivas da época prestes a iniciar-se) serem executadas pela Euroárea, que receberia desta forma o valor da dívida.

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