O FC Porto comemorou ontem a conquista do terceiro título nacional consecutivo com a vitória mais dilatada da temporada, por 6-0, tirando todo o partido da greve de zelo dos jogadores do E. Amadora, que passaram completamente ao lado das exigências competitivas de um jogo da I Liga.
O começo da partida foi um exemplo acabado da falta de competitividade que o FC Porto enfrentou sistematicamente ao longo da temporada, com Daúto Faquirá a enfileirar também entre os treinadores que não conseguiram evitar prestar vassalagem na visita ao Dragão – desta vez em coincidência com a confirmação matemática da conquista do título, o mais fácil de sempre.
Os dois primeiros remates – de Lucho González a passe de Lisandro Lopez e de Sektioui a cruzamento de Quaresma – resultaram em golos, nos primeiros dez minutos. A ausência forçada de Rui Duarte, que era um dos raros totalistas absolutos da Liga, abriu uma avenida no lado direito da defesa do Estrela.
Até à meia hora, os portistas mantiveram um ritmo endiabrado, usufruindo da estranha apatia dos jogadores do Estrela, numa evidente greve de braços caídos que não permitiu iludir a situação de flagrante desrespeito pela verdade desportiva – a que a Liga, piedosamente, insiste em fechar os olhos. O contraste metia dó e os portistas acharam por bem abrandar progressivamente, para virem depois realizar um início de segunda parte nada consentâneo com o clima de festa que circundava a equipa.
O terceiro golo surgiu nesta fase, num bom lance de Meireles pela direita com Quaresma a fuzilar a baliza, mais uma vez beneficiando da ausência de um lateral-direito na equipa contrária, e sacudiu o jogo. Este golo associado às substituições voltou a acelerar o ritmo portista e a colocar novamente a nu a falta de interesse dos grevistas pela competição. O quarto foi uma oferta escandalosa de Nélson e de Maurício – completamente desconcentrados perante um bom cruzamento de Bosingwa – e o quinto um retrato impressionista: um cruzamento de Raúl Meireles e quatro jogadores do FC Porto sozinhos perante Nélson para a finalização, assinada por Bruno Alves. O sexto golo teve a marca de Lisandro, que estava a passar à margem da partida.
"ESTAMOS A TRABALHAR PARA O TETRA"
"Queria agradecer todo o apoio dos adeptos. Vamos continuar com uma grande equipa, reforçando com grandes jogadores e tentando segurar os nossos craques. A partir de hoje estamos a trabalhar para o tetra." Pinto da Costa era ontem um homem feliz pela conquista de mais um título e nem as suspeitas de corrupção abalaram a felicidade do presidente do FC Porto. "Vamos continuar a ganhar. Não estamos preocupados em pôr pressão sobre a Liga", acrescentou o dirigente portista a propósito dos processos disciplinares da Liga de Clubes.
Já na véspera, na inauguração da ca-sa do FC Porto em São João da Madeira, o líder dos dragões deixara uma promessa: "Seremos campeões contra tudo e todos. Os que nos têm ódio vão corar de vergonha ao verem a melhor equipa sagrar-se campeã e aos que fazem do ódio a sua razão de viver vamos ignorar."
A conquista do tricampeonato foi o pretexto para Pinto da Costa recuperar o tema da regionalização perante 300 adeptos. "Não nos calarão por mais pontes que façam nem por mais milhões que nos levem. Temos de lutar contra o centralismo absurdo."
DEFESA CITA LEGALIDADES
A resposta às notas de culpa do processo ‘Apito Final’ seguiram na sexta-feira para a Liga de Clubes. Segundo a edição de ontem do ‘JN’, o FC Porto defende que os processos – relativos a factos ocorridos em Janeiro e Abril de 2004 – prescreveram, considerando que se trata de uma infracção disciplinar cujo prazo de prescrição é três anos. A Liga entende que se trata de uma infracção muito grave, o que eleva o prazo para cinco anos.
A defesa portista sustenta ainda que é ilegal imputar crimes de corrupção a pessoas colectivas, pelo que o processo do clube e eventual punição de seis pontos cairia por terra. A resposta ataca também o uso ilícito de escutas telefónicas em processos disciplinares, quando a sua utilização só é autorizada em processos-crime.
PINTO DA COSTA
Não nos calarão por mais pontes que façam nem por mais milhões que nos levem. "Temos de lutar contra o centralismo absurdo. "
"Queria agradecer o apoio dos adeptos. Vamos continuar com uma grande equipa, reforçando com grandes jogadores e tentando segurar os nossos craques."
"Os que nos têm ódio vão corar de vergonha ao verem a melhor equipa sagrar--se campeã."
"Vamos continuar a ganhar. Não estamos preocupados em pôr pressão na Liga."
JESUALDO DIZ QUE É SÓ UM INÍCIO DE FESTA
"Foi só um início de festa, porque ainda vamos ter de continuar a jogar e temos de ser sérios e competitivos." Jesualdo Ferreira era um treinador feliz pela conquista do 2.º título de campeão consecutivo e 3.º dos dragões, mas comedido na hora dos festejos. "Marcámos cedo e depois penso que foi evidente o abrandamento. No intervalo conversámos no balneário e na segunda parte demonstrámos todas as nossas capacidades", acrescentou.
Mas o técnico campeão não escondeu alguma mágoa por dúvidas que se levantaram sobre a superioridade dos dragões: "Tentou-se desmerecer a nossa atitude competitiva, mas esquecem-se que também jogamos fora de Portugal e defendemos com brilho o País. Tirar-nos seis pontos não nos preocupa. Faltam cinco jogos da Liga e dois para a Taça."
POSITIVO
COMPETITIVIDADE SEM OPOSIÇÃO
O instinto concretizador do FC Porto no seu melhor. A falta de competitividade da Liga não podia ter tido um retrato mais eloquente, mas isso não diminui os méritos dos campeões, ao contrário do que pensa Jesualdo.
NEGATIVO
VERGONHA COM JUSTIFICAÇÃO
A atitude dos jogadores do E. Amadora, desportivamente vergonhosa, entende-se à imagem dos problemas que têm enfrentado. Mas a mancha fica nos registos históricos da Liga, uma goleada como já não se usa.
ARBITRAGEM
QUASE ISENTO DE ERROS
Bem interpretada a regra do fora de jogo em lances de Sektioui (19’) e Bruno (Alves (73’) em lances de golo. Só errou num derrube de Meireles a Maurício, à entrada da área portista.
REACÇÕES DOS JOGADORES
"EQUIPA DE CARÁCTER": BRUNO ALVES
Esta equipa tem grande carácter e merece este título. Mesmo que nos tirem seis pontos vamos continuar a festejar. Não nos afecta
"ESTE SOUBE MELHOR": QUARESMA
Temos uma grande equipa e fizemos um grande campeonato. Estamos todos de parabéns. Este soube melhor do que o do ano passado
"JUSTOS CAMPEÕES": LUCHO
É uma grande vitória. Estamos todos contentes, fomos justos campeões. Se vou ficar no FC Porto? Sinto--me bem aqui, estou muito contente
NOTAS
IMPRENSA VISADA PELOS ADEPTOS
A claque Colectivo Ultras 95 levantou um pano com uma imitação de uma capa de um jornal desportivo no dia em que se conheceu os processos disciplinares da Liga. "Rebenta a bomba, Porto tricampeão"
'APITO DOURADO' CRITICADO
Um adepto fez a festa sem deixarde ridicularizar os recentes processos da Liga ao clubee a Pinto da Costa
CAMAROTE PRESIDENCIAL EM FESTA
O camarote presidencial, com Pinto da Costa à cabeça, estava apinhado. A festa e os sorrisos foram muitos, mas também houve quem estivesse apreensivo
LUCHO, ÍDOLO DE JUVENTUDE
Lucho González foi uma das estrelas dos dra-gões e uma jovem adepta pediu-lhe a camisola
FICHA DE JOGO
Local: Estádio do Dragão (Assistência: 50 138)
Árbitro: João Vilas Boas (Braga)
FC PORTO: Helton, Bosingwa (Bolatti 73m), Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção (Farias 81m), Lucho González, Raúl Meireles, Tarik Sektioui (Mariano 65m), Ricardo Quaresma, Lisandro Lopez.
Treinador: Jesualdo Ferreira
E. AMADORA: Nélson, Moreno (Wagnão 15m), Maurício, Hugo Carreira, Hélder Cabral, Celestino (Nuno Viveiros 56m), Tiago Gomes, Marcelo Goianira, Mateus (Marco Paulo 73m), Mendonça, Anselmo.
Treinador: Daúto Faquirá
Marcador: 1-0 Lucho González (9m) 2-0 Tarik Sektioui (11m) 3-0 Ricardo Quaresma (65m) 4-0 Maurício (72m p.b) 5-0 BrunoAlves (78m) 6-0 Lisandro (87m)
Acção Disciplinar: Amarelos: Maurício (58m), Hugo Carreira (77m), PedroEmanuel (82m), Raúl Meireles (82m)
Melhor Jogador: Quaresma
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