Florentino Pérez convoca eleições e recandidata-se a novo mandato no Real Madrid
Dirigente, de 79 anos, justificou a decisão com a necessidade de defender o modelo associativo do Real Madrid.
O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, anunciou esta terça-feira que vai pedir a convocação de eleições para os órgãos diretivos do clube espanhol, às quais se recandidatará, rejeitando demitir-se.
"Lamento informar que não vou renunciar. Pedi à Comissão Eleitoral que inicie o processo eleitoral para a eleição da direção, à qual nos vamos apresentar", afirmou Florentino Pérez, numa conferência de imprensa realizada na Cidade Desportiva do clube madridista.
O dirigente, de 79 anos, justificou a decisão com a necessidade de defender o modelo associativo do Real Madrid, sublinhando que desde 2000 trabalha "para que os proprietários do clube sejam os sócios, ao contrário do que acontece noutros clubes".
"Tomámos esta decisão porque se criou uma situação absurda para gerar uma corrente de opinião contra os interesses do Real Madrid e sobretudo contra mim", acrescentou.
Florentino Pérez considerou ainda que algumas críticas recentes surgiram na sequência de resultados desportivos abaixo das expectativas, admitindo que, "no desporto, nem sempre se ganha", mas acusando alguns setores de aproveitarem o momento para o atacar "pessoalmente".
O empresário espanhol assegurou também estar "em perfeita saúde", afastando especulações sobre uma eventual saída da presidência.
Durante a conferência de imprensa, Florentino Pérez denunciou ainda aquilo que classificou como uma "campanha" mediática contra o Real Madrid e a sua direção, acusando vários jornalistas e órgãos de comunicação social de tentarem "gerar um sentimento antimadridista".
O presidente dos 'merengues' insistiu que o clube "pertence aos sócios" e desafiou os críticos a apresentarem candidaturas nas próximas eleições.
Florentino Pérez abordou também o chamado "caso Negreira", relacionado com alegados pagamentos do FC Barcelona a empresas ligadas ao antigo vice-presidente do comité técnico de arbitragem espanhol, considerando tratar-se "do maior caso de corrupção da história do futebol".
"Estamos a preparar um dossiê de 600 páginas que será enviado à UEFA", afirmou.
O dirigente referiu igualmente problemas relacionados com grupos 'ultras' e revenda ilegal de bilhetes, garantindo que o clube continuará a combater essas situações.
"Recebi felicitações de todo o mundo por termos expulsado os ultras", disse.
Quanto à possibilidade de José Mourinho, atual treinador do Benfica, suceder a Álvaro Arbeloa no comando técnico da equipa na próxima temporada, o dirigente evitou tema e continuou a defender a sua presidência.
"Não estamos nessa fase do processo. Estamos focados em garantir que o Real Madrid continue a pertencer aos seus sócios. Preciso de pôr um fim a esta campanha absurda contra o Real Madrid. Nunca houve um Real Madrid mais glorioso na história. Fui eleito o melhor presidente da história do clube e da história de todos os clubes. Vou defender, não por mim, mas pela instituição", afirmou.
Sobre a alegada discussão entre Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni, Florentino Pérez desvalorizou o episódio e criticando a divulgação pública do caso.
"Estou aqui há 26 anos e os jogadores discutem em quase todas as temporadas, mas não é nada de mais. O problema é que alguém falou sobre isso, e sabemos quem foi", afirmou, acrescentando: "Não digam que, porque dois jogadores discutem, há caos no Real Madrid. Eles discutem todos os dias e depois fica resolvido".
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