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"Foi o meu último jogo na seleção de Portugal", confirma Roberto Martínez

Portugal perdeu contra a seleção Espanhola e terminou a participação no Mundial2026.

06 de julho de 2026 às 22:53

Roberto Martínez confirmou, esta segunda-feira, após a derrota contra a Espanha, nos oitavos de final do Mundial de futebol de 2026, que vai deixar o comando técnico da Seleção Nacional. "Foi o meu último jogo na seleção de Portugal", afirmou Roberto Martínez.

"Levo comigo uma memória incrível e agradeco ao povo português. É o fim de um ciclo", disse, em declarações aos jornalistas, em Arlington, nos Estados Unidos, depois da eliminação face aos espanhóis, com um desaire por 1-0.

Quando questionado sobre se a decisão já estava tomada, Martínez respondeu que sem ganhar o Mundial, não fazia sentido continuar e acrescentou que o seu contrato acabava mesmo esta segunda-feira. 

No adeus, Martínez deixou agradecimentos ao povo português e aos jogadores, recordando os recordes, nos 45 jogos que comandou a equipa, e na vitória na Liga das Nações.

O saldo do treinador catalão ficou em 30 vitórias, nove empates e seis derrotas, com 110 golos marcados e 36 sofridos, com aquela que muitos apontaram como a melhor geração de sempre do futebol nacional.

Em 10 anos no mundo do futebol de seleções, Martínez, tanto na Bélgica como em Portugal, quebrou recordes e mostrou-se sim imparável nas fases de qualificação, levando os belgas ao primeiro lugar do ranking FIFA e também a seleção lusa ao seu primeiro apuramento só com vitórias, para o Europeu de 2024, e com a maior goleada de sempre do país (9-0 ao Luxemburgo).

Apesar ter sido acusado de desperdiçar a melhor geração belga (o máximo que alcançou foi as 'meias' do Mundial2018), o espanhol recebeu a confiança da Federação Portuguesa de Futebol em 2023 para suceder a Fernando Santos e cedo mostrou-se imparável no caminho para o Europeu da Alemanha, com 10 vitórias em 10 jogos e um registo de 36 golos marcados e apenas dois sofridos.

Na Alemanha, a seleção nacional até assegurou cedo o primeiro lugar do seu grupo, com triunfos sobre a República Checa (2-1, com um golo nos descontos de Francisco Conceição) e Turquia (3-0), mas, depois, sofreu a pior derrota da sua história em fases finais de Europeus, quando caiu perante a Geórgia (2-0).

Nos oitavos de final, Portugal bem sofreu contra a Eslovénia e só assegurou a passagem nas grandes penalidades, acabando depois por cair perante a França também nos penáltis.

No novo formato da Liga das Nações, a equipa de Martínez mostrou-se dominante na fase de grupos, mas viveu sérias dificuldades com a Dinamarca, nos quartos de final.

Na primeira mão, a formação lusa saiu derrotada de Copenhaga (1-0), num resultado que poderia ter sido bem mais pesado, se não fosse a excelente exibição do guarda-redes Diogo Costa, mas acabou por garantir a 'final four' com um 5-2 sobre os escandinavos, em Alvalade, após prolongamento.

Nas 'meias', em Munique, Portugal venceu pela primeira vez a Alemanha em 25 anos, por 2-1, numa partida em que protagonizou a reviravolta no marcador, e na final ultrapassou a Espanha, campeã europeia, num duelo em que também esteve em desvantagem (2-2 após prolongamento e 5-3 nas grandes penalidades).

No caminho para o Mundial2026, Portugal arrancou em 'grande', com um 5-0 na Arménia e um 3-2 na Hungria, mas acabou por perder 'gás' e só confirmou o apuramento na última jornada, mas com um 9-1 à Arménia no Dragão.

Ao todo, Martínez operou 16 estreias de jogadores na equipa das 'quinas', começando com Gonçalo Inácio e terminando no guarda-redes Ricardo Velho e no médio Mateus Fernandes.

Nascido em Lérida, antes rumar à liderança de seleções, Martínez iniciou a carreira no futebol britânico, passando primeiros pelos galeses do Swansea, que abandonou após dois anos para comandar o Wigan, na altura na Premier League.

A conquista da FA Cup, a única na história do Wigan (que acabou por descer de divisão nessa época), fez Martinez 'saltar' para o Everton. Em três anos em Liverpool, o técnico levou a equipa ao quinto lugar e às meias-finais da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga, mas nunca conquistou os adeptos e acabou despedido.

Sobre a prestação da equipa no jogo desta segunda-feira, o selecionador português disse ainda que Portugal estava "mais preparado" do que a Espanha para o prolongamento. "Tivemos muita coragem e defendemos muito bem", vincou Martínez.

"Tivemos azar", confessou. "Não falhámos. Falhar é não tentar ganhar", concluiu. 

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