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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Marselha condena "ataque inaceitável" ao centro de treinos do clube

Clube anunciou que apresentou queixa contra atos "irresponsáveis".

30 de janeiro de 2021 às 20:55

O Marselha condenou este sábado o "ataque inaceitável" de que o centro de treinos do clube de futebol francês treinado pelo português André Villas-Boas foi alvo, apresentando queixa contra atos "irresponsáveis".

"O Olympique de Marselha condena fortemente o ataque inaceitável que sofreu a meio da tarde no interior do centro de treinos. Algumas centenas de 'ultras' forçaram a entrada na 'Commanderie', incluindo o edifício da estrutura profissional. Apesar da intervenção da polícia, um momento injustificável de violência ameaçou a vida de todos os presentes", pode ler-se num comunicado hoje publicado, poucas horas depois do sucedido.

A partida de hoje com o Rennes, marcada para as 20:00 de Lisboa, foi adiada.

As ações "devem ser condenadas com a maior severidade", o clube "tem provas" e enviou-as à polícia, com a garantia de que "vai apresentar queixa nas próximas horas para defender o clube deste barbarismo".

Por outro lado, e apesar da intervenção policial, ocorreram "roubos" e foram danificados vários veículos, além de terem ardido cinco árvores, com "danos no interior de edifícios a causarem prejuízos de várias centenas de milhares de euros".

"Três centenas de funcionários estão em choque hoje, por terem vivido este ataque inenarrável contra o 'OM'. Isto requer a maior severidade contra os criminosos que se dizem adeptos mas destroem instalações e ameaçam funcionários e jogadores", disse, citado em comunicado, o presidente do clube, Jacques-Henri Eyraud, um dos principais alvos da 'ira' dos invasores,.

No mesmo documento, o guarda-redes Steve Mandanda é citado como considerando os eventos "inaceitáveis", e o jogador de 13 anos dos marselheses pede "paz", enquanto o defesa espanhol Álvaro reiterou que "o que aconteceu hoje não pode acontecer nunca mais".

A três horas do início do encontro com o Rennes, da 22.ª jornada da Ligue 1, a organização do campeonato anunciou o adiamento do jogo, para data a definir, após a invasão da 'Commanderie', nome dado ao centro de treinos dos marselheses.

Segundo a imprensa local, cerca de três centenas de adeptos entraram nas instalações do emblema para protestar contra a direção, e o presidente Jacques-Henri Eyraud, com a intervenção policial a ser requerida.

O jornal La Provence, que publicou um vídeo com uma árvore a arder à porta do complexo, descreve uma cena com vários artefactos pirotécnicos acionados ou arremessados, com o L'Équipe a explicar que a invasão foi premeditada.

Na derrota por 1-0 com o Lens, no Vélodrome, no dia 21 de janeiro, os adeptos 'viraram-se' contra os jogadores, tendo hoje escalado o protesto, com cartazes e outras tarjas a classificar a direção como "vergonhosa" e "nojenta".

A equipa treinada pelo português André Villas-Boas conta por derrotas as últimas quatro partidas em todas as competições, após uma primeira temporada com o técnico luso em que foram vice-campeões.

Agora, o único clube francês que venceu a Liga dos Campeões, em 1993, está já eliminado das competições europeias, perdeu a Supertaça para o Paris Saint-Germain e é sétimo no campeonato.

Este é o segundo episódio violento com adeptos em França no mesmo fim de semana, com o jornal Le Progrès a mostrar um vídeo de adeptos do Saint-Étienne, recordista de títulos em França, com duas centenas de indivíduos a forçarem a entrada e a conversarem com o plantel do emblema, 16.º classificado.

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