Pedro Henriques diz que novas regras vão permitir aos árbitros dirigir jogos mais "claros, fluidos e com menos ruído".
As novas regras aprovadas pelo International Board (IFAB) vão recuperar vários minutos de tempo útil por partida de futebol, permitindo aos árbitros dirigir jogos mais "claros, fluidos e com menos ruído", considerou esta terça-feira Pedro Henriques.
Em declarações à Lusa, o antigo árbitro internacional português comentava as novas regras, "equilibradas e inteligentes", que vão ser implementadas já no Mundial de futebol deste ano, no México, Canadá e Estados Unidos, destacando-se o alargamento do raio de ação do VAR, bem com a limitação das perdas de tempo.
"O objetivo não é penalizar, mas acelerar o jogo. Recuperar minutos de tempo útil de jogo, criando medidas dissuasoras para as perdas de tempo, com reposições de bola mais rápidas, controladas com a contagem visível dos segundos", explicou.
O IFAB aprovou um conjunto de medidas que visam impedir que os futebolistas se delonguem nas reposições de bola pela linha lateral, nos pontapés de baliza ou através de simulações de lesão, com os prevaricadores a serem punidos, por exemplo, com a atribuição de pontapés de canto aos adversários ou um jogador ter de esperar um minuto até poder substituir um colega que demore a abandonar as quatro linhas.
"Num desafio de futebol há 40 a 50 reposições de bola, entre lançamentos de linha lateral e pontapés de baliza. Estas medidas significam um ganho potencial de cinco a sete minutos, com impacto direto na fluidez e intensidade do jogo", elogiou.
Quando ao alargamento das competências do VAR, falou em algo "cirúrgico, não invasivo", congratulando-se com a ajuda ao trabalho do árbitro em cantos mal assinados, erro na exibição do segundo cartão amarelo (expulsão) ou troca de identidade do atleta.
"A filosofia é corrigir erros claros, sem substituir o árbitro. O VAR não intervém em todas as faltas de jogador já amarelado, apenas quando o árbitro erra ao expulsar ou na identidade", esclareceu.
Pedro Henriques lamentou apenas a "falta de coragem" para se avançar já com a nova lei do fora de jogo, uma vez que a denominada Lei de Wenger - um futebolista só está em fora de jogo se o seu corpo estiver totalmente à frente do defesa - vai ser primeiro testada, no campeonato do Canadá, e, a ser aplicada, só a partir da época 2027/28.
"Houve falta de coragem para avançar", lamentou, pelo que, entretanto, instou as autoridades competentes em Portugal a adquirir "urgentemente" tecnologia semiautomática e eliminar as linhas feitas de forma manual, propícias a "recorrentes polémicas de centímetros", passando as mesmas a ser avaliadas por um computador.
Garantiu que a nova tecnologia permitirá "reduzir drasticamente o erro humano, a polémica e a consequente desconfiança pública".
"Espero que Portugal reaja. Já que não há alteração da lei do fora de jogo, que invistam os tais cinco milhões de euros na tecnologia semiautomática da Liga dos Campeões, pois já toda a gente questiona os quatro centímetros, seis centímetros, se as linhas estão bem metidas (...) o computador é que determina o momento do passe", vincou.
Confia plenamente que os testes no campeonato canadiano vão correr muito bem e que os relatórios técnicos vão levar à implementação da medida.
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