Médico que trabalhou no Real Madrid foi ouvido no julgamento, onde Iker Casillas reclama 3,7 milhões após enfarte agudo do miocárdio.
Um médico que trabalhou durante vários anos no Real Madrid foi ouvido esta quarta-feira no julgamento, onde Iker Casillas reclama 3,7 milhões euros à seguradora Fidelidade e ao FC Porto, após ter sofrido um enfarte agudo do miocárdio. Luís Serratosa Fernández explicou que começou a acompanhar Casillas em julho de 2019, dois meses após o guarda-redes ter sido hospitalizado. O médico iniciou a reabilitação do então jogador, que à data tinha 37 anos.
"O objetivo era recuperar a forma física, o estado mental e de confiança, para depois recuperar a vida normal do paciente, neste caso um desportista. Depois nas sessões iríamos ver se existia um potencial risco de ter novamente um problema, arritmias. No primeiro ano nunca está em cima da mesa voltar ao mais alto nível no desporto. Há risco de voltar a acontecer quando se pratica desporto de alta intensidade, especialmente futebol", explicou o médico, no Tribunal de Trabalho do Porto.
Luís Serratosa Fernández explicou as sequelas com que o ex-futebolista ficou e deu conta de que o seu parecer foi no sentido de que tinha de terminar a carreira. "Quando um desportista tem um problema cardíaco tem de ser analisar se o risco é assumível. Neste caso em concreto aquilo que considerei é que o risco de ele voltar a jogar era superior a qualquer possível benefício. A minha recomendação era de que apenas devia praticar desporto de intensidade moderada", explicou.
A testemunha deu ainda conta que o facto de Casillas ter os níveis de colesterol elevados devia ter levado a que fossem pedidos mais exames. "Deveriam ter submetido o jogador a uma prova de esforço físico máximo", adiantou.
Confrontado com o facto de o antigo guarda-redes continuar a participar em eventos do Real Madrid, onde joga com outros futebolistas, o médico defendeu que se trata de um cenário completamente diferente. "Existe um risco maior quando se pratica exercício de alta intensidade do que quando se participa em jogos amigáveis, não tem nada a ver. Mas o principal problema reside nos treinos, são muito intensos e continuados, muito mais do que jogos", adiantou.
Neste processo, a seguradora Fidelidade sustenta que o esforço físico que o jogador fez durante o treino não poderia provocar a rutura da artéria coronária. Esta versão foi contrariada por uma junta médica e especialistas que observaram Casillas. "Entendo que cada um tem de defender os seus interesses, isso é respeitável. Eu venho aqui para contestar e para que depois as pessoas façam o juízo que entenderem e que logicamente isso não afete ninguém", disse o ex-jogador, ao CM, na primeira sessão.
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