Arbitragem portuguesa "não vive um bom momento na relação entre quantidade e quantidade".
A arbitragem portuguesa "não vive um bom momento na relação entre quantidade e quantidade", lamenta o ex-juiz Pedro Henriques, vendo Artur Soares Dias e João Pinheiro com presença excessiva nas decisões da I Liga de futebol.
"As segundas linhas existem para o normal do campeonato, mas, quando se chega a um momento de decisão, não há. Penso que isso revela o maior pecado deste Conselho de Arbitragem [CA] da Federação Portuguesa de Futebol [FPF], que termina o seu segundo mandato no próximo ano e não conseguiu resolver um problema que andamos há anos a criticar, que é ter quatro, cinco ou seis árbitros de mão cheia", analisou à agência Lusa o antigo árbitro, de 57 anos, que dirigiu mais de 350 jogos nas duas divisões profissionais.
Artur Soares Dias apitou metade dos seis jogos 'grandes' disputados na edição 2022/23 da I Liga entre o campeão Benfica, o 'vice' FC Porto e o Sporting, quarto classificado, ao passo que João Pinheiro foi nomeado para dois, cabendo a Nuno Almeida conduzir um.
"Não é preciso recuar muito tempo. Bastam 20 anos ou até menos para nos lembrarmos de árbitros que eram chamados de uma forma rotativa para estes encontros. De repente, vieram-me logo alguns nomes à cabeça: Olegário Benquerença, Pedro Proença, Duarte Gomes, Paulo Costa, Paulo Paraty, Lucílio Baptista ou João Ferreira. Uns poderiam ser melhores e outros piores, mas eram chamados, porque havia confiança da arbitragem e do próprio futebol neles. Neste momento, não temos isso", considerou Pedro Henriques.
Fábio Veríssimo, que está no elenco de nove árbitros lusos com insígnias internacionais em 2023, liderou a tabela de jogos conduzidos esta época na I Liga (21), logo à frente de Artur Soares Dias e João Pinheiro (ambos com 20), estando os estreantes Bruno Costa, Carlos Macedo ou Hélder Carvalho e João Gonçalves no fundo (todos limitados a nove).
Duas das 306 partidas realizadas no escalão principal contaram com os gauleses Pierre Gaillouste e Bastien Dechepy, ao abrigo do intercâmbio arbitral encetado desde 2021/22 entre a FPF e a congénere francesa nos principais escalões profissionais de cada país.
O atual limite etário dos juízes está fixado nos 45 anos e poderia evoluir até aos 48, se o CA concordasse, mas, de acordo com um novo regulamento de arbitragem da FPF, as carreiras no setor receberão a hipótese de juntar mais dois anos adicionais, até aos 50.
Nuno Almeida é o mais velho dos 22 árbitros do quadro principal e vai completar 48 anos em julho, enquanto Rui Costa fará 47 em junho e Manuel Mota festejou os 46 em março.
"Falta tentar perceber se é algo que também dependerá da vontade do CA da FPF ou se passa a ser uma regra, mesmo que o organismo não queira. Isso faz toda a diferença. A ideia era, de alguma maneira, fazer o aproveitamento de quem chega ao topo e por lá se mantém e não os perder, pois está difícil recrutar e fazer chegar árbitros de qualidade à I Liga", notou Pedro Henriques, receando que "seja uma medida eleitoral avulso" por parte da entidade liderada por José Fontelas Gomes a pensar no sufrágio federativo de 2024.
Outra decisão recentemente anunciada pelo CA da FPF consistiu na assinatura de um protocolo de cooperação com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) para permitir o acesso direto à carreira de árbitro de antigos jogadores federados, sem limites etários, mediante a frequência de uma ação formativa com 20 horas de duração.
"Há esta medida complementar de ir buscar pessoas com 'know-how' e experiência para darem continuidade à sua carreira no futebol com novas funções e, obviamente, em escalões mais baixos. Às vezes, há pequenas lesões que fazem com que um atleta não consiga jogar mais, mas possa arbitrar. Não há choque, só a parte da corrida", lembrou.
Medidas à parte, Pedro Henriques reprova a ausência de comunicação exterior adotada pelo CA durante a época e acusa o órgão federativo de "não permitir que José Fontelas Gomes venha falar quando quer sobre as questões técnicas ou do setor da arbitragem".
"Há muita coisa que não conseguimos perceber. Qual a razão para termos um protocolo com a França [na elite], mas haver outro com o Chipre para a II Liga? Os árbitros destes países vêm cá, os nossos vão lá fora e onde está o relatório que mostra o que aconteceu e as vantagens e desvantagens?", finalizou o atual comentador televisivo e radiofónico.
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