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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

"Que digam que Portugal ganhou sem merecer"

Fernando Santos responde aos críticos.

09 de julho de 2016 às 18:17

A seleção nacional está a apenas um jogo de conquistar um título inédito, o campeonato da Europa de futebol. Para fazer a festa, a equipa portuguesa terá de vencer a França no domingo, num duelo que começa às 20h00.

"Nunca houve uma final Portugal-França. Esta é a primeira. E acredito que será um marco na história dos jogos entre as duas seleções. Portugal não joga contra ninguém, mas sim contra a França, que é uma equipa fantástica. Centramo-nos sempre nos que a minha equipa tem que fazer e disso faz parte o conhecer o adversário", sinalizou o selecionador das quinas, durante a conferência de imprensa que decorreu este sábado em Paris.

Durante a conversa com os jornalistas, o comandante luso bombardeado com perguntas sobre a nota artística da sua equipa e não se conteve.

"O que eu quero é que continuem a dizer a mesma coisa. Que digam que Portugal ganhou sem merecer. Vou todo contente para casa. Ai vou (risos). Então qual era a melhor? Não é a melhor porquê? Pensa-se que Portugal não merecia? Uma coisa é pensar, outra coisa é o que é na realidade. Esta é, sem dúvida, a final do Euro 2016. E a que merecia ser!", atirou.

"França é favorita para este jogo. Agora, acredito que Portugal é que vai ganhar"

Com um discurso ambicioso desde o início, o timoneiro português fez um pedido aos milhões de portugueses: "que acreditem tanto como eu, como os meus jogadores, como o staff e o presidente, que apostou em mim num contexto de risco. Acreditem. Tentaremos dar a maior alegria de sempre. Já disse há muito, ainda antes da fase final, que Portugal era um dos candidatos, mas que havia três favoritos: os campeões em título, do Mundo (Alemanha) e da Europa (Espanha), e a França, por jogar em casa. Não tenho problema nenhum em assumir e reconhecer que a França é favorita para este jogo. Agora, acredito que Portugal é que vai ganhar", assegurou.

"Seremos uma equipa com grande concentração, empenho e inteligência, com alma até Almeida, como dizemos na minha terra", acrescentou.

Em 2004, Portugal no papel de anfitrião não conseguiu levar de vencida a Grécia e perdeu a final da prova. Doze anos depois, a França terá a responsabilidade de lutar para vencer um título em casa.

"Existe sempre essa pressão, Portugal teve-a em 2004. Mas os jogadores franceses são muito experientes, habituados a jogar jogos de altíssima exigência, com um treinador que é um senhor do futebol. A nós compete-nos jogar para vencer", declarou Fernando Santos, que sofreu com a tragédia grega.

"É diferente estares na bancada a sofreres muito, ou estares no banco. O meu estado emocional é diferente, seguramente. Tenho que puxar pela equipa, pôr a cabeça a funcionar. Com o mesmo fanatismo que teria na bancada, tenho que ter a cabeça fria para tomar as melhores decisões", recordou.

"Amigáveis com a França foram diferentes"

Nas duas vezes em que Portugal defrontou a França sob as ordens do engenheiro de 61 anos, o triunfo soou sempre para o lado gaulês. Como será no domingo?

"Os amigáveis com a França foram diferentes, eram particulares e com características diferentes, com momentos de experiências. São contextos distintos, não havia nada a ganhar. Além do prestígio. Amanhã estamos a falar de uma final. Com toda a nossa humildade, mas também qualidade e talento, ganhar o jogo", sublinhou, elogiando a estratégia delineada por Didier Deschamps nas meias-finais ante a Alemanha.

Sangue novo e irreverência

William Carvalho, Raphael Guerreiro, Danilo Pereira, Renato Sanches, Rafa são alguns dos jovens que marcam presença no Euro2016 e que dão um sangue novo a Portugal.

"Trazem irreverência, um bocadinho de utopia, alguma falta de noção da realidade. E isso é positivo. Mas porque têm qualidade. Acrescentam a qualidade e essa irreverência a um grupo de jogadores que, para além de serem experientes, têm um enorme gosto por ganhar. E vão continuar a ganhar. O meio-campo é agora muito diferente, mas isso faz a equipa crescer e o futuro de Portugal é seguramente risonho", declarou o seleccionador, que preferiu não comentar a nomeação de Mark Clattenburg para dirigir o derradeiro encontro da competição.

"Não tenho receio. Por princípio, não receio o que quer que seja. Vão estar três grandes equipas em campo, é um árbitro conceituadíssimo, que irá fazer o seu melhor, como eu ou o treinador da França. Não tenho dúvidas sobre isso", finalizou.

A partida entre Portugal e França está agendado para as 20h00 e vai decorrer no Stade de France, em Saint-Denis nos arredores de Paris.

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