Nadadores usam óculos de luz para preparar jogos
Brasileiros testam tecnologia para preparar provas à noite.
Não são aliens nem soldados do futuro, mas uma foto publicada no Intagram mostra os nadadores da equipa brasileira com um ar bem estranho. A culpa é do calendário. Nesta edição dos Jogos Olímpicos, as meias-finais e finais das provas de natação vão ser disputadas à noite, depois das 22h00.
Para atletas habituados a competir bem mais cedo, a preocupação é que o corpo esteja demasiado cansado à hora em que têm de dar tudo por tudo. Daí que a equipa esteja a recorre a óculos que projetam luz, para tentar "convencer" o corpo de que estão ainda na hora de maior atividade e não no período em que, como diria Marco Fortes, o físico já só pede caminha.
"Com os óculos, damos um banho de luz nos atletas e, com isso, esperamos atrasar o sistema biológico deles. Ou seja, que a curva da temperatura do corpo fique mais alta até às 00h00, ou 00h30, para depois descansar. A ideia é atrasar a temperatura, atrasar o sono. Estamos atrasando a vida deles em três horas. A nossa expectativa é minimizar o prejuízo", explica ao portal globoesporte o o fisiologista responsável pelo projeto, Marco Túlio de Mello.
O Brasil pretende ganhar vantagem na preparação: "Na teoria, todos os atletas vão estar muito prejudicados, ou seja, o desempenho deve diminuir nesses horários. Se, com esses óculos e estratégias, a gente conseguir manter o mesmo nível deles, está muito bom" explica Marco Túlio de MelloAcordar, treina e comer mais tardeA experiência começou esta terça-feira e vai até o início das competições. Além de atrasarem atividades como acordar, treinar, comer, dormir em três horas, os atletas estão a usar os óculos com luz artificial durante 30 minutos, às 19h, "aumentando a temperatura do corpo e, consequentemente, ficando alerta por mais tempo. Depois, saem do treino de óculos escuros e usam uma luva com um sistema de refrigeração especial para diminuir a temperatura e desacelerar os nadadores", explica o globoesporte.
Nicolas Oliveira, que vai nadar os 100m livres e estafetas 4x100m livre e 4x100 estilos diz ao site brasileiro que ainda não notou mudanças, mas acredita que vai perceber a diferença. "Estamos a fazer uma série de testes para ver como estamos respondendo às tecnologias que viemos nos submetendo. Dá uma sensação estranha. Você tira os óculos e fica um tempinho vendo verde".
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