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Especialistas criticam Comité Olímpico Internacional e manifestam preocupação com a proibição de atletas transgénero

Atletas têm sido autorizados a competir em provas olímpicas desde que o COI aboliu os testes de sexo obrigatórios em 1999.

27 de março de 2026 às 12:27

O Comité Olímpico Internacional (COI) está a ser alvo de duras críticas por parte de centenas de organizações de direitos humanos, desportivas e científicas, incluindo as Nações Unidas, devido às novas diretrizes de elegibilidade de género. Em causa está a obrigatoriedade da realização de um exame genético para todos os atletas em provas femininas, a partir de Los Angeles2028, o que excluirá as mulheres transgénero.

De acordo com o The Guardian, as organizações consideram a medida uma "resposta brusca e discriminatória que não tem fundamento científico e viola o direito internacional em matéria de direitos humanos".

As novas diretrizes, anunciadas na sexta-feira, impõem testes genéticos de sexo a todos os atletas que competem nas categorias femininas, bem como proibições generalizadas para pessoas que se identificam como transgénero, intersexuais ou com diferenças de sexo.

Especialistas citados pelo The Guardian indicam que os "melhores dados disponíveis mostram que as mulheres transgénero que recebem terapia hormonal de afirmação de género não são significativamente diferentes das mulheres cisgénero em medidas-chave relacionadas com o desempenho, tais como massa muscular, força, composição corporal ou aptidão cardiorrespiratória, e, em muitos aspetos, encontram-se em desvantagem".

As novas diretrizes estão a preocupar também ao nível dos organismos nacionais, que poderão seguir o exemplo do COI. Uma advogada de direitos humanos e ex-nadadora olímpica, Nikki Dyden, disse que se estas regras forem adotadas pode criar "uma cultura em que alguém como um treinador, um oficial ou até mesmo outro pai se sinta no direito de questionar se a sua filha parece suficientemente feminina para pertencer ao grupo (...) Isso é policiar os corpos das meninas".

Os atletas têm sido autorizados a competir em provas olímpicas desde que o COI aboliu os testes de sexo obrigatórios em 1999, considerados arbitrários, imprecisos, dispendiosos e discriminatórios.

A nova presidente do COI, Kirsty Coventry, reverteu a posição da organização e voltou atrás no seu próprio Quadro de 2021 sobre Equidade, Inclusão e Não Discriminação.

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