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Nélson Évora termina carreira aos 42 anos

Atleta português encerrou assim mais de duas décadas de competição ao mais alto nível, duas semanas depois de se ter sagrado campeão nacional de triplo salto pela 13.ª vez.

06 de agosto de 2026 às 22:12

O campeão olímpico do triplo salto em Pequim2008, Nélson Évora terminou, esta quinta-feira, a carreira, aos 42 anos, no Estádio Universitário de Lisboa, num momento simbólico.

Com um "último salto" de 16,72 metros, o atleta português encerrou assim mais de duas décadas de competição ao mais alto nível, duas semanas depois de se ter sagrado campeão nacional de triplo salto pela 13.ª vez.

Évora alcançou 16,03 metros, a segunda melhor marca nacional do ano, apenas atrás dos 17,71 metros de Pedro Pichardo.

"Foi um projeto que não foi planeado para ser assim, correu muito bem. Sinceramente esperava saltar mais, para surpresa de muitas pessoas, mas tive muito poucas provas para ganhar ritmo competitivo. Foi um desafio muito bom, soube a pouco, mas com a idade que eu tenho tinha que chegar este momento", disse aos jornalistas.

O atleta lembrou que o fim estava decidido e que o regresso à competição não nasceu de uma ambição de voltar a ser campeão, mas de reencontrar a alegria de saltar, interrompendo uma paragem de três anos.

"Os nacionais foram uma prova oficial. Aqui foi um evento simbólico do 'último salto'. As pessoas tiveram a oportunidade de me voltar a ver saltar, (...) anunciaram a minha volta e fiquei super-feliz. Não esperava que ficassem tão felizes à minha volta à alta competição. Foi um projeto. Não foi uma coisa planeada para ser assim -- treinar para ser campeão nacional. Eu tinha ambição de voltar a ter alegria e saltar", recordou.

O esforço físico exigido aos 42 anos pesou na decisão.

"É difícil trabalhar o corpo para responder da melhor forma e fazer um bom triplo salto. Mas estou feliz e sinto-me completo", salientou.

Sem hesitações, Nélson Évora destacou a medalha de ouro conquistada nos Jogos Olímpicos de Pequim2008 como o ponto mais alto da carreira.

"Sem dúvida, o momento mais alto da minha carreira é o título olímpico. É o máximo que um atleta pode atingir. Sonhei com isso quando era mais jovem, nunca imaginei entrar para a história do desporto nacional", realçou, lembrando os títulos mundiais, europeus e medalhas em pista coberta.

O ex-atleta recordou ainda a fase mais dura da carreira, que coincidiu com a lesão na perna e morte do pai em 2011.

"O momento mais baixo foi quando me lesiono na perna e poucos meses depois perco o meu pai. Era quem me apoiava incondicionalmente. Senti vontade de desistir. Achei que era o fim da minha carreira. Tive de ter muita força, muita resiliência para lutar contra as adversidades e dar a volta por cima", afirmou.

Sobre o futuro depois do atletismo, o ex-atleta admitiu que ainda não tem uma decisão tomada.

"Agora é tempo de fechar ciclos e começar outros projetos. Tem que se ponderar bem. É um momento de mudança. (...) Poderá ser treinador, dirigente, tanta coisa. (...) Tenho muitas coisas em cima da mesa, mas prefiro decidir com calma", referiu.

A entrada no mercado de trabalho aos 42 anos é um desafio que quer encarar com a mesma dedicação que levou ao desporto.

Questionado se carreira valeu a pena, a resposta foi imediata.

"Valeu a pena a cada segundo. Estou orgulhoso de mim e de todo o percurso. Umas com mais sorte, outras com menos, mas faz parte. Aprendi muito, muitíssimo", acrescentou.

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