Prospetiva estratégica: Quando a tecnologia ajuda a antecipar o que aí vem
Ano após ano repetem-se incêndios, cheias e tempestades intensas. À medida que os fenómenos extremos se tornam mais frequentes, a ciência assume um papel crescente na prevenção.
Os exemplos multiplicam-se. Na Venezuela, o sistema de alerta sísmico da Google enviou notificações para milhões de utilizadores Android segundos antes dos abalos mais fortes. Na Suíça, uma rede de sensores monitorizou um glaciar em risco de colapso e permitiu evacuar uma aldeia antes da tragédia. Em Portugal, sensores inteligentes e sistemas de Inteligência Artificial (IA) analisam dados em tempo real para antecipar cheias e apoiar a Proteção Civil.
É precisamente essa a missão da Greenmetrics.ai. A empresa portuguesa desenvolveu um sistema que combina sensores, dados meteorológicos e IA para prever cheias antes de acontecerem. Segundo Tiago Marques, CEO e cofundador, a tecnologia permite às entidades de Proteção Civil acompanhar o território em permanência e agir antecipadamente. "Conseguimos dar expectativa e previsibilidade algumas horas antes de um evento acontecer", explica, permitindo fechar acessos, desobstruir ou evacuar zonas vulneráveis.
A tecnologia assenta em sensores que medem continuamente o nível da água. Manuel Bastos, também cofundador e CRO desta empresa, explica que um radar calcula a distância até à superfície da água e determina o seu nível em tempo real, “fornecendo informação essencial para antecipar situações de risco”.
Mas antecipar o futuro vai além dos desastres naturais. Em Portugal, o Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP) utiliza a prospetiva estratégica para preparar o país para desafios como as alterações climáticas, as crises económicas ou a aceleração tecnológica. Francisco Furtado, responsável pela equipa de Prospetiva e Planeamento, sublinha que o objetivo não é prever exatamente o futuro, mas explorar diferentes cenários. "O futuro não está escrito", afirma.
Deste trabalho nasceu o relatório Megatendências 2050, que identifica desafios como as alterações climáticas, a pressão sobre os recursos naturais e a digitalização. Aponta também oportunidades, destacando a IA como uma potencial alavanca para aumentar a produtividade nacional, a par da economia e da biotecnologia do mar. Um tema que se cruza com o ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, 'Pensar o Futuro: Portugal e o Mundo em Prospetiva Estratégica'. O autor, Ricardo Borges de Castro, defende que antecipar o futuro é essencial para uma governação eficaz. Através de exemplos internacionais, mostra como a prospetiva estratégica reforça a resiliência das instituições e defende que Portugal deve investir numa cultura de preparação e de pensamento estratégico para enfrentar desafios cada vez mais complexos.
1,2 milhões de toneladas de azeitona em 2025
Em 2025 produziram-se em Portugal continental mais de 1 milhão e 200 mil toneladas de azeitona, o equivalente a 110 kg de azeitona por pessoa. Desde 2021, com exceção de 2022, a produção de azeitona supera o milhão de toneladas.
2021 bateu o recorde da produção de azeite
Em 2025, foram produzidos mais de 190 milhões de litros de azeite, o equivalente a quase 17 litros por habitante. Foi em 2021 que se bateu o recorde da produção de azeite, quase 230 milhões de litros.
Pensar o Futuro
Ricardo Borges de Castro, autor de 'Pensar o Futuro: Portugal e o mundo em prospetiva estratégica'
No século XXI, se as democracias não conseguem ser mais rápidas a acompanhar mudanças têm de ser mais inteligentes para antecipar e preparar-se para o que pode estar para vir. Para os europeus, pensar e preparar o futuro deixou de ser um luxo. É uma necessidade. Portugal não foge à regra. Cada vez mais é preciso apostar na reflexão a longo prazo com, pelo menos, dois propósitos: construir o país que queremos ou sonhamos e mitigar os riscos e as ameaças que podem comprometer esse objetivo.
'Pensar o Futuro: Portugal e o mundo em prospetiva estratégica' é um guia e uma viagem. Por um lado, explica de forma prática como se podem pensar e preparar ‘os futuros’ – sim, há muitos e também dependem de nós e das nossas ações. Por outro, mostra como, por esse mundo fora, se pensa e prepara o futuro e com que resultados. É um périplo que começa na Bélgica e que depois leva os leitores a França, a Inglaterra, à Finlândia, à África do Sul, à China, a Singapura e aos EUA.
A viagem termina em Portugal onde, presentemente, o Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP) e a rede REPLAN estão a pensar o país com um horizonte até 2050. É uma jornada ao futuro que vale a pena e que os portugueses devem fazer em conjunto. Vamos futurar?
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