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Artigo exclusivo

A chamada vem de dentro da casa

A História não lembra estes homens pelo falhanço da explosão, lembra-os pela coragem de a tentar. Eles falharam o alvo, mas acertaram no essencial. Provaram que, mesmo no coração da tirania, houve quem tivesse coragem de deixar de ser cúmplice

26 de julho de 2026 às 17:30

A sala era pequena e o calor de julho tornava o ar intenso. Sobre a mesa, havia mapas riscados que marcavam frentes que pareciam desabar a cada dia. O tempo jogava contra eles e toda a gente já se tinha apercebido. Um homem austero batia com a mão na madeira enquanto gritava ordens para que os exércitos avançassem, como se a fúria com os presentes pudesse travar o que os números já não travavam. O inimigo aproximava-se e fazia frente à fé cega de quem ainda acreditava vencer a guerra. Mas não seria esse o maior problema que ele teria de enfrentar naquele dia. À medida que o sentimento de derrota crescia, crescia também a dissidência, silenciosa e predadora, à espera do momento certo para atacar. Foi nesse momento que, naquela reunião reservada aos mais próximos, uma mala deixada junto à mesa explodiu, matando alguns dos presentes e ferindo outros.

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