Tony e Fernanda garantiram que mantêm a amizade, mas também continuam juntos na gestão de três carreiras.
A banda do ‘Titanic’ continuou a tocar enquanto o navio mergulhava nas águas escuras e geladas do Atlântico. Tal como os oito corajosos músicos, que tentaram acalmar os passageiros naquela noite fatídica de 1912 em que o navio embateu no icebergue, Tony Carreira e Fernanda Antunes nunca deixaram que a música parasse em 2014.
Os dois ex-emigrantes, cujos caminhos se cruzaram em 1984, num baile nos arredores de Paris, anunciaram o fim de um "casamento muito cúmplice e feliz" em agosto. O comunicado foi partilhado no Facebook, onde o rei da música romântica nacional tem mais de 600 mil seguidores, aos quais garantiu que ficaria "para sempre a nossa amizade incondicional que hoje, mais do que nunca, é o pilar da extrema união que sempre existiu" na família.
A civilidade que o casal Antunes demonstrou num momento difícil foi um contraste com outros divórcios que nos últimos anos encheram páginas da imprensa cor-de-rosa – com Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho a elevarem (ou, melhor dizendo, a afundarem) a fasquia deixada por Luciana Abreu e Yannick Djaló –, apesar de também aqui haver um menor envolvido. Não o primogénito Mickael, de 28 anos, e David, irmão do meio, cinco anos mais novo, mas sim a adolescente Sara, que tem 15.
Outra grande diferença em relação a processos de divórcio tão mediáticos quanto este teve a ver com relatórios e contas. Tony Carreira e Fernanda Antunes não estão só ligados por três filhos e uma história de vida que passou de num bairro social de França a casas de luxo em Portugal. Formada em 2000, a ‘mais nova’ do casal é a Regi-Concerto, empresa que começou por gerir a carreira e produzir os concertos do patriarca, e com o passar dos anos passou a abarcar as canções românticas de Mickael (2006) e o hip hop de David (2012). Por lançar está a carreira de Sara, que mesmo assim já tem no currículo a subida ao palco do Meo Arena, para cantar ‘Hoje Menina, Amanhã uma Mulher’, num dueto com o pai, visivelmente embevecido.
RECONCILIAÇÃO À VISTA?
Sendo Fernanda Antunes a administradora delegada da Regi-Concerto – durante alguns anos era a detentora da única quota, mas entretanto a Regibusiness, outra empresa controlada pela família, tornou-se maioritária –, e a responsável pela gestão diária na sede, situada na Charneca da Caparica, uma rutura seria tão improvável que ninguém ficou espantado quando ficou sentada ao lado de Tony no concerto de David Carreira no Coliseu do Porto, a 9 de novembro, ou quando assistiu às novas enchentes no Meo Arena, a 31 de outubro e 1 de novembro, do homem que ao longo dos anos encantou fãs a cantar êxitos como ‘Envelhecer a teu Lado’ e ‘Depois de Ti Mais Nada’.
Nas últimas semanas, após o lançamento de ‘Sempre’, novo disco do cantor que vai conseguindo levitar acima da profunda crise da indústria discográfica portuguesa, têm surgido rumores sobre a iminência de uma reconciliação. Afinal, como se pode ouvir no tema ‘Um Grande Amor’: "Um grande amor sobrevive ao esquecimento/ Um grande amor deixa sempre a porta aberta quando sai."
Mesmo que o pai e a mãe estejam a primar pela contenção nas declarações públicas – Fernanda é, aliás, o exemplo acabado de uma mulher que prefere ficar nos bastidores –, o filho mais velho do casal assegurou à comunicação social que a família iria passar o Natal toda junta, como é tradição entre os Antunes. Daí até ao regresso ao idílio conjugal é um salto lógico que Tony Carreira não quis confirmar na recente viagem à Disneyland Paris, na companhia da filha mais nova e de várias revistas sociais.
PEDRAS NO CAMINHO
Para os mais cínicos, capazes de suspeitar que a separação tem indícios de golpe publicitário, convém recordar o caminho trilhado desde que Fernanda, nascida em Vila do Conde há 49 anos, e em França desde os dez, tomou conhecimento da existência do vocalista do grupo musical Irmãos 5 – no qual, apesar do nome, só marcava presença o irmão mais velho do cabeludo ainda conhecido por António Antunes, sendo os restantes elementos dois primos e um amigo.
No livro ‘A Vida que eu Escolhi’, a biografia autorizada que Rui Pedro Brás escreveu em 2008, Tony Carreira admitiu que o entusiasmo que sentiu pela futura mulher não foi retribuído num primeiro instante, até porque Fernanda namorava com outro António. Certo é que no espaço de dois meses já estavam a viver juntos e e seis meses depois casaram. Pelo civil, em Versalhes, e pela igreja, em Vila do Conde. "Fazer-lhe um filho, para garantir que ela não ia embora" foi a prioridade do futuro segundo amor de milhares de portuguesas.
A vida era difícil para o emigrante de Armadouro, aldeia do concelho de Pampilhosa da Serra, que trabalhava desde o início da adolescência numa fabrica de enchidos, e tinha a mulher a ganhar a vida noutra fábrica. E não ficaria mais fácil à medida que Tony começou a triunfar na música, passando praticamente o ano inteiro na estrada, concerto após concerto.
A separação anunciada em agosto esteve para acontecer numa altura em que nem seria notícia. Numa das "duas ou três vezes" que ponderaram o divórcio nos anos 90 houve advogados envolvidos, com a distância entre Paris e Lisboa, onde o cantor passava muito tempo – escondendo às fãs e à comunicação social que era casado – a agravar os problemas. Só em 2000, após o nascimento de Sara, é que o clã se reagrupou em Lisboa.
As pedras foram afastadas do caminho quando Fernanda se tornou tão ou mais indispensável para o negócio da família – empenhando-se na carreira do marido, e mais tarde na dos filhos – quanto Ricardo Landum, o compositor a quem Tony Carreira trata por "amigo-irmão".
Com ou sem reconciliação, Tony e Fernanda mantêm comunhão de carreira. Tudo o resto, alimentado por novas canções como ‘Ainda Sonho Contigo’, ‘Quando me Lembro de Ti’ e ‘Não Vás Embora’, estará por compor.
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