Livrinhos de capa preta foram inicialmente publicados pela Editorial Estampa
O primeiro na coleção disruptiva de livrinhos com letras prateadas sobre capa de cartolina preta e páginas interiores azuis foi ‘O Arranca Corações’, de Boris Vian, com tradução de Luiza Neto Jorge. Entre os anos 70 e 90 foram publicados mais de 50 volumes, traduzidos por nomes como Ernesto Sampaio, José Saramago ou Jorge Silva Melo, entre outros. A icónica coleção da desaparecida Editorial Estampa (fundada por António Carlos Manso Pinheiro em 1960) está de regresso graças à E-Primatur que, ainda neste mês de março, publica ‘Recordações Fantásticas e Três Histórias Singulares’, de Maurice Sandoz, com ilustrações originais de Salvador Dali; e depois, em abril, ‘Os Mil e Um Fantasmas’, de Alexandre Dumas; em maio ‘Satânia – Novelas’, de Judith Teixeira; e finalmente, no âmbito das obras com edição prevista para este ano, no mês de outubro, ‘A Estalagem Voadora’, do inglês G. K. Chesterton.
Hugo Xavier (ex-editor da Cavalo de Ferro), um dos três fundadores da E-Primatur e da BookBuilders (a outra face da primeira chancela, e que se dedica a autores desconhecidos), explica que ele próprio era um leitor "fiel" da coleção da histórica Editorial Estampa, em torno da qual chegaram a gravitar nomes como Luiz Pacheco ou Mário Cesariny, e que não sobreviveu aos novos tempos, obrigada que foi a encerrar por insolvência. "Tenho a coleção quase completa e até tinha uns repetidos para oferecer regularmente a amigos leitores", conta o editor que nota ainda outro motivo para a repescagem da Livro B: "Apesar de se publicarem muitos livros em Portugal (a oferta é superior ao consumo), o nosso mercado está a tornar-se homogéneo; não há diversidade."
A selva da edição
A E-Primatur apareceu em 2015 e foi o resultado do encontro de vontades de Hugo Xavier e Pedro Bernardo (Edições 70 e Actual, do Grupo Almedina), a que se juntou João Reis (ex-editor da Eucleia). "Queríamos embarcar num novo projeto editorial, mas que fosse diferente. Acreditamos nos mecanismos sociais da leitura e como tal o ‘crowdfunding’ fazia sentido, mas não como uma necessidade financeira total." Neste primeiro ano, a coleção Livro B será publicada por conta e risco da editora, cujos livros (cerca de 70 títulos, de Mário-Henrique Leiria a Charles Dickens, de Vilhena a H. G. Wells, entre tantos outros) estarão à venda no circuito habitual livreiro - e 17 deles integram o Plano Nacional de Leitura.
Esta forma pouco tradicional de fazer edição acaba por encontrar justificação no ‘estado de coisas’ do circuito editorial português, em que "o mercado tem especificidades de funcionamento que são desconhecidas para a maior parte dos leitores". "Uma delas é a rapidez de rotação: num país em que se tem poucos leitores achou-se que a solução é estarem sempre a aparecer livros novos. Isto influencia a maneira como as editoras promovem os livros: não há dinheiro para promover todos e faz mais sentido que se promova aqueles em que se empatou mais dinheiro (e que geralmente são os tidos como mais comerciais). Ora, os livros mais comerciais são os que mais rodam com facilidade porque são aqueles onde há mais concorrência. Logo, esse vetor do mercado tem uma possibilidade mais reduzida de sucesso e quando o sucesso acontece é, de facto, estrondoso", explica.
"Sem dados de mercado, eu diria ainda assim que o grosso dos livros mais comerciais, se não ‘pegam’, acabam em armazém geralmente com mais de 50 por cento da edição parada (porque sendo comercial também se teve de imprimir mais exemplares para garantirem espaço de exposição)", revela Hugo Xavier.
No que toca às editoras que publicam ‘long-sellers’, as tiragens são sempre mais controladas, até porque "são aquelas que mais são penalizadas em termos de impostos, pois os livros que vendem lentamente são todos os anos contabilizados como ativos da editora e taxados no IRC e outros".
"Se é caro editar livros em Portugal? Sim", responde o editor, para quem a profissão não será "uma ocupação para Quixotes nem certamente para quem queira enriquecer". Desde "a crise de 2008, as tiragens iniciais diminuíram entre 30 a 50%, pelo que uma tiragem média ronda hoje em dia os 750 exemplares", diz Hugo Xavier. "A questão é simples, dou um pequeno exemplo: um livro custa 20 euros. Vai para as livrarias e o editor é obrigado a dar um desconto médio comercial de cerca de 42% (a margem das livrarias). Pelo caminho, a editora teve de pagar: tradução (cerca de 7%), revisão (cerca de 2%), paginação (cerca de 2%), design (cerca de 1%), direitos de autor (10%), custos de marketing e publicidade (cerca de 2%) e a produção gráfica". Sobra por isso 20% do valor do livro, que terá de pagar salários e contas das editoras e também "o próximo livro", conclui.
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