Um casal abriu um estúdio que recupera o método do século XIX e o cerimonial de ir ao fotógrafo
Rute Magalhães era secretária numa escola quando se viu, de repente, sem emprego. Levou ano e meio a ganhar coragem para constituir a sua própria empresa, mas findo esse tempo a ideia que teve não podia ter sido mais luminosa. Porque não transformar a sua paixão pela fotografia num negócio?
Assim nasceu a Silverbox, que fundou com o marido, Filipe Alves, há três anos e que mais não é do que um estúdio que recupera o velhinho hábito de vestir uma roupa especial para ir ao fotógrafo ("como no tempo dos nossos bisavós") e o ainda mais velhinho método de fotografar em colódio húmido. Um processo que remonta ao século XIX (foi criado em 1848 pelo britânico Frederick Scott Archer) e que permite ao fotografado ver, em cerca de 10 ou 15 minutos, a imagem da sua cara a aparecer numa placa de vidro ou numa chapa de metal previamente sensibilizadas. Uma imagem que parece chegar a nós de um passado remoto.
O processo foi usado durante pouco tempo e em Portugal conheceu poucos adeptos. Mas as fotos em colódio húmido que resistiram não se confundem com mais nada. "É uma fotografia de ar envelhecido, mas que tem muita magia", conta Rute Magalhães (n. 1984). "Nós convidamos as pessoas a assistir ao processo todo, desde a preparação da placa até à revelação, o que torna tudo mais apelativo. As pessoas saem daqui com o retrato na mão, em vez de esperarem uma ou duas semanas pelo resultado."
Amador
Nem Rute nem Filipe são fotógrafos profissionais. Definem-se, antes, como "entusiastas" e "autodidatas que se apaixonaram por processos alternativos". Inspirados pelo trabalho da norte-americana Sally Mann (n. 1951), começaram a querer "aprender mais e mais" sobre fotografia, a partilhar as suas experiências com familiares e amigos, que os aconselharam a abrir um espaço próprio na capital. "Disseram-nos que se abríssemos as portas às pessoas e as convidássemos a entrar, elas gostariam de conhecer o nosso trabalho e acabariam por aderir e querer ser retratadas", diz Rute Magalhães, sorrindo. E a profecia cumpriu-se.
Depois de uma loja na Praça das Flores, o casal mudou-se para a Rua Braancamp, para um apartamento que, além de escritório, laboratório e espaço de exposições (em potência), tem ainda divisões de habitação pessoal. Desde então, têm visto o negócio a expandir-se. Mas não em demasia. "Nunca" em demasia.
"Não somos uma multinacional – nunca o seremos – e também não é isso que queremos", diz Filipe Alves (n. 1979). "Gostaríamos que isto nunca deixasse de ser exatamente aquilo que é. Um pequeno tesouro escondido no meio de Lisboa." E se inicialmente montar um negócio próprio, sobretudo de características tão sui generis, foi "um susto" ("nunca sabíamos com que dinheiro é que íamos chegar ao final do mês..."), os clientes têm passado a palavra e neste momento o trabalho da Silverbox já dá para pagar o espaço arrendado e para subsidiar o material. É que quem vem recomenda e muitos voltam para uma segunda ou terceira experiência. Há até o caso de uma família que tira um retrato todos os anos. "Já nos disseram que enquanto nós existirmos, virão sempre."
Nem os famosos ficaram indiferentes à novidade. Entre aqueles que já se deixaram cativar pelo trabalho dos dois artistas estão o músico Tiago Bettencourt e a atriz Rita Brütt. Ele foi fotografado para a capa de um disco, ela queria um retrato de recordação. Os preços nem sequer são proibitivos: variam entre os 30 e os 80 euros, sendo que de dois em dois meses há um ‘sábado aberto’ em que se pode tirar um retrato por dez euros, sem marcação prévia. Em período de Natal também há cheques de oferta a preços apetecíveis. Mesmo assim, a profissionalização talvez esteja fora do alcance destes fotógrafos, que mantêm empregos paralelos. Filipe é arquiteto. Rute faz – e vende – objetos de artes decorativas. A paixão, essa, é e será sempre a fotografia.
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