Jovem sueco de 29 anos tem 102 milhões de seguidores no canal PewDiePie, mas tem sido acusado de racismo e antissemitismo.
Os jovens adultos não perdem muito tempo em frente a uma televisão, mas absorvem horas sem fim de mensagens e de vídeos gravados pelos novos profissionais da comunicação que ensinam tudo, falam de tudo, comentam tudo: os youtubers. PewDiePie, de seu nome Felix Kjellberg, é um desses fenómenos.
Tem 102 milhões de seguidores, é o maior youtuber do Mundo e o segundo canal mais visto no YouTube, só ultrapassado pelos indianos da T-Series, produtora cinematográfica com 121 milhões de subscritores. O jovem sueco, de 29 anos, que produz conteúdos sobre jogos, com muito humor à mistura e alguma música, está a tentar reabilitar a imagem depois de múltiplas acusações de racismo e de antissemitismo que o perseguem há alguns anos e anunciou uma paragem para 2020. "Estou cansado", garante.
A jovem estrela, cujo património rondava os 80,7 milhões de euros em 2016, segundo o site de informações financeiras Money Nation, já ultrapassou várias vezes o limite. As polémicas têm-se arrastado. "No início do ano vou estar um tempo afastado. Explicarei isso mais tarde, mas queria dizer isto com antecedência. Estou a sentir-me muito cansado. Estarei ausente por um tempo ", disse o youtuber num vídeo publicado no seu canal: PewDiePie. A seguir fechou a conta no Twitter, criticando a rede social por "recompensar" aquilo a que chamou "de sinalização de virtude vazia".
Um dos comportamentos mais reprováveis do jovem aconteceu em 2017 quando Felix Kjellberg pagou a atores para exibirem uma placa com a inscrição "morte a todos os judeus", que depois foi reproduzida em vários vídeos. Esta atitude levou a Disney a cancelar a publicidade no seu canal. O sueco viria a reconhecer que "a piada foi longe demais".
Desde então, nacionalistas brancos abraçaram o canal de Felix Kjellberg. Ao ponto de o autor do massacre de Christchurch – que matou 51 muçulmanos nos atentados contra duas mesquitas na Nova Zelândia, a 15 de março deste ano – ter usado a popular imagem "subscreve PewDiePie" repetindo a frase numa transmissão ao vivo antes do massacre. O jovem youtuber tentou afastar-se dessa imagem, pediu aos fãs que parassem de usar a frase – referindo que se sentia "absolutamente enojado".
Mas logo outros equívocos se seguiram. Ainda em 2017, pediu desculpas por usar o termo ‘nigger’ numa transmissão. Mais recentemente, aquando da luta pelo primeiro lugar do Youtube com a T-Series, Felix Kjellberg produziu e publicou vários vídeos sobre os adversários indianos que acabaram por resvalar para o racismo. As desculpas sucedem-se com milhões de jovens em todo o Mundo a assistirem só porque o jovem é cómico e faz vídeos aleatórios.
O início
O canal PewDiePie foi lançado em abril de 2010 e depressa ganhou popularidade como influenciador da indústria dos jogos. O nome ‘PewDiePie’ será uma combinação de termos ingleses que não parecem fazer sentido fora da lógica ou do humor do sueco. ‘Pew’ é o som que uma pistola laser faria, ‘Die’ é morte e ‘Pie’ é tarte. Faz mais sentido se pensarmos que houve um primeiro canal, criado em 2006, que se chamava apenas PewDie – o que na imaginação de youtuber quererá dizer "atirar em alguém com uma pistola laser". O terceiro termo terá sido acrescentado depois de o jovem ter perdido a senha e precisar de dar início a outro canal.
Antes de ser uma estrela, Felix Kjellberg estudava Economia Industrial na Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia. Abandonou os estudos em 2011 para se concentrar na produção de vídeos. O primeiro milhão de seguidores surgiu no ano seguinte. Até ao fim de 2013 já tinha chegado aos 20 milhões de subscritores.
Segundo contas da ‘Forbes’, só em 2018 Kjellberg arrecadou 13,9 milhões de euros.
Citando um artigo do site brasileiro InfoMoney, os vídeos de PewDiePie têm em média 544 milhões de visualizações por mês. "Sempre que alguém assiste a um vídeo do YouTube e vê um anúncio, parte do dinheiro que o anunciante pagou ao YouTube fica com quem administra o canal. O YouTube calcula esse pagamento usando um modelo de CPM (cliques por mil)", explica o artigo, adiantando que o sueco tem ainda parcerias com duas grandes empresas da área dos jogos, o que também pode ser uma boa fonte de receita.
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