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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Óculos feitos em 3D

Empresa de Viseu cria peças customizadas, ao gosto de cada um e compradas pela internet

06 de maio de 2018 às 12:43

Em poucas horas, através de um simples clique, os óculos feitos à medida estão prontos para serem enviados para casa do cliente. É graças a impressoras 3D, adquiridas com o financiamento de cerca de 300 mil euros do Programa 2020 da Comissão Europeia, que a loja online MoodOptic vende, a partir de Viseu, armações de óculos graduados e de sol personalizados para seis países da Europa.

As máquinas têm capacidade para produzir peças customizadas, nas quais o cliente até pode escrever nos óculos, mas também "consegue produzir em série, oito a nove peças de uma só vez", relata Nuno Cabral da MoodOptic. Sendo uma loja online, e tendo presente que apenas 10 a 12 por cento dos clientes compram na internet, a ótica apostou nesta tecnologia para se afirmar no mercado. As compras online são mais cómodas, mas têm um senão que passa por não se poder experimentar o que está a comprar. Para resolver esta questão, esta empresa está a trabalhar em torres digitais com um sistema ‘try on’ com o qual, virtualmente, o cliente experimenta os óculos e se gostar pode mandar produzi-los.

O responsável pela loja online acredita que este projeto também se enquadra no programa da Comissão Europeia que apoia a inovação de pequenas e médias empresas, por isso espera voltar a conseguir financiamento, desta vez na ordem dos dois milhões de euros.

Se a candidatura for aceite esta empresa da zona centro do País beneficiará, mais uma vez, de uma parte dos 25 milhões de euros que Portugal espera receber até 2020. O programa pretende estimular o desenvolvimento económico e social das regiões do continente e ilhas.

Sociedade Bit

Por Reginaldo Rodrigues de Almeida

Portugal a 100 por cento

"Portugal é Lisboa e o resto é paisagem", expressão muito conhecida (imprecisa nesta redação por adulteração popular) que pretensamente se quer atribuir a Ega, personagem do romance ‘Os Maias’, criado pela notabilíssima escrita de Eça de Queiroz e que, num determinado contexto, tentava demonstrar o grau de interioridade do país, para lá da capital, onde tudo de relevante e de inovador acontecia. Incompreensivelmente, esta expressão parece ainda toldar a convicção de alguns, felizmente cada vez menos e, caso para dizer, distraídos!

De facto, neste momento o desenvolvimento transversal de muitas das matrizes de I&D, que anima a cultura científica nacional, está disseminado por toda a parte, independentemente da latitude regional, muito dependente de onde existir estratégia empresarial, capacidade de inovação e de empreendedorismo.

Seja no aeroporto de Lisboa, seja no do Porto mas também em muitos dos aeródromos regionais, dezenas são as PME e até patentes individuais que diariamente rumam às mais diferentes capitais de indústria e de tecnologia europeias para mostrar o melhor que por cá se faz. Cumpre aos poderes públicos e aos interesses privados conjugarem esforços para que essa realidade seja cada vez maior e que Portugal não corra o risco de ser só uma "paisagem de sol, serra e mar" com muitos turistas à mistura…

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