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Artigo exclusivo

Os portugueses: uma nostalgia fora de moda

Os “portugueses de antigamente” tinham vícios muito contemporâneos e eram tão velhacos e tão impertinentes como os de hoje.

25 de janeiro de 2026 às 00:30

A nostalgia das coisas que terminaram ou que passaram há muito pela nossa vida é um dos sustentos da velhice, mas acaba por ser uma questão puramente literária ou de estilo: eu sou contemporâneo dessas coisas antigas, bem como de quase todas as coisas passadas e devo reconhecer que são mais belas a esta distância. Felizmente, tanto o velho Doutor Homem, meu pai, como Dona Ester, minha mãe, eram um pouco relapsos nessa matéria, reservando a nostalgia para os álbuns de família que estavam no resguardo do velho casarão de Ponte de Lima, a salvo de serem folheados com frequência. No Verão, o velho Doutor Homem, meu pai, dedicava-lhes alguma atenção: acrescentava notas de rodapé às fotografias, como um arquivista compenetrado mas ciente de que a minúcia excessiva se parece com uma obsessão – e de que o demasiado interesse pelas coisas familiares se assemelha a um egoísmo doentio. Isto sem mencionar que, no caso dos Homem, já havia egoísmo e misantropia bastantes. Orgulho-me de ambos (do egoísmo e da misantropia), para desespero da minha sobrinha Maria Luísa, a eleitora esquerdista da família.

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