Nomeado para o Óscar por cenas feitas antes por Kevin Spacey, Christopher Plummer é o mais recente suplente de luxo
Entre as decisões de Christopher Plummer ao aceitar o papel do milionário J. Paul Getty no filme ‘Todo o Dinheiro do Mundo’, que estreou na quinta-feira em Portugal, uma das mais relevantes foi a de não pedir para ver as cenas que iria fazer tal como foram interpretadas por Kevin Spacey, afastado na sequência das acusações de assédio sexual que fizeram do dono de dois Óscares ‘persona non grata’ em Hollywood.
Para Christopher Plummer, que aos 88 anos tem mais sete do que o Getty real tinha em 1973, quando mafiosos italianos raptaram o seu neto John Paul, exigindo 14 milhões de dólares pela sua vida, o convite do realizador Ridley Scott implicou uma alteração de rotina maior do que os dez dias de rodagem necessários para refilmar as cenas da personagem. "Estava de partida para a Florida, onde passo os invernos. Ainda estou a tentar ir", disse ao ‘USA Today’, sem saber que antes da primavera estaria em Los Angeles a 4 de março, na cerimónia dos Óscares, nomeado na categoria de Melhor Ator Secundário.
Melhor resultado da troca de atores não poderiam desejar o realizador e os produtores de ‘Todo o Dinheiro do Mundo’, que tiveram pouco tempo para concretizar um plano para salvar o filme dos danos causados pelas denúncias de sucessivos abusos e assédios cometidos por Kevin Spacey, também afastado do papel principal da série ‘House of Cards’. A decisão foi tomada a 1 de novembro do ano passado e as novas cenas, com um custo adicional de dez milhões de dólares (potenciado por exigências de Mark Wahlberg, pois a protagonista, Michelle Williams, que interpreta a mãe do raptado, recebeu bem menos), não impediram que o filme estreasse nos EUA a 25 de dezembro, a tempo de ser elegível para a Academia de Hollywood - a qual só reconheceu o trabalho de Plummer.
Quanto ao trabalho de Spacey, que fora submetido a muita caracterização para dissimular o facto de, aos 58 anos, ter menos 23 do que o avarento multimilionário dos petróleos quando hesitou no pagamento do resgate, não é preciso imaginá-lo. Apareceu no trailer inicial e o ator caído em desgraça continua presente na montagem final. Assim sucede numa cena rodada no deserto que teria sido um pesadelo logístico e orçamental repetir. Num plano afastado surge Spacey a sair do comboio, cabendo a Plummer os planos apertados graças à magia do ‘blue screen’ que coloca em cena quem nem esteve no cenário.
Para a história ficam os ziguezagues do realizador, que veio dizer que Plummer fora a primeira escolha, tendo cedido a pressões da Sony para contratar Spacey. Meses antes, numa entrevista à ‘Entertainment Weekly’, tinha opinião diferente. "Quando li o argumento, comecei a pensar: ‘Quem era Paul Getty?’ Na minha mente vi Kevin Spacey."
UM DELOREAN PARA DOIS
Mesmo sendo raras, pois implicam gastos capazes de chocar executivos e produtores tão apegados aos dólares quanto o Getty interpretado por Spacey e Plummer, as mudanças de atores durante a rodagem chegam a dar-se nos protagonistas. Foi o caso de ‘Regresso ao Futuro’, o filme de ficção científica que foi o mais visto de 1985, originou uma trilogia milionária e fez de Michael J. Fox uma estrela de Hollywood. Apesar disso, não foi ele a primeira escolha para o papel de Marty McFly, o adolescente que viajava para o passado num automóvel DeLorean movido a plutónio e punha em causa a própria existência ao alterar as circunstâncias em que os seus pais adolescentes se apaixonavam.
Nas duas primeiras semanas de rodagem quem interpretou McFly foi Eric Stoltz, que também tinha 24 anos e era uma das promessas de Hollywood, já nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário por fazer de jovem deformado de ‘Máscara’. Tudo parecia correr bem, mas o realizador Robert Zemeckis concluiu que a interpretação era demasiado séria para o registo pretendido. Feito o diagnóstico, a decisão foi rápida, com a contratação de Fox, já popular como o jovem conservador da sitcom ‘Quem sai aos Seus’, a ser revelada ao resto do elenco na véspera. Restou-lhes voltar a filmar.
Já em ‘V de Vingança’ (2005), o revolucionário mascarado deixou de ser James Purefoy e tornou-se Hugo Weaving (que já trabalhara com os irmãos Wachowski nos filmes da saga ‘Matrix’) com o filme a meio, mas o primeiro ficou em algumas cenas, com a voz alterada. E Stuart Townsend foi considerado novo de mais para o Aragorn de ‘O Senhor dos Anéis’, sendo Viggo Mortensen o suplente de luxo da trilogia.
MUDANÇAS DRÁSTICAS
Aplicação passou a soar mais sexy
‘Her - Uma História de Amor’ (2013) tem Joaquin Phoenix a apaixonar-se por uma aplicação com inteligência artificial. Após as filmagens, a voz de Samantha Morton foi substituída pela de Scarlett Johansson.
Clássico do cinema altera protagonista
A épica rodagem de ‘Apocalypse Now’ (1977) nas Filipinas incluiu a substituição do protagonista após duas semanas de trabalho. Francis Ford Coppola decidiu chamar Martin Sheen para o papel de Harvey Keitel.
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