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Banco Central Europeu sobe taxas de juro pela primeira vez em 11 anos. Subida em 50 pontos base

A par da decisão, a autoridade monetária vai avançar com uma nova ferramenta anticrise.

21 de julho de 2022 às 13:19

O Banco Central Europeu (BCE) subiu as taxas de juro na Zona Euro pela primeira vez em 11 anos. A autoridade monetária liderada por Christine Lagarde anunciou, esta quinta-feira após o Conselho de Governadores, um aumento de 50 pontos base nas três taxas - acima da expetativa do mercado - com efeitos a partir de 27 de julho.

A taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento sobe para 0,5% (contra o anterior nível de 0%), enquanto a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez avança para 0,75% (de 0,25%) e a taxa de depósitos para 0% (face aos anteriores -0,50%). Todas elas estavam em mínimos históricos.

O objetivo é travar a escalada da inflação na Zona Euro, que atingiu em junho os 8,6%, no valor mais elevado desde a introdução da moeda única. A taxa ultrapassou em larga medida a meta do BCE de uma inflação próxima de 2%, influenciada pelo impacto da guerra e da crise energética.

A autoridade monetária justifica o facto de ter aumentado a subida das taxas de juro em maior dimensão do que o apontado na última reunião (25 pontos base), devido à atualização do cenário económico da Zona Euro e à introdução da nova ferramenta "anti-fragmentação".

"O Conselho do BCE considerou apropriado dar um primeiro passo maior, na sua trajetória de normalização das taxas de juro diretoras, do que o sinalizado na reunião anterior. Esta decisão assenta na avaliação atualizada do Conselho do BCE relativamente aos riscos de inflação e no apoio reforçado proporcionado [pela nova ferramenta ‘anti-crise’] para a transmissão eficaz da política monetária", escreve a autoridade monetária.

O BCE garante que "apoiará o regresso da inflação ao objetivo de médio prazo do Conselho do BCE, ao ancorar mais firmemente as expectativas de inflação e ao garantir o ajustamento das condições da procura para a consecução do objetivo de inflação a médio prazo".

Após esta subida, o BCE já sinalizou que o irá fazer novamente em setembro. O mercado estava, assim, já a incorporar esta decisão, verificando-se um agravamento das "yields" das dívidas soberanas e fazendo soar os alarmes de risco. Para travar a possibilidade de crise, a autoridade monetária vai avançar com uma nova ferramenta anti fragmentação.

O banco central manteve assim a porta aberta para mais subida das taxas de juro diretoras, conforme já tinha feito na última reunião a 9 de junho. "Nas próximas reuniões do Conselho do BCE, será apropriada uma nova normalização das taxas de juro. A antecipação, hoje decidida, da saída de taxas de juro negativas permite ao Conselho do BCE efetuar a transição para uma abordagem reunião a reunião nas decisões sobre as taxas de juro", explica.

"A futura trajetória das taxas de juro diretoras definida pelo Conselho do BCE continuará a depender dos dados e ajudará a cumprir o objetivo de inflação de 2% a médio prazo", acrescenta o BCE.

É expectável que "a inflação se mantenha indesejavelmente elevada por mais algum tempo", frisa Lagarde

"[É expectável] que a inflação se mantenha indesejavelmente elevada por mais algum tempo", avançou Christine Lagarde, ressalvando que a longo prazo o BCE espere que a inflação se alinhe com a meta da autoridade monetária.

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