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Três rostos vão esta sexta-feira a votos: Tomás Correia, Ribeiro Mendes e António Godinho.
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Os associados do Montepio decidem esta sexta-feira a quem entregam a gestão da associação mutualista, numa altura em que persistem dúvidas sobre a situação financeira da instituição e quando se prepara a alteração da supervisão para a Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). São três os candidatos na corrida: Tomás Correia, presidente há 12 anos, Ribeiro Mendes, administrador dissidente da atual gestão, e António Godinho, empresário e recandidato.
Tomás Correia, da lista A, garante que a mutualista está "bem capitalizada" e diz que se recandidatou para contribuir "para reforçar a confiança na totalidade do Grupo Montepio", lembrando o "futuro de grande exigência" que se impõe com a nova supervisão. Tomás Correia, que é visado em vários processos do Banco de Portugal e do Ministério Público, diz que "aguarda com serenidade" o curso das investigações.
Ribeiro Mendes, da lista B, quer contrariar "o atual ciclo de declínio da maior mutualidade portuguesa" e afastar "os desvarios de uma gestão aventureira" que levaram à "muito preocupante" situação financeira".
A verdadeira saúde financeira da mutualista é também a preocupação de António Godinho, da lista C, que quer pedir uma auditoria financeira à instituição se for eleito. Outra das bandeiras que apregoa é a da transparência, sublinhando a necessidade de levar a cabo uma "moralização imediata das remunerações, mordomias e privilégios da administração".
Os salários da gestão têm sido um dos pontos de batalha dos candidatos, sendo que há dois que são beneficiários diretos dos elevados valores pagos: Tomás Correia recebe 30 mil euros/mês e Ribeiro Mendes 24 mil euros/mês. Se a tabela salarial não se alterar, o próximo presidente ganhará 400 mil euros anuais.
SAIBA MAIS
1840
O então Monte Pio dos Empregados Públicos foi fundado em 1840 por um grupo de funcionários públicos liderados por Francisco Alves Botelho.
Universo
O Montepio tem cerca de 600 mil associados, mas só 460 mil têm direito de voto. Muitos já votaram por correio.
Banco impôs regras para evitar cacique
Carlos Tavares, presidente da Caixa Económica, banco de que a mutualista é dona, fixou regras para evitar que os trabalhadores apelem ao voto em qualquer uma das listas ou participem em ações, ameaçando com sanções.
Créditos fiscais ‘fintaram’ prejuízos
As contas de 2017 iam diretas para um prejuízo de 221 milhões e foram salvas pela contabilidade: a mutualista abriu mão da isenção de IRC, registou ativos por impostos diferidos de 808,5 milhões e teve um lucro de 587,5 milhões.
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