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Dívida pública afunda mais de 5 mil milhões após recorde

Após cinco meses sempre a subir, a dívida pública desceu fortemente em junho. No semestre aumentou mais de 2 mil milhões de euros.

01 de agosto de 2019 às 11:02

O montante da dívida pública portuguesa registou uma forte queda em junho, anulando grande parte das subidas acumuladas nos primeiros cinco meses do ano.

De acordo com o Banco de Portugal, a dívida pública na ótica de Maastricht, a que interessa a Bruxelas, desceu para 246,933 mil milhões de euros. A este valor corresponde uma queda acima de 5 mil milhões de euros, face ao nível recorde de maio de 252,4 mil milhões de euros, que correspondia ao nível mais alto de sempre em termos nominais.

Na nota publicada no seu site, o Banco de Portugal explica que esta "para esta diminuição contribuiu essencialmente a redução dos títulos de dívida".

No que diz respeito à chamada "almofada financeira", a redução foi de montante muito semelhante, pelo que toda a redução da dívida pública foi também refletida nos depósitos do Estado. Isto porque o tesouro terá recorrido à almofada para reembolsar os investidores devido ao fim da maturidade de uma linha de obrigações.  

"Os ativos em depósitos das administrações públicas diminuíram 5,7 mil milhões de euros, pelo que a dívida pública líquida de depósitos registou um aumento de 0,1 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, totalizando 229,5 mil milhões de euros", refere o Banco de Portugal.

Apesar de junho ser um mês de final de trimestre, ainda não se conhece o PIB do segundo trimestre, pelo que não é possível ainda calcular o peso do endividamento na economia. No primeiro trimestre a dívida pública estava em 123% do PIB, pelo que este rácio terá chegado a junho em níveis inferiores, uma vez que a dívida baixou cerca de 3,5 mil milhões de euros e o PIB terá crescido.

A meta do Governo passa por baixar o rácio da dívida pública dos 121,5% em 2018 para os 118,6% em 2019. Este é o indicador a que estão atentos tanto os mercados como as agência de rating.

Recorde-se que, normalmente, há uma concentração da maior parte das idas ao mercado por parte do IGCP no início do ano para fazer face às necessidades de financiamento das administrações públicas, o que resulta em maiores aumentos do valor absoluto da dívida pública na primeira parte de cada ano.Além disso, enquanto as administrações públicas registarem défice orçamental, a dívida pública baterá sempre recordes. O ministro das Finanças, Mário Centeno, prevê que isso deixe de acontecer a partir do próximo ano. Portugal tem "condições, a partir de 2020, para que o nível de dívida nominalmente, e não só em percentagem do PIB, se reduza", disse, em abril, à Reuters.

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