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Correio da Manhã

Economia
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Domingues prefere sair da Caixa a mostrar rendimentos

Ministério das Finanças anuncia renúncia da liderança do banco público e diz que vai escolher substituto para aplicar plano de recapitalização.
António Sérgio Azenha,Bruno de Castro Ferreira e José Rodrigues 28 de Novembro de 2016 às 01:45
António Domingues
António Domingues FOTO: João Relvas/Lusa
Terminou o impasse sobre a entrega das declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional (TC). António Domingues demitiu-se do cargo de presidente do Conselho de Administração da CGD. E não foi sozinho. Ao que o CM apurou, outros quatro gestores seguiram-lhe o exemplo e estão de saída do banco público.

Em comunicado, enviado este domingo à noite, o Ministério das Finanças diz lamentar a decisão e esclarece que "a renúncia só produzirá efeitos no final do mês de dezembro". Na mesma nota oficial, o Governo explica que "será designada, para apreciação por parte do Single Supervisory Mechanism [Mecanismo Único de Supervisão], uma personalidade para o exercício de funções como presidente do Conselho de Administração da CGD, que dê continuidade aos planos de negócios e de recapitalização".

O ministério de Mário Centeno não esclarece as razões da renúncia. O CM sabe que o pedido já tinha sido entregue na sexta-feira, um dia depois da aprovação na Assembleia, com os votos do PSD, CDS e BE, de um diploma que obrigava a administração da Caixa a entregar as declarações no TC. Ontem, no comentário na SIC, Marques Mendes, conselheiro de Estado, afirmou que Domingues bateu com a porta porque se "sentiu ofendido" com a aprovação desse diploma no Parlamento.

Domingues já tinha manifestado, na semana passada, vontade de sair. Para isso terá contribuído a falta de apoio de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, que defenderam publicamente a necessidade de entrega das declarações no TC.

Além de António Domingues, segundo apurou o CM, terão também renunciado aos cargos quatro administradores, entre os quais um executivo (Emídio Pinheiro) e dois não executivos de estrangeiros (Angel Corcóstegui Guraya e Herbert Walter).

Poderão ainda ficar por resolver eventuais questões de indemnização. O presidente da CGD tem um salário de 423 mil de euros por ano e os administradores executivos, 337 mil euros ano.
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