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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Estado vende energia solar flutuante em sete barragens

Leilão com ganhos para os consumidores de eletricidade na ordem dos 114 milhões de euros a 15 anos.

05 de abril de 2022 às 21:37

Portugal bateu um novo recorde ao registar o mais baixo preço de energia mundial, decorrente do leilão de energia solar flutuante, que prevê a instalação de painéis solares nas albufeiras de sete barragens.

"No leilão eletrónico realizado foram atribuídos 183 megawatts (MW), dos quais cerca de 56% foram adjudicados na modalidade de Contrato por Diferenças (103 MW) e os restantes por Compensação ao Sistema Elétrico Nacional (80 MW)", divulgou o Ministério do Ambiente e da Ação Climática, ao que acrescentou: "nesta última modalidade, existiram dois lotes com preço fixo. Um lote com preço de 41,03 €/MWh e outro, que será a tarifa mais baixa do mundo, no valor de -4,13 €/ MWh (equivalente a um desconto de 110 % à tarifa de referência fixada inicialmente pelo Governo). Esta tarifa é cerca de 137% inferior à tarifa mais baixa obtida no leilão solar de 2020, considerada à data a mais baixa do mundo (11,14 €/ MWh)".

Os quatro restantes lotes foram atribuídos na modalidade de Compensação ao Sistema Elétrico Nacional.

A capacidade total disponibilizada, neste primeiro leilão solar flutuante, foi de 263 MVA (megavolt-ampere) nas albufeiras de Alqueva, Castelo de Bode, Cabril, Alto Rabagão, Paradela, Salamonde e Vilar-Tabuaço.

A empresa EDP Renewables, SGPS, S.A. liderou em termos de capacidade adjudicada (total de 70 MW), ao passo que a Finerge, S.A. somou três lotes.

"Concluída esta fase do leilão, registam-se ganhos para os consumidores de eletricidade na ordem dos 114 milhões de euros a 15 anos, o que equivale a cerca de 7,6 milhões de euros/ ano. Este valor corresponde a um ganho unitário de cerca de 620 mil euros por cada MW adjudicado (15 anos)", avançou fonte do Governo.

Na modalidade de Compensação ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) obteve-se uma contribuição média ponderada de aproximadamente 47,4 mil euros por MW/ ano, o que se traduz numa receita fixa e garantida para o SEN na ordem dos 4 milhões de euros/ano.

No lote que apenas teve um licitante e segundo o Programa do Procedimento do leilão, o concorrente dispõe de um prazo de cinco dias úteis para fazer uma oferta de licitação melhorada. Caso esta oferta corresponda a um valor igual ou superior ao Valor Atual Líquido médio ponderado das ofertas adjudicadas para os diversos lotes submetidos a leilão, a Direção-Geral de Energia e Geologia deve atribuir ao concorrente o volume de capacidade de injeção indicado na sua oferta para o lote em causa.

Estes resultados preliminares encontram-se em período de audiência prévia dos interessados após o qual serão finais, podendo ainda ser acrescido o lote 2 (Castelo de Bode com 50 MW disponíveis) do concorrente único.

Segundo nota do ministério do Ambiente da Ação Climática "este é mais um passo na intensificação do aproveitamento dos recursos solares nacionais e na consolidação da aposta de fontes renováveis, que permitem reduzir a fatura energética, assim como diminuir a dependência energética de fontes não renováveis".

É meta do Governo, "Portugal continuar a cumprir os objetivos traçados de Transição Energética e da descarbonização da economia e da sociedade portuguesas".

No leilão Eletrónico, a Finerge, produtora de energia renovável, venceu três lotes que correspondem às albufeiras de Paradela, Salamonde e Vilar-Tabuaço.

"A Finerge acaba de vencer três lotes no leilão do solar flutuante em Portugal, que decorreu a 04 de abril de 2022", indicou, em comunicado, esta terça-feira, a empresa.

Segundo a empresa, os lotes cinco, seis e sete correspondem, respetivamente, às albufeiras de Paradela (13 megawatts -MW), Salamonde (8 MW) e Vilar-Tabuaço (17 MW).

A empresa precisou ainda que o lote do Tabuaço foi o mais disputado, com 24 rondas, e o último a ficar concluído.

"Esta é a primeira vez que a Finerge garante algum lote num leilão de solar, na terceira participação que faz. Esta conquista reflete a nossa aposta na área do desenvolvimento e inovação, para a qual criámos um departamento autónomo em 2020, focado na inovação e tecnologia, nomeadamente na área de armazenamento e solar flutuante", afirmou, em comunicado, o presidente executivo da Finerge, Pedro Norton.

A Endesa também anunciou, esta terça-feira, ter ganho o direito de ligação dos 42 MW leiloados na barragem do Alto Rabagão (Montalegre) para a instalação de um projeto de energia solar fotovoltaica flutuante com investimento de 115 milhões de euros.

Já a EDP, através da subsidiária EDP Renováveis, obteve o direito de ligação à rede de eletricidade para uma capacidade de 70 MVA (MegavoltAmpere) no Alqueva. 

O Governo decidiu leiloar a exploração de 263 MW de energia solar. Segundo um despacho, na região hidrográfica do Tejo, serão leiloados, 50 MW em Castelo de Bode e 33 MW no Cabril.

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