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Correio da Manhã

Economia
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FISCO FECHA PORTAS DIA 20

O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos não percebe como pode o Governo anunciar ser sua intenção combater a evasão e a fraude fiscal quando, em simultâneo, "adopta políticas conducentes ao despedimento de trabalhadores da administração fiscal". Por este e por um vasto conjunto de razões, o sindicato anunciou ontem a paralisação das repartições de finanças no próximo dia 20.
12 de Junho de 2002 às 22:34
Trabalhadores das Finanças deverão ficar em casa dia 20
Trabalhadores das Finanças deverão ficar em casa dia 20
De acordo com o presidente do STI, José Medeiros, a estratégia do Governo para reduzir trabalhadores na Administração Pública "vai provocar o despedimento de cerca de 700 estagiários da administração fiscal, técnicos estes que já concluíram o exame de estágio e se encontram a trabalhar há mais de dois anos".


Ao contar ainda com a inclusão destes 700 estagiários, o STI socorre-se dos números da Direcção Geral das Contribuições e Impostos para defender a existência de "um défice de 1200 funcionários no universo das repartições de finanças nacionais".


Em conferência de imprensa realizada ontem em Lisboa, os sindicalistas tentaram desmontar o que consideram ser um discurso "demagógico" e "hipócrita" por parte do Governo. "Como é possível dizer que se pretende aumentar a receita fiscal e combater a fuga e a fraude quando se despedem funcionários e se desinveste em recursos informáticos?", interroga-se José Medeiros, para, com ironia, salientar o facto do Programa do Governo "ter zero linhas dedicadas a estas matérias".


Embora também pretendam, com a greve do dia 20, "prestar solidariedade com todos os trabalhadores da Administração Pública afectados pelas medidas do Governo", os sindicalistas salientam a “necessidade urgente de reforço de investimentos" na máquina fiscal.


O bom funcionamento da administração fiscal "depende dos investimentos em equipamento informático e instalações, da possibilidade de cruzamento de informação entre Finanças, Segurança Social e Ministério da Justiça e da motivação dos trabalhadores por via da progressão na carreira", resume José Medeiros.
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