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Guerra reduz crescimento e eleva inflação em Portugal

Banco central vê economia a crescer abaixo dos 2% este ano e inflação a disparar com o aumento dos preços da energia.

26 de março de 2026 às 01:30

O Banco de Portugal reduziu a estimativa de crescimento da economia portuguesa este ano para 1,8% devido à guerra no Irão, ao mesmo tempo que vê a inflação a subir para 2,8%. O “aumento do preço dos bens energéticos” e a “expectativa de agravamento das condições de financiamento”, em resultado do conflito no Médio Oriente, são razões apontadas pela instituição para rever em baixa o avanço do PIB em 0,5 pontos percentuais, face ao Boletim Económico de dezembro.

“O preço do petróleo constitui um canal de transmissão relevante do choque geopolítico à economia, sendo a sua evolução futura uma fonte de incerteza para a projeção”, destaca o banco central no boletim de março. Segundo a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira, “a subida abrupta e significativa dos preços das matérias-primas energéticas tem um impacto negativo na atividade [económica] e positivo na inflação, sobretudo em 2026”. No caso de “um aumento mais pronunciado ou permanente do preço do petróleo”, o banco central antecipa uma redução do poder de compra das famílias e o aumento dos custos de produção das empresas, “com efeitos negativos sobre o consumo e o investimento”.

Neste quadro mais adverso, para que também contribuem os danos causados pelas tempestades ocorridas em Portugal entre o final de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro, continuam a sustentar o crescimento do PIB fatores como “a solidez do mercado de trabalho, o ímpeto associado ao PRR e a orientação expansionista da política orçamental”.

Por outro lado, “em 2027 e 2028 a atividade [económica] será condicionada pelo abrandamento da oferta de trabalho” - nomeadamente com a redução dos fluxos migratórios - e pela “diminuição dos fundos europeus”, refere a instituição. A procura interna “deverá manter-se como principal motor do crescimento da economia” portuguesa, que segundo estas projeções irá continuar a “crescer acima da média da área do euro, ainda que o diferencial se vá estreitando” até 2028.

Atendendo ao “aumento rápido, mas temporário, do preço dos bens energéticos” e à sua “transmissão desfasada aos preços dos outros bens e serviços”, o Banco de Portugal antevê que a inflação seja mais alta durante um ano, regressando a valores próximos dos 2% em meados de 2027. Ainda de acordo com o banco central, “a intensificação ou o prolongamento das hostilidades [no Médio Oriente] teria um impacto mais significativo nos preços e na atividade”.

Na quarta-feira, no Parlamento, o PS criticou o Governo por recusar repor o IVA Zero nos alimentos essenciais, enquanto o PCP pediu a fixação do preço da botija de gás em 20 euros e a generalização do acesso às tarifas reguladas de eletricidade e gás natural. Já o Governo admitiu ajustar a resposta à subida dos preços "se a situação se prolongar".

GASÓLEO AGRÍCOLA

O Governo deve aprovar esta semana uma redução de 10 cêntimos no gasóleo agrícola, para os produtores florestais e pescadores, face ao aumento do preço dos combustíveis. “O objetivo é, em relação à semana de referência, baixar 10 cêntimos sempre que o aumento seja superior a esse montante”, detalhou o ministro José Manuel Fernandes.

Distribuição alimentar

A Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares defendeu a baixa do IVA sobre o gasóleo e a energia elétrica e da carga fiscal sobre o gás.

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