Certificados deverão voltar a render juros de 2,5% "entre o final do verão e o início do outono". Deco Proteste ressalva que há depósitos que compensam mais para montantes elevados.
Os Certificados de Aforro deverão voltar a remunerar à taxa-base máxima permitida por lei na atual série F (2,5%) nos próximos meses. Ouvido pelo Correio da Manhã, António Ribeiro, analista financeiro da Deco Proteste, antecipa que a remuneração-base do aforro “poderá chegar aos 2,5% depois do verão ou no início do outono”, acompanhando a expectativa de uma provável subida das taxas diretoras pelo Banco Central Europeu (BCE). “Não sabemos a evolução da Euribor nos próximos meses, mas se a pressão inflacionista continuar, como esperamos, também nos parece provável que exista mais alguma subida da taxa diretora do BCE”, sinaliza o especialista.
A nova subida dos juros diretores pelo BCE deverá ocorrer “entre o final do verão e o início do outono e até lá a Euribor [indexante usado para calcular a remuneração-base dos certificados] poderá ainda subir um pouco mais, antecipando essa subida, chegando aos 2,5%.” Este mês, a taxa de juro dos Certificados de Aforro está nos 2,356%, a remuneração mais alta em mais de um ano. No entanto, António Ribeiro alerta que, “em termos líquidos, rendem 1,7%, muito abaixo da inflação esperada para este ano, que agora subiu para 3,1%, segundo a estimativa do Banco de Portugal”.
A Deco Proteste listou recentemente cerca de 40 depósitos com uma taxa superior à dos Certificados de Aforro, mas admite que os depósitos, que são tradicionalmente o instrumento de poupança mais popular, têm outras condicionantes. “Alguns desses depósitos podem exigir montantes elevados e não permitem reforços, não sendo comparáveis aos Certificados de Aforro no que diz respeito à flexibilidade”, refere o analista. “O mínimo de subscrição e reforços muitos baixos (100 e 10 euros, respetivamente), a possibilidade de resgate a qualquer momento após os primeiros três meses e a capitalização trimestral dos juros” são vantagens que a Deco Proteste realça nos certificados, que oferecem ainda prémios de permanência. “Quem tem um montante elevado (mais de 5000 euros, por exemplo), consegue no mercado um depósito com rendimento superior”, afirma o analista.
Depósitos a prazo reúnem preferência
A remuneração dos certificados de aforro cresce há já quatro meses consecutivos e este contexto alimentou o apetite por este produto do Estado, em que as famílias têm 42,5 mil milhões de euros aplicados. No entanto, os depósitos a prazo - que no mês de maio rendiam, em média, 1,48% de juros - continuam a ser o instrumento mais popular, com cerca de 203 mil milhões de euros aplicados.
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