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Correio da Manhã

Economia
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Salários em Portugal sobem abaixo da média da UE

Custos do trabalho no país cresceram apenas 1,2% no segundo trimestre deste ano.
Diana Ramos 15 de Setembro de 2018 às 01:30
Trabalhadores FOTO: Luís Vieira
Portugal é o quarto país da União Europeia (UE) onde os custos com o trabalho - um indicador onde também são contabilizados os salários - menos subiram. Segundo dados do Eurostat, o gabinete de estatística da UE, entre março e junho deste ano, os encargos com vencimentos no País cresceram apenas 1,2% face ao mesmo período do ano anterior.

Atrás de Portugal, só três países apresentam um pior desempenho: o Luxemburgo teve a menor subida da UE, com os custos por hora trabalhada a aumentarem 0,6%; seguem-se-lhe a Espanha, com um acréscimo de 0,7%, e a Holanda, onde este indicador cresceu 0,9%. A comparação é sempre feita em termos homólogos.

O indicador usado pelo gabinete de estatística europeu é composto por duas componentes: de um lado é contabilizada a evolução dos salários dos trabalhadores e, do outro lado, a componente não salarial, onde se incluem por exemplo os descontos das empresas para a Segurança Social. No que toca a Portugal, os salários cresceram 1,4% no segundo trimestre deste ano, valor que também ele fica na parte de baixo da tabela dos acréscimos de vencimento registados nos 28 países da UE. Na Irlanda, por exemplo, essa variável cresceu 3,3% e na Grécia aumentou 3,4%. Já quanto à componente não salarial, Portugal registou um acréscimo de 2,1% de março a junho. Aliás, essa foi a parcela que mais pesou no aumento dos custos de trabalho no País. O que significa que, na prática, o aumento dos salários em pouco contribuiu para o crescimento do indicador salarial de Portugal no seio dos 28 países europeus.

Olhando para os primeiros três meses deste ano, os números foram ainda piores: o custo do trabalho reduziu-se em 1,3%, sobretudo porque a componente salarial do indicador caiu, também ela, 13%. Portugal foi, aliás, o único País em que tal ocorreu, mostram os dados divulgados pelo Eurostat.

Por setores, a nível europeu, a indústria viu os custos laborais aumentarem 2,2%, a construção registou um acréscimo de 2,7% e os serviços 2,5%.

PORMENORES
Média europeia
Os custos por hora trabalhada entre os 28 países da UE cresceram 2,2% no segundo trimestre, face ao período homólogo de 2017. No que toca à zona Euro, o acréscimo é de 2,6%.

Salários na zona Euro
Na zona Euro, a componente que mede a evolução dos salários teve uma subida de 1,9%. Portugal está abaixo da média.

Efeito da mexida nos escalões de IRS só se vai sentir em 2019
A introdução de dois novos escalões de IRS, em 2018, terá sobretudo efeitos na entrega do IRS do próximo ano, altura em que serão feitos os acertos face à tributação mensal de cada agregado. Assim, na prática, os salários pouco ganharam com o alívio fiscal.

Salário de 21 mil euros fica pela metade
Um estudo do Instituto  Molinari mostra que um salário bruto anual de 21 mil euros em Portugal acaba, depois de impostos e descontos, quase pela metade: 12 mil euros líquidos.Mais de 4 mil euros são a parte que o empregador paga à Segurança Social.
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