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Correio da Manhã

Economia
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Têxtil sem 12 mil empregos

Portugal perdeu, no ano de 2005, cerca de doze mil empregos no sector têxtil, oito mil dos quais na região do Vale do Ave.
13 de Janeiro de 2006 às 00:00
Mais do que a concorrência chinesa, são os próprios empresários nacionais que cortam no emprego
Mais do que a concorrência chinesa, são os próprios empresários nacionais que cortam no emprego FOTO: Baía Reis
As contas são da União dos Sindicatos de Braga (USB) que, no ano passado viu o número de desempregados no distrito passar de 41 862 para 51 401 (mais 9539), assegurando que “oitenta por cento” são do sector têxtil. Um sector que emprega cerca de 180 mil trabalhadores, 90 mil dos quais no Vale do Ave.
Adão Mendes, coordenador da USB, disse ao Correio da Manhã que “o esvaziamento de algumas das grandes empresas é, mais do que a concorrência chinesa ou as falências, a razão fundamental para este colapso do emprego no têxtil”.
“É certo que muitas empresas foram à falência, mas o grande problema é o que se passa nas fábricas maiores, como a Riopele, a Têxtil Manuel Teixeira, a Coelima ou a Lameirinho, que este ano devem ter diminuído os seus quadros em mais de 1500 pessoas”, disse Adão Mendes.
Mas no ano que passou houve também mais falências do que a média verificada nos anos anteriores. Das quase duas centenas de fábricas que fecharam as portas nos concelhos de Guimarães, Famalicão, Vizela, Fafe e Santo Tirso, destacam-se a Empresa Industrial de Pevidém, que tinha 500 trabalhadores, a Têxteis Tarf, com outros tantos, a Sampaio e Ferreira, que chegou a ter mais de mil funcionários, e muitas outras.
Um dos casos mais mediáticos foi o de uma têxtil do Parque Industrial de S. João de Ponte, no concelho de Guimarães, que deu lugar a uma pista de gelo. Há ainda uma fábrica em Polvoreira, também no concelho de Guimarães, que vai dar lugar a um hipermercado.
"VAMOS TER UM CHOQUE SOCIAL"
As consequências deste aumento do desemprego só vão sentir-se no próximo ano, quando o fundo do desemprego terminar.
“Destas oito mil pessoas que este ano, na região do Ave, perderam o emprego na têxtil, quase metade têm mais de 50 anos de idade. Quando o fundo de desemprego acabar e, devido à idade, não conseguirem arranjar trabalho, é que as coisas vão complicar-se”, disse Adão Mendes, temendo que estejamos à beira de “um autêntico choque social”.
Segundo este responsável sindical, que acompanha a situação no Vale do Ave, há mais de 30 anos, “está em marcha na região uma autêntica operação de emagrecimento dos quadros das empresas, em que os trabalhadores são encostados à parede, com duas soluções: a falência da fábrica ou a rescisão do contrato, com indemnização e subsídio de desemprego”.
O DRAMA CONTINUA
O PESO DO SECTOR
O têxtil representa 63 por cento da área produtiva do distrito de Braga e, no Vale do Ave, absorve 90 por cento do mercado de trabalho. Não é por acaso que em algumas zonas as pessoas ou trabalham no têxtil ou estão no desemprego.
AMAVE PREOCUPADA
A questão do desemprego ocupa este ano lugar de destaque no plano de actividades da Associação de Municípios do Vale do Ave. O presidente, Castro Fernandes, diz que “é preciso apoiar a instalação de outras indústrias para além do têxtil”.
OUTRO DRAMA
Depois do encerramento da Lear, que no ano passado lançou 800 pessoas no desemprego, o concelho da Póvoa de Lanhoso pode viver um novo drama social. É que a fábrica da Filobranca do concelho, com mais de 400 trabalhadores, pode fechar as portas este ano.
MAIS MANIFESTAÇÕES
O Sindicato Têxtil está a preparar uma série de manifestações e outras acções de luta, contra o fim do têxtil, a começar já em Fevereiro.
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