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300 mil dólares por ano

Cerca de 300 mil dólares anuais (quase 240 mil euros ao câmbio actual) é quanto o ex-primeiro-ministro português, António Guterres, vai auferir de salário como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A informação foi avançada ao CM pelos serviços de Imprensa do ACNUR, em Genebra, na Suíça.
25 de Maio de 2005 às 13:00
Fonte próxima de António Guterres garantiu ao CM que “ele nem sabe quanto vai ganhar”, tendo o primeiro-ministro concorrido ao cargo por considerar poder “desempenhar um papel útil no problema dos refugiados” (cerca de 17 milhões em todo o mundo). Atendendo a que o ACNUR tem mais de seis mil funcionários, distribuídos por 115 países, e gere um orçamento de mil milhões de dólares (cerca de 800 milhões de euros), o salário de Guterres fica aquém de um gestor português de uma empresa com os ditos seis mil funcionários.
O ex-governante português terá de escolher casa em Genebra (não há residência oficial), disporá de motorista oficial e a segurança é ‘sui generis’, assegurada pela polícia de Genebra, cidade internacionalizada, dada a quantidade de organizações ali sediadas.
António Guterres foi informado da escolha por alguém do gabinete do secretário-geral das Nações Unidas na segunda-feira de madrugada, pelas 02h00, quando se encontrava em Israel. Com a chegada a Portugal prevista para as 23h00 de ontem, Guterres já teve ocasião de comentar a sua nomeação com o Presidente da República, Jorge Sampaio, e com o primeiro-ministro, José Sócrates, os seus antecessor e sucessor, respectivamente, no cargo de secretário-geral do PS.
Sucedendo ao holandês Ruud Lubbers (também ele ex-chefe de governo), o ex-primeiro-ministro português será o 10.º ACNUR, desde que o cargo foi criado em 1951, e terá um mandato de seis anos.
O cargo é, segundo afirmou ao CM o embaixador Costa Pereira da Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas em Genebra, “importante para o prestígio do País”, sendo “seguramente um dos quatro ou cinco cargos mais importantes em Genebra, cidade onde têm sede a Organização Mundial de Saúde, a Organização Mundial do Comércio, a Organização Internacional do Trabalho e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Importante no xadrez negocial terá sido o papel de Londres, no limar das arestas oferecidas pelas resistências de Washington (Estados Unidos) à escolha do antigoprimeiro-ministro português, segundo adiantou ao CM fonte do PS próxima de António Guterres.
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