Militares do Destacamento de Trânsito da GNR de Aveiro já concluíram que o BMW série 6 conduzido por Angélico tinha pneus desadequados ao modelo.
O objectivo do inquérito ao acidente de viação levou à morte de Angélico Vieira e Hélio Van Dunen, no dia 25 de Junho, na A1, perto de Aveiro, é identificar o autor ou autores do homicídio por negligência dos dois jovens. Tutelado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro, o inquérito da GNR já concluiu que o BMW série 6 conduzido pelo cantor de 28 anos seguia com pneus desadequados, o que potenciou o despiste fatal.
O CM sabe que o inquérito está nas mãos de uma procuradora colocada no Ministério Público de Estarreja, Aveiro. Trata-se de uma magistrada com inúmeras investigações de acidentes com mortos no currículo. No terreno, uma equipa do Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação (NICAV) da GNR de Aveiro, coordenada por um cabo, desdobra-se em diligências. Hugo Pinto, disc-jockey amigo de Angélico, e único passageiro que escapou quase ileso, já foi interrogado. O semanário ‘Sol' disse ontem que Augusto Fernandes, dono da viatura, foi interrogado na quarta-feira.
O automóvel já foi minuciosamente peritado, concluindo os militares do NICAV de Aveiro que o BMW não circulava com o pneus de origem. Os pneumáticos que a viatura trazia não , as condições para o acidente.
Fontes policiais disseram ao CM ser real a possibilidade de se identificarem procedimentos negligentes na manutenção mecânica do BMW, não descartando a possibilidade da dedução de acusações por homicídio por negligência.
AUGUSTO COMPROU BMW A TRAFICANTES
Augusto Fernandes, dono do stand Auguscar, na Póvoa de Varzim, terá adquirido o BMW série 6 cabriolé a um homem que já cumpriu pena de prisão por roubo e tráfico de droga. De acordo com o semanário ‘Sol', o veículo, comprado em 2009 na Alemanha, teria sido alvo de um violento acidente nas mãos do primeiro dono. "Quando
o adquiri, já reparado, soube logo desse acidente, que não foi nada de especial. O carro estava em plenas condições", disse Augusto.
Confrontado com o facto de o antigo dono ter sido um traficante, o empresário da Póvoa respondeu com uma pergunta: "Que importância tem para o caso a quem o comprei? O que se passou é que o Angélico ia em excesso de velocidade e não só."
CARRO FALHO INSPECÇÃO
Paulo César Jesus Silva, o primeiro dono do BMW que levou Angélico Vieira, de 28 anos, à morte, já cumpriu penas de prisão por roubo, sequestro e tráfico. Durante vários anos, viveu num dos mais problemáticos bairro do Porto: o Cerco. Mudou-se posteriormente para Lavra, Matosinhos, e após um acidente em Vila do Conde resolveu ser ele a reparar o carro, o qual falhou a inspecção. De acordo com a GNR, o veículo também precisava de uns pneus run-flat.
PNEUS QUE RODAM MESMO APÓS FURAR
A tecnologia run-flat equipa todos os pneus dos BMW de gama alta. Em caso de furo, a tecnologia permite que o automóvel continue a circular, desde que a velocidade igual ou inferior a 80 km/h, evitando o despiste. O BMW em que Angélico Vieira morreu a 25 de Junho não tinha estes pneus. Segundo o ‘Sol', o primeiro proprietário da viatura foi Paulo César Jesus Silva, um cadastrado com cadeia cumprida que o mandou vir da Alemanha em Abril de 2009, pagando 90 mil euros. Três meses depois, a viatura ficaria com a parte frontal destruída num acidente. Paulo Silva pagou 35 mil euros pelo arranjo, mas viria a vender o carro, que foi parar às mãos de Augusto Fernandes, empresário que o emprestou a Angélico na noite fatal de 25 de Junho.
FAMÍLIA PROTEGE MÃE DE ANGÉLICO
O Correio da Manhã falou ontem com a mãe de Angélico, mas Filomena Vieira apenas disse: "Não sei de nada, estou alheada de tudo, nem sequer me sinto em condições para falar."
Muitas são as pessoas - entre clientes, amigos, vizinhos e conhecidos - que diariamente se deslocam ao cabeleireiro de Filomena Vieira, no Laranjeiro, Almada, para saber "como está a D. Mena", como é carinhosamente conhecida e tratada a mãe de Angélico Vieira.
Filomena Vieira deu instruções aos funcionários para que gerissem o cabeleireiro durante a sua ausência e que esta nunca seria inferior a dois meses. Os tios de Angélico tomaram a seu cargo a responsabilidade de acompanhamento da irmã. "Ela está arrasada. Está sob efeito de comprimidos e com um rigoroso acompanhamento psicológico", são as notícias que os irmãos de Filomena têm transmitido aos clientes que perguntam por D. Mena. "É compreensível. Perder um filho desta maneira", lamentam.
CHOQUE NA A25 REFORÇOU NICAV
O megachoque em cadeia ocorrido em Agosto de 2010, no cruzamento de Talhadas, Sever do Vouga, na A25, distrito de Aveiro, levou o comando local da GNR a reforçar a componente de investigação dos destacamentos de trânsito da zona. Desde essa altura que os vários Núcleos de Investigação Criminal de Acidentes de Viação (NICAV) que operam na zona foram reforçados com mais elementos vindos de outros comandos da área, como do Porto ou de Braga.
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