7 de Setembro de 2007. Kate McCann entrou na Polícia Judiciária de Portimão pela manhã e o interrogatório estendeu-se até à noite. Foi ouvida na qualidade de testemunha, mas a tensão no ar era evidente. Pela primeira vez, populares concentravam-se à porta das instalações da PJ e murmuravam palavras de desconfiança face ao casal.<br/><br/>
Nesse dia o CM noticiara que os cães tinham detectado odor de cadáver na roupa da mãe de Maddie. Uma prova que as autoridades pretendiam usar como trunfo, numa inquirição que só no dia seguinte mudou de rumo, depois de a PJ não ver esclarecidas as suas dúvidas.
Kate começou por responder a todas as perguntas, mas ao ser constituída arguida deixou de falar. Remeteu-se ao silêncio, na companhia do advogado, e aceitou provocatoriamente todas as insinuações. Menos de 48 horas depois, Kate e Gerry viajam para Inglaterra com os gémeos, deixando para trás a investigação ao desaparecimento da filha, que entretanto já fizera quatro anos.
Garantiram depois que voltariam se assim fosse necessário – o que nunca fizeram, embora formalmente não tivessem sido intimados a regressar – e já não são arguidos por suspeitas de envolvimento na ocultação do cadáver da criança. Hoje o CM revela-lhe as 48 perguntas a que Kate não quis responder no interrogatório e que reflectem as dúvidas dos investigadores. Mais de um ano depois de Maddie desaparecer, muitas destas perguntas continuam sem resposta.
APUPOS PARA O CASAL MCCANN
A ida de Kate e Gerry McCann às instalações da PJ de Portimão marcou uma viragem na relação dos populares com o casal: os curiosos que passaram o dia na rua apuparam a mãe e o pai de Maddie, criticando sobretudo a 'ausência de sofrimento visível' de Kate. Também a imprensa estrangeira marcou presença em grande número.
PROCESSO PASSA A SER PÚBLICO JÁ A PARTIR DE AMANHÃ
A partir de amanhã toda a investigação ao desaparecimento de Madeleine será disponibilizada aos arguidos, testemunhas, advogados e também jornalistas, por se tratar de um caso de manifesto interesse público.
O processo, que foi arquivado no dia 21 de Julho, será também acessível ao público em geral , situação que permitirá um autêntico escrutínio do trabalho realizado pela Polícia Judiciária. Esta decisão, que acabou por surpreender por se tratar de um caso envolvendo uma criança, só agora foi anunciada, depois de os advogados portugueses da família McCann, Carlos Pinto de Abreu e Rogério Alves, terem requerido ao Tribunal de Portimão prioridade no acesso aos autos.
Já na passada quarta-feira o tribunal tinha solicitado a todos os interessados que já tinham requerido anteriormente a consulta dos autos para deixarem um CD na secretaria, uma vez que o processo será fornecido em formato digital.
O arquivamento da investigação ao desaparecimento da menina, ocorrido a 3 de Maio de 2007, no Algarve, precipitou o levantamento do segredo de justiça, que tinha sido prolongado precisamente até ao mês de Agosto.
APONTAMENTOS DE KATE MCCANN
'Todos os polícias vestidos informalmente e a fumar. Não foi demonstrada simpatia. Foi longe de ser reconfortante.' - 4 de Maio
'Deixada mensagem a Gordon Brown para nos telefonar para aumentar a pressão política.' - 23 de Maio
'Como é que se atreve a insinuar que a nossa filha poderá estar em perigo por nossa causa?' - 17 de Junho
NOTAS
KATE: SENTADA SOBRE CAMA
A Polícia Judiciária perguntou a Kate se durante as buscas na noite do desaparecimento ficou sentada na cama de Maddie sem se mexer. Não obteve resposta.
PRESSÕES: GONÇALO AMARAL
O ex-coordenador do caso, Gonçalo Amaral, conta no livro ‘A Verdade da Mentira’ as pressões sofridas durante a investigação, confirmadas por Kate nos seus cadernos.
PORTIMÃO: JUDICIÁRIA
O processo centrou-se na Polícia Judiciária de Portimão. O interrogatório de 7 de Setembro obrigou a medidas especiais de segurança no exterior do edifício.
AS 48 PERGUNTAS DA JUDICIÁRIA ÀS QUAIS KATE NÃO RESPONDEU
1- No dia 3 de Maio de 2007, pelas 22h00, quando entrou no apartamento, o que viu, o que fez, onde procurou, o que manuseou?
2- Procurou dentro do armário do quarto do casal? (disse que não respondia)
3- (Exibidas duas fotografias do armário do seu quarto) Pode descrever o seu conteúdo?
4- Por que razão o cortinado por detrás do sofá defronte da janela lateral (cuja fotografia lhe foi exibida) está mexido? Alguém passou por detrás desse sofá?
5- Quanto tempo demorou a busca que fez no apartamento a seguir à detecção do desaparecimento da sua filha Madeleine?
6- Por que disse desde logo que Madeleine fora raptada?
7- Partindo da premissa de que a Maddie havia sido raptada, por que deixou os gémeos sozinhos em casa para ir ao Tapas para dar o alarme? Até porque o suposto raptor podia ainda estar no apartamento.
8- Por que não perguntou aos gémeos, naquele momento, o que havia acontecido à irmã ou por que não lhes perguntou mais tarde?
9- Quando deu o alarme no Tapas o que disse concretamente e quais as palavras?
10- O que aconteceu depois de dar o alarme no Tapas?
11- Por que foi avisar os seus amigos em vez de gritar da varanda?
12- Quem contactou as autoridades?
13- Quem participou nas buscas?
14- Alguém fora do grupo, nos minutos seguintes, ficou a saber do desaparecimento de Maddie?
15- Alguma vizinha lhe ofereceu ajuda após o desaparecimento?
16- O que significa a expressão 'we let her down'?
17- A Jane referiu-lhe ter visto um homem com uma criança naquela noite?
18- Como foram contactadas as autoridades e que força policial foi avisada?
19- Durante as buscas, e já com a presença policial, em que locais foi procurada Maddie, como e de que forma?
20- Por que é que os gémeos não acordaram durante essa busca ou quando foram para o piso superior?
21- Para quem telefonou após os factos?
22- Ligou para a SKY News?
23- Sabia do perigo de ligar para a Comunicação Social, porque isso podia influenciar o raptor?
24- Pediram a presença de um padre?
25- Qual o modo de divulgação do rosto de Madeleine, se fotografia, se outros?
26- É verdade que durante a busca ficou sentada na cama de Maddie sem se mexer?
27- Qual o seu comportamento naquela noite?
28- Conseguiu dormir?
29- Antes da viagem a Portugal fez algum comentário sobre um mau pressentimento ou um presságio?
30- Qual o comportamento de Madeleine?
31- Maddie sofria de alguma doença ou tomava medicação?
32- Qual o relacionamento de Madeleine com os irmãos?
33- Qual o relacionamento de Maddie com os irmãos, amigos e os colegas de escola?
34- Quanto à sua vida profissional, em quantos e em quais hospitais trabalhou?
35- Qual a sua especialidade médica?
36- Trabalhava por turnos, em urgências ou noutros serviços?
37- Trabalhava diariamente?
38- Em determinada altura deixou de trabalhar? Porquê?
39- Os filhos gémeos têm dificuldade de adormecer, são irrequietos e isso provoca-lhe intranquilidade?
40- É verdade que em certas alturas se sentia desesperada pela atitude dos filhos e que isso a deixava muito intranquila?
41- É verdade que em Inglaterra chegou a pensar entregar a guarda de Madeleine a um familiar?
42- Em Inglaterra, dava medicação aos filhos? Que tipo de medicação?
43- No auto foram-lhe exibidos filmes de inspecção cinotécnica, com carácter forense, onde se pode observar a marcação por parte destes relativamente a indicações de odor a cadáver humano e vestígios hemáticos também humanos e somente de carácter humano, bem como todos os comentários do perito responsável. Terminada a visualização, e após sinalização de odor de cadáver no seu quarto junto ao armário e por detrás do sofá encostado à janela da sala de estar, disse que não podia explicar nada mais do que já referira?
44- Também assinalado, pelo cão de detecção, sangue humano por detrás do sofá , disse que não podia explicar nada mais do que já referira
45- Assinalado o odor de cadáver proveniente da viatura que alugaram um mês depois do desaparecimento disse que não pode explicar nada mais do que já referiu?
46- Assinalado o sangue humano na mala do veículo disse que não pode explicar nada mais do que já referira?
47- Confrontada com o resultado da recolha de ADN de Maddie, cuja análise foi efectuada por um laboratório britânico, por detrás do sofá e da bagageira do veículo, disse que não pode explicar nada mais do que já referira?
48- Teve alguma responsabilidade ou intervenção no desaparecimento da filha?
Pergunta a que respondeu: Tem consciência de que o facto de não responder às perguntas põe em causa a investigação, a qual procura saber o que se passou com a sua filha? Disse que sim, se a investigação assim o pensa.
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