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Banca mantém apoio financeiro ao Sporting

Dívida financeira do grupo ronda os 300 milhões de euros. Um terço diz respeito ao estádio.
18 de Janeiro de 2011 às 00:30
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O BES e o BCP, os dois maiores credores do grupo Sporting, vão manter o apoio financeiro ao clube apesar da demissão de José Eduardo Bettencourt, o responsável pela concretização do plano de restruturação económica da SAD .

Contactadas pelo CM, fontes das duas instituições fizeram saber que nada vai mudar na relação que mantêm com o Sporting, sendo que defendem uma solução de continuidade, de forma que o plano de recuperação financeira gizado na presidência de Filipe Soares Franco possa continuar a ser cumprido dentro do acordado.

Actualmente, apurou o CM, o grupo Sporting apresenta um passivo financeiro (dívida à Banca) de aproximadamente 300 milhões de euros, sendo que 120 milhões dizem respeito à SAD e cerca de 110 milhões à EJA, a empresa que detém o Estádio José Alvalade.

Apesar de elevada, a dívida financeira foi significativamente reduzida nos últimos meses, após a concretização de várias operações, nomeadamente um aumento de capital de 18 milhões de euros e a emissão de 55 milhões de euros em VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em Acções), sendo que a Banca assumiu um papel preponderante. O BCP e o BES compraram, cada um, 27,4 milhões de euros de VMOC, contribuindo, novamente, para a injecção de capital na SAD. Além disso, nos últimos meses, o Sporting concretizou a integração da Sporting Comércio e Serviços na SAD, assim como a passagem da Academia Sporting para a Sociedade Anónima Desportiva.

Todas estas medidas permitiram reduzir substancialmente o passivo financeiro da SAD, que, agora, se cifra a níveis próximos do activo. Aqui, o destaque vai para o Estádio, para a Academia e para os jogadores.

CONSELHEIROS PEDEM ELEIÇÕES

Sousa Cintra e Rui Oliveira e Costa, ambos membros do Conselho Leonino, defendem que a demissão de Bettencourt deve levar a que os sócios escolham um novo presidente. "Defendo eleições antecipadas", começou por dizer Rui Oliveira e Costa. "Nenhum dos cinco vice-presidentes do Sporting [Nobre Guedes, Palha da Silva, Rogério de Brito, Júlio Rendeiro e Moniz Pereira] tem perfil para ser presidente do Sporting e penso que nem vontade têm. O melhor é ir para eleições, que, segundo os estatutos, serão em Março. É o momento ideal para que o novo presidente possa preparar a próxima época", argumentou. Sobre o novo presidente, caso haja eleições, defendeu: "Tem de ser uma pessoa com credibilidade pública e com capacidade de gestão", recusando-se a divulgar o seu candidato, embora diga que já o tem.

Sousa Cintra não fez segredo do nome que entende ser o ideal para assumir a presidência do clube. "Rogério Alves reúne o perfil. É a pessoa certa pelo carisma e credibilidade para suceder a Bettencourt", disse Cintra.

O Conselho Leonino reúne-se amanhã em Alvalade. Este órgão consultivo é constituído por 67 membros – 5o deles eleitos e 17 por inerência, entre eles encontra-se o anterior presidente, Soares Franco, e o actual, José Eduardo Bettencourt.

O CM apurou que, apesar das diferentes sensibilidades sobre a matéria, a tendência dos conselheiros recai nas eleições antecipadas. A hipótese de uma cooptação – nomeação de um elemento externo aos órgãos sociais – carece de ratificação em Assembleia Geral. Esta solução, por sua vez, poderia adiar a resolução do problema, uma vez que há muitos sócios a pedirem eleições antecipadas, sabe o CM. Os estatutos do clube prevêem ainda a hipótese de sucessão, com um vice-presidente a assumir o cargo, mas este cenário é muito improvável.

PLANTEL VALE 39 MILHÕES DE EUROS

O plantel leonino está avaliado em quase 39 milhões de euros, de acordo com os critérios contabilísticos definidos pela CMVM. No entanto, estes valores são criticados pelos clubes, já que, por exemplo, os jogadores vindos da formação têm um valor praticamente nulo e não contribuem para estas contas. Basta recordar que os leões encaixaram cerca de 20 milhões com as saídas de João Moutinho e de Miguel Veloso.

SALÁRIOS CRESCEM, RECEITAS DESCEM

No primeiro trimestre desta época, a Sporting SAD gastou quase 6,7 milhões de euros em custos com pessoal, o que significa mais um milhão (subida de 17,6%) do que nos mesmos meses da temporada transacta. Entre Julho e Setembro, a SAD obteve receitas de 9,8 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 10% (menos 1,1 milhão) do que no mesmo período da época passada.

 

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