O comando da Brigada de Trânsito (BT) da GNR quer mudar o esquema de patrulhamento nas auto-estradas. A recente entrada em funcionamento de um centro de videovigilância da Brisa levou o comandante da BT, major-general Meireles de Carvalho, a alterar o patrulhamento nas auto-estradas. Os carros-patrulha estão agora colocados nos nós de acesso a quatro auto-estradas – A1 (Lisboa-Porto), A2 (Lisboa-Algarve), A5 (Lisboa-Cascais), e A23 (Vendas Novas-Guarda) – e só partem quando for detectada uma transgressão a partir do centro de videovigilância.
O novo esquema de patrulhamento ainda está em fase experimental. Se resultar será alargado a toda a rede de auto-estradas – o que permitirá poupar nas consideráveis despesas de manutenção do parque automóvel da Brigada de Trânsito. “Cada carro-patrulha faz uma média de 495 mil quilómetros por ano. Ao fim desse tempo, é um carro velho”, disse ao CM fonte da Brigada. A Brigada de Trânsito tem, desde o último dia 7 de Junho, cinco militares em permanência no Centro de Coordenação Operacional (CCO) da Brisa, em Carcavelos, dotado de um sistema de câmaras de vídeo que cobre aquelas quatro auto-estradas. Detectam excessos de velocidade, manobras perigosas e captam matrículas dos carros infractores.
Este equipamento foi aproveitado para a concepção do novo projecto de patrulhamento, delineado pela secção de operações da BT, e assinado pelo comandante, major-general Meireles de Carvalho. Assim, desde há cerca de um mês, que viaturas da BT deixaram de circular na A1, A2, A5, e A23.
Em vez disso, os veículos da Brigada de Trânsito estão a ser estrategicamente colocados nos nós de acesso às auto-estradas. E de lá só podem sair se receberem ordens, que terão de ser emitidas a partir de indicações fornecidas pelo CCO da Brisa.
Os técnicos desta empresa e os militares da BT colocados em permanência neste centro analisam as imagens captadas. Em caso de acidente, infracção rodoviária, ou necessidade de auxílio a condutores, as patrulhas colocadas nas imediações recebem ordens para avançar.
Para o porta-voz da BT, major Lourenço da Silva, o anterior sistema de patrulhamento, que previa a circulação dos carros-patrulha nas auto-estradas, nunca se revelou eficaz. “Pretende-se que o novo modelo seja dinâmico e adequado às necessidades”, acrescentou aquele oficial da Brigada de Trânsito.
BRISA PAGA PATRULHAMENTO
As viaturas com que a Brigada de Trânsito exerce a sua actividade de patrulha e vigilância nas auto-estradas A1 (Lisboa-Porto), A2 (Lisboa-Algarve), A5 (Lisboa-Cascais) e A23 (Vendas Novas-Guarda) são propriedade da concessionária destas vias, a Brisa, que paga ainda todas as despesas com combustível e manutenção das viaturas. Só não paga os salários dos militares.
Nas restantes vias de todo o País, a fiscalização é feita com recurso a 565 carros e 185 motos – propriedade da Guarda Nacional Republicana. Metade da frota automóvel é a gasolina e a tendência é para ter apenas carros a diesel.
Em média, um carro-patrulha da Brigada de Trânsito circula 330 dias por ano, sendo os restantes 35 ocupados com as revisões necessárias. Percorre por dia 1500 quilómetros, o que dá por ano uma média anual de 495 mil quilómetros. O gasto de combustível por ano e por viatura é de cerca de 34 mil litros, o que significa aproximadamente 35 mil euros anuais.
Um carro da Brigada de Trânsito faz num ano 49 mudanças de óleo e, pelo menos, 25 grandes revisões – e gasta ainda, num único ano, uma média de 24 jogos de pastilhas de travões e dez discos de embraiagem.
VIATURAS 'À PAISANA' CONTINUAM
Os carros descaracterizados da Brigada de Trânsito, equipados com câmaras de vídeo e sensores de velocidade, vão continuar a circular em todas as auto-estradas. Na A1 (Lisboa-Porto), na A2 (Lisboa-Algarve), na A5 (Lisboa-Cascais) e na A23 (Vendas Novas-Guarda), onde já vigora o novo esquema de patrulhamento, a BT vai continuar a instalar radares para controlo de velocidade e a circular com os carros ‘à paisana’.
As câmaras de vigilância instaladas pela Brisa cobrem todos os quilómetros daquelas auto-estradas. Mas as imagens obtidas ainda não podem ser utilizadas como prova da infracção nem podem ser arquivadas – enquanto a Comissão Nacional de Protecção de Dados, como a lei obriga, não der parecer favorável. As câmaras de vídeo transmitem para monitores de televisão instalados no Centro de Coordenação Operacional da concessionária das auto-estradas, em Carcavelos, onde se encontram, em permanência, militares da Brigada de Trânsito.
Quando é detectada qualquer manobra perigosa, ou um automóvel em contramão, o alerta é transmitido ao carro-patrulha posicionado no nó de acesso à auto-estrada mais perto do local e a patrulha da BT apenas poderá intervir caso seja testemunha da infracção.
UM CARRO EM NÚMEROS
QUILÓMETROS PERCORRIDOS
- Circula 330 dias por ano. Pára durante 35 dias para revisões
- Faz num ano 495 mil km
- Percorre 1500 km por dia
COMBUSTÍVEL E OFICINA
- Cada carro-patrulha gasta cerca de 34 mil litros de gasolina por ano
- Faz num ano 49 mudanças de óleo e, pelo menos, 25 grandes revisões
- Gasta por ano 24 jogos de pastilhas de travões e 10 discos de embraiagem
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