Homicida confesso diz que a mãe adoptiva era implicativa e excessivamente protectora.
À noite, foi treinar futsal com a equipa do clube onde joga, em Covões, Cantanhede. De madrugada, foi a casa, em Coimbra, e matou a mãe que o adoptou ainda bebé. Pela manhã regressou ao local do crime para chorar "convulsivamente" a sua morte. Luís Castanheira, 23 anos, aluno do 4º ano de Medicina, jogador federado, deixou familiares e amigos em choque ao ser detido pela PJ de Coimbra como o autor do homicídio de que foi vítima Eugénia Rosa Fernandes Madeira, médica de 58 anos, na madrugada de terça-feira.
O crime terá ocorrido num quadro de alguma tensão que existia entre mãe e filho e resultou de um avolumar de situações. Luís entendia que a mãe adoptiva implicava com ele quando o alertava para ter cuidados tão básicos como fechar a porta ou as janelas. Ou quando o aconselhava a não chegar tarde a casa. Considerava que o protegia em excesso.
Depois de planear ao pormenor o crime, Luís entendeu que na segunda-feira estavam reunidas todas as condições para o executar. À noite, foi treinar com a equipa de futsal de que faz parte, do Prodeco – Centro Social de Covões. Ainda deu boleia a uma colega da equipa feminina que mora no trajecto que Luís Castanheira ia fazer até à Figueira da Foz, onde estava de férias.
Durante a madrugada, deslocou-se a casa, na Quinta da Lomba, em Coimbra, abriu a porta e atacou a mãe, que estava a dormir, deitada na cama. Terá tentado asfixiá-la com uma almofada, abafando os gritos de socorro, e desferiu-lhe golpes no pescoço com uma faca de cozinha, de grandes dimensões. Apesar de não se lembrar do número exacto de facadas, pensa que foram mais de três. De seguida encenou um assalto à casa. Remexeu as divisões, atou uma corda a um pilar da varanda para a rua e ainda terá levado uma carteira e pequenos objectos. Mas esqueceu-se de um pormenor relevante que levantou suspeitas: a casa não apresentava sinais de arrombamento.
Antes de sair ainda terá levantado a camisa de noite que a mãe vestia, deixando-a desnudada da cintura para baixo, alegadamente para dar a ideia de que fora vítima de abusos sexuais. Foi para a Figueira da Foz, levando a faca que a PJ de Coimbra viria a recuperar e a apreender nesse apartamento onde estava de férias.
Na manhã em que descobriram o corpo, prosseguiu com a encenação. Foi dos primeiros a chegar e "chorou convulsivamente" a morte de Eugénia Madeira, tendo sido assistido por uma psicóloga.
Ontem, no funeral da vítima, familiares e amigos estavam em choque com "a frieza" revelada, porque tinham de Luís a imagem de uma pessoa "meiga e tranquila".
"ESTAMOS BARALHADOS E INCRÉDULOS": Paulo Oliveira, Pres. Futebol do Prodeco
Correio da Manhã – Luís Castanheira era jogador da equipa do Prodeco desde quando?
Paulo Oliveira – Desde o ano passado. Ele estava na Académica e aceitou o nosso convite para jogar. Era um dos melhores jogadores distritais.
– Ele treinou com a equipa na noite do crime. Notou alguma alteração?
– Estava igual a si próprio. Era uma pessoa absolutamente tranquila. Educado, respeitador e extremamente leal a disputar o jogo. Não tenho ideia de ter sido alvo de alguma acção disciplinar e nunca foi expulso de um jogo.
– Como recebeu esta notícia?
– Estamos todos baralhados. Nunca teve um comportamento que nos fizesse desconfiar. Estamos todos incrédulos.
– Contactou com ele após a morte da mãe?
– Enviei-lhe uma mensagem de alento. Ele não respondeu, mas achei normal atendendo às circunstâncias.
POPULAR NA FACULDADE
Luís Castanheira era uma pessoa popular dentro da comunidade estudantil, que ficou em choque com a notícia do homicídio. "Era muito conhecido aqui na Faculdade de Medicina. Participava nos torneios organizados pelo nosso núcleo de estudantes e, como era bom atleta, tinha popularidade", referiu ao CM Rui Santos, presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade de Coimbra. "É uma situação de choque para todo o País. Mas especialmente para nós, sobretudo pela proximidade que ele tinha à faculdade", explica Rui Santos.
Luís Castanheira tinha um relacionamento amoroso com uma colega do mesmo curso. No entanto, colegas de turma garantem que na última segunda-feira os dois terão tido uma discussão, tendo o namoro terminado.
O homicídio surpreendeu todos. Os colegas da equipa estão igualmente incrédulos, tal como os familiares e amigos. Mesmo os que privavam com ele nunca se aperceberam de discussões. "Sempre foi um menino normal. Ainda na semana passada estivemos na Figueira com ele, porque é muito amigo do meu filho, e continuava o mesmo", conta uma amiga da família.
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