Mafalda e o marido jantavam à mesa com os quatro filhos, entre os quais um bebé com apenas um mês, quando seis homens armados invadiram o rés-do-chão da vivenda na Nossa Senhora do Carmo, em Cascais. Luvas, caras tapadas e facas em punho, tinham acabado de entrar em casa de uma neta e bisnetos do falecido multimilionário António Champalimaud. Pais e filhos foram ameaçados e mantidos sob sequestro numa casa de banho durante uma hora, anteontem, enquanto os assaltantes roubaram mais de 30 mil euros em dinheiro e jóias da família. Antes de partirem, ainda se sentaram à mesa a comer.
O casal foi apanhado de surpresa a meio do jantar, com os seis homens a entrarem discretamente pela porta das traseiras da vivenda. E o único cão à solta não deu qualquer sinal de alerta, pelas 21h30. A invasão e ameaças com facas apanharam os donos da casa sentados, sem dar a Tiago Álvares Ribeiro, 41 anos, qualquer hipótese de proteger a família. A vivenda não teria sistema de alarme nem câmaras e, já de noite, tornou-se um alvo fácil para assaltar.
Tudo aponta para que os seis ladrões conhecessem os hábitos das vítimas – e soubessem que estava em causa uma herdeira de António Champalimaud. Mafalda, de 39 anos, viu-se obrigada a apontar na direcção de algumas jóias de família, avaliadas em cerca de 30 mil euros. Casal e filhos foram empurrados para dentro de uma casa de banho da vivenda, debaixo de ameaças de morte, tendo ficado fechados até à partida dos ladrões – que ainda acabaram o jantar das vítimas.
Mafalda ficou em choque com a situação, tendo ontem passado o dia em casa a recuperar do trauma, e Tiago Álvares Ribeiro chamou a polícia quando os assaltantes partiram. A PSP esteve na casa e, pouco depois, chegou a secção de roubos da Polícia Judiciária de Lisboa – que procura identificar os assaltantes.
Mas a recolha de impressões digitais, por exemplo, era uma diligência inútil – os seis homens usavam luvas. Há ex-funcionários da zona sob suspeita e é investigada a possível ligação a outros casos ali perto.
JUNTOU FORTUNAS SOMMER E MELLO
O nome Champalimaud, que hoje é sobretudo referido por causa da fundação que apoia a investigação médica, representou no século passado a maior união de fortunas em Portugal: António Champalimaud (1918-2004) casou, em 1941, com Maria Cristina Mello, filha mais velha do dono da CUF, e a partir de uma empresa que a família queria vender (Companhia Geral de Construções) edificou um império onde uniu os cimentos da família da mãe com o ferro da indústria do sogro. A urbanização Quinta da Marinha , segundo os planos encomendados pelo pai, foi a iniciativa-talismã. Tempos difíceis foram os 16 anos de julgamento da herança Sommer que o opôs aos irmãos e depois as nacionalizações de 1974 e 1975.
ANTIGOS EMPREGADOS ESTÃO SOB SUSPEITA
A investigação do sequestro e roubo da neta de António Champalimaud, marido e filhos está agora a cargo da Polícia Judiciária de Lisboa, que tenta chegar aos seis assaltantes. Ao que o CM apurou, está sob investigação um grupo de homens que prestou serviços em casas da zona, entre os quais de jardinagem – e que é suspeito de outros assaltos. Conhecem bem o terreno e as rotinas de todas as famílias, para além dos locais mais apropriados para ter acesso às casas, como foi o caso das traseiras da casa de Mafalda Champalimaud, por onde entraram os seis homens anteontem à noite. De resto, também não é descartada a hipótese de estes homens serem os responsáveis por uma vaga de assaltos em Cascais. Sete pessoas foram roubadas terça-feira à noite por um grupo que utilizou um Honda Ascot branco. Ontem, a polícia questionou os vizinhos da família assaltada para perceber se há associação entre estes crimes.
DISCURSO DIRECTO
'ISTO É UM CRIME DE ALTO NÍVEL': Francisco Moita Flores, Criminologista
Correio da Manhã – Como interpreta o aumento de violência em assaltos a residências?
Moita Flores – O fenómeno do homejacking está a aumentar em Portugal, e com grande violência. Este é um exemplo de crime ao mais alto nível. O nosso país está a seguir influências de outros países, como o Brasil.
– Há portanto uma mudança na forma de actuação dos criminosos...
– Sem dúvida. Antes os assaltos às residências eram feitos nas épocas de férias, em que as casas estavam vazias. Agora, como uso de armas, sequestra-se antes para roubar a seguir.
– Isto faz com que as pessoas recorram a empresas de segurança privada?
– Claro que sim. Não podemos ter um polícia para cada casa, logo as pessoas recorrem a novos mecanismos de protecção.
SAIBA MAIS
SEGURANÇA PRIVADA
A segurança privada tem vindoa crescer. Em 2008 foram passadas mais 12 mil licenças para vigilantes e, já este ano, outras 1700.
30 mil
residências assaltadas em Portugal no ano passado, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna.
FAMÍLIA NÃO FALA
O CM tentou falar com a família Champalimaud, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.
NOTAS
ENTRADA: PORTÃO CONTORNADO
O grupo de ladrões evitou entrar pelo portão principal, uma vez que já conheceria a casa e sabia haver vários acessos à propriedade. Ladrões contornaram a zona e entraram pelas traseiras
CASCAIS: FAMÍLIA EM CHOQUE
Ao que o ‘CM’ apurou, a família está em choque com a situação. 'Estão todos muito abalados. Foi muita violência numa só noite, com os filhos presentes', conta ao nosso jornal uma amiga
POLÍCIA: VÍTIMA JÁ FOI OUVIDA
Enquanto Mafalda Champalimaud recupera do trauma, Tiago Álvares Ribeiro já contou à polícia todos os pormenores do ataque de anteontemà noite na propriedade da família, em Cascais
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