Os peregrinos que vão a pé para o Santuário de Fátima, inscritos em grupos organizados, pagam mais de um milhão de euros para garantir o apoio logístico na marcação de dormida e refeições, assistência médica, transporte de bagagem e oferta de alguns alimentos.<br/><br/>
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A maioria dos organizadores das peregrinações limita-se a orientar os grupos – alguns garantem também as refeições – e a indicar os locais de pernoita, cobrando pelo serviço entre 45 e 60 euros. Nesta primeira Peregrinação Internacional Aniversária ao Altar do Mundo há 35 mil fiéis a palmilhar as estradas, dos quais vinte mil integram grupos organizados, que terão de pagar mais de um milhão de euros (a uma média de 50 euros cada um).
O Movimento da Mensagem de Fátima (MMF), coordenado pelo padre Manuel Antunes, tem 425 guias credenciados, 'que não devem levar dinheiro' pelo acompanhamento dos peregrinos. No entanto, há alguns que deixam ao critério dos fiéis uma compensação monetária.
Mas há organizadores de grupos (na generalidade estranhos ao MMF) que anunciam as peregrinações em jornais, ou através de cartazes afixados em cafés, com jóias de inscrição pré-estabelecidas.
Fátima Catarino, de 53 anos, aceitou pagar para integrar um grupo de 45 pessoas que caminha entre o Porto e a Cova da Iria. 'Demos 45 euros e temos direito a carro [para transportar o saco] e água', revelou ontem a peregrina, em Pombal.
Cada um dos elementos do grupo de 57 peregrinos de S. Mamede de Infesta, que na quarta-feira acusaram o organizador de não cumprir os serviços acordados, também pagou 45 euros. Além deste valor, desembolsaram 'entre sete e 12 euros para dormir em locais desumanos', deram 'dois euros por um banho quente' e pagaram as suas refeições. 'Já ouvi falar de alguns que cobram 60 euros', defende-se o guia, Agostinho Gonçalves.
António José, orientador de uma peregrinação de Peso da Régua, adoptou uma fórmula diferente: fez as contas e pediu 300 euros a cada um dos nove peregrinos, por sete dias de caminhada. 'Estimámos esse valor que inclui, além da alimentação, as despesas da carrinha de apoio e das dormidas. No final, ninguém sai a ganhar um cêntimo', sublinha.
Maria Assunção, responsável por um grupo de 24 fiéis de Caxinas, Vila do Conde, faz o trajecto até ao Santuário há 42 anos e garante que não ganha dinheiro por ser guia: 'Faço-o por devoção.' As despesas são contabilizadas e divididas por todos.
Os acompanhantes de Luís Amaro, de Viseu, e 19 peregrinos de São João de Lourosa – que ontem atravessavam o Luso – afirmam que não há lucros. 'Cada um traz comida e junta-se tudo. Aqui ninguém paga nada a ninguém!', afiança José Bernardo, organizador da caminhada.
ATROPELADO EM COMA INDUZIDO
Continua em coma induzido o peregrino de Vila Nova de Famalicão que anteontem de madrugada foi atropelado por um carro em Santa Maria da Feira quando ia a caminho do Santuário de Fátima. Segundo um familiar de Américo Silva, o sexagenário – antigo operário têxtil e agora reformado – fazia a peregrinação pelo terceiro ano consecutivo. Está internado no Hospital S. António, no Porto, e segundo a mesma fonte está 'um bocadinho melhor'.
Um outro peregrino vítima do mesmo acidente foi transferido para o Hospital de Fafe. Os restantes sete feridos receberam alta. Foi o caso de uma família de Cabeceiras de Basto. Mãe e filha regressaram a casa ainda na noite de anteontem, enquanto o pai teve alta ontem de manhã.
'Estão bem, dentro do possível. Estão muito pisados, principalmente o meu pai, e têm feridas na cabeça', confirmou ao CM a familiar Emília Marques. 'O meu pai ainda vai ter de fazer curativos por alguns dias', sublinhou.
As vítimas do acidente estavam inseridas num grupo de 80 pessoas, a maioria de Cabeceiras de Basto, que segue viagem. 'Estamos mais tranquilos e a andar a bom ritmo', contou um dos peregrinos.
'SEREI PEREGRINA ATÉ MORRER'
Uma grande parte dos fiéis que se encontram na estrada a caminho do Altar do Mundo já está habituada à dureza e dificuldades da peregrinação. É raro encontrar peregrinos que o sejam pela primeira vez. Cândida Lopes, de Viseu, vai pela 27.ª vez a pé a Fátima e quando questionada por que razão, não consegue evitar as lágrimas. 'Faço-o sobretudo pela fé que tenho em Nossa Senhora, a quem pedi ajuda para a minha filha que teve graves problemas de saúde', desabafa a peregrina de 55 anos. ‘Peregrina até morrer’ é o lema de Emília Silva, de 46 anos, que este ano cumpre a 11.ª peregrinação a Fátima.
'Enquanto for viva e tiver forças vou todos os anos a Fátima a pé. Foi uma promessa que fiz a Nossa Senhora e vou cumpri-la', adianta a peregrina, que este ano conta com o apoio do marido, Fernando Correia, que veio da Alemanha de propósito para a ajudar. José Fernando Duarte, natural de Lamego, vai este ano pela segunda vez a Fátima porque no ano passado gostou e 'quis voltar a acompanhar o mesmo grupo'.
A CAMINHO
CHUVA
Os peregrinos da zona norte do distrito de Viseu e de Trás-os--Montes já se encontravam ontem na zona de Coimbra e tencionam chegar ao Santuário de Fátima no domingo. Ontem foram confrontados com chuva intensa.
ASSISTÊNCIA
Um grupo de médicos da Associação Portuguesa de Podologia (APP) está hoje no pavilhão municipal da Caranguejeira, em Leiria, para prestar assistência gratuita aos peregrinos.
ALERTA
A Cruz Vermelha Portuguesa aconselha os peregrinos a não fazerem caminhadas durante a noite, por questões de segurança. Os responsáveis pela instituição apelam ainda aos fiéis para andarem na estrada 'em fila indiana e não em grupo'.
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