Tortura a escocês semelhante a actos praticados por criminosos turcos. Ingleses amputaram dedos a vítima para mostrar quem liderava o tráfico.
Os treze dias de tortura de que o escocês James Ross foi alvo deixaram a nu um Algarve bastante perigoso, dominado pelas máfias estrangeiras. Mais do que castigar a vítima pela dívida de 12 mil euros que tinha, os quatro detidos tentaram fazer de James Ross um exemplo para aqueles que queiram invadir o seu território no mundo do tráfico de droga. A Judiciária acredita mesmo que os ingleses enviaram os dedos amputados ao escocês a indivíduos de outras redes, como um prenúncio daquilo que lhes poderia vir a acontecer.
A violência dos actos praticados contra James deixou os próprios inspectores da PJ estupefactos. A forma como foi torturado assemelha-se bastante aos actos de tortura dos criminosos turcos, que costumam usar a amputação de membros em situações de ameaça.
O objectivo de John Maclean e dos cúmplices não era, no entanto, apenas torturar o escocês. Os ingleses chegaram mesmo a colocar James num carro e a lançá-lo em direcção à barragem de Santa Clara, em Boliqueime, Loulé. A viatura acabou por ficar atolada e os criminosos decidiram levar a vítima novamente para a ‘casa da tortura’ e incendiaram o carro para destruírem os vestígios.
O pesadelo que a vítima viveu tinha, contudo, já começado em Inglaterra. Em Agosto, James Ross esteve sequestrado durante dois dias com a esposa e as filhas, pelo que, no início do mês, quando os ingleses lhe pediram para vir a Portugal, o escocês aceitou, disposto a resolver as coisas de uma vez por todas. A vítima mal sabia que tinha caído numa armadilha. Duas horas depois de chegar ao aeroporto, os criminosos raptaram James e esconderam-no na casa, onde, durante dias a fio, foi torturado com recurso a facas e cutelos.
Ao ter conhecimento do desaparecimento, a PJ começou a investigar os criminosos e interceptou uma conversa na qual os ingleses falavam em atirar a vítima ao rio com uma pedra. Quatro homens foram de imediato presos. Um quinto membro acabou por fugir, o que permitiu a James, que as autoridades julgavam já estar morto, escapar. A PJ admite que possam existir mais elementos envolvidos no crime.
ENCONTRADO CARBONIZADO DENTRO DE CARRO
Na noite de 17 de Setembro, um carro em chamas foi encontrado perto de Santa Bárbara de Nexe, na zona norte do Concelho de Faro. Quando os bombeiros apagaram as chamas, encontraram o corpo de um homem, totalmente carbonizado, no interior.
Tudo aponta para que a vítima seja Raymond Patrick Grant, um inglês procurado desde 1998 pelas autoridades britânicas. Grant tinha fugido de Inglaterra dias antes de ser condenado a 15 meses de prisão, por não revelar onde estava o dinheiro reunido num esquema de ‘pirâmide’, por ele organizado. Terá andado um pouco por todo o Mundo, mas, nos últimos anos, viveu no Algarve. Nas primeiras peritagens, a Polícia Judiciária não descobriu indícios de crime na viatura e acredita que Raymond Grant terá cometido suicídio.
PERDERAM-SE AO REGRESSAR PARA CASA
Após incendiarem o carro, os ingleses tentaram regressar à casa onde durante dias torturaram James Ross. Os detidos andaram às voltas várias horas até que encontrarem finalmente a residência. Foi exactamente aí que a Polícia Judiciária fez durante toda a semana buscas. Na casa, os inspectores encontraram facas e cutelos que foram utilizados para torturar o escocês e para lhe amputar os cinco dedos e uma orelha. As divisões da residência tinham ainda um rasto de sangue e vários vestígios humanos, como pele e cabelos. Todos os elementos serão agora analisados em laboratório.
PRESSÃO DA PJ FOI FUNDAMENTAL
A pressão da Polícia Judiciária foi fundamental para o desvendar do caso e para o facto de a vítima ter conseguido escapar com vida. A partir do momento em que tiveram conhecimento do desaparecimento de James Ross, vários inspectores foram colocados no terreno de forma que encontrassem o escocês.
"NÃO É POSSÍVEL CONTROLAR TODOS": Macário Correia, Pres. Comunidade Intermunicipal Algarve
Correio da Manhã – Há criminosos ou mesmo máfias de outros países a viverem no Algarve?
Macário Correia – O Algarve tem perto de 500 mil habitantes, mas pelo aeroporto de Faro passam 10 vezes esse número de pessoas. Por pertencer ao espaço Schengen, não é possível controlar todas as pessoas que entram.
– Mas há esse perigo?
– Não sei e se houver penso que não será uma situação alarmante. Por ser uma zona muito conhecida, mesmo internacionalmente, quando há algum caso tem uma visibilidade maior.
– O que se pode fazer para controlar quem chega à região?
– Portugal pertence ao espaço Schengen e não se pode ter um procedimento diferente para controlar quem entra no Algarve. As forças de segurança têm de trabalhar para combater eventuais casos, mas penso que serão situações esporádicas.
GOVERNADORA CIVIL DESCONHECE PERIGOS
"Nunca foi referido, nas reuniões do Gabinete Coordenador de Segurança Distrital, que o Algarve seja utilizado por criminosos ou máfias estrangeiras como esconderijo", garantiu ontem ao CM Isilda Gomes, Governadora Civil de Faro. Referindo que nunca tinha ouvido falar dessa possibilidade, Isilda Gomes diz ainda que, "se for verdade, cabe às autoridades policiais trabalhar na fiscalização e investigação para evitar crimes", como o caso de James Ross.
Já Nuno Aires, presidente do Turismo do Algarve, também assegura ser a primeira vez que houve a hipótese de o Algarve servir de abrigo para máfias e criminosos estrangeiros de países europeus. "Não tenho qualquer indício de que tal possa estar a acontecer", garante Nuno Aires. "O Algarve tem a imagem de ser um destino seguro, o que é fundamental na perspectiva da actividade turística", explica, acrescentando desconhecer "se as autoridades têm qualquer indício do contrário".
Tanto Isilda Gomes como Nuno Aires, de resto, defendem que o caso de James Ross, bem como a presença no Algarve do grupo criminoso britânico desmantelado pela PJ, terá sido uma situação isolada.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.