A autoridade americana do medicamento Food and Drugs Administration (FDA) autorizou ontem a comercialização, nos Estados Unidos e no México, da primeira vacina contra o cancro do colo do útero, a segunda doença oncológica que mais mulheres mata no Mundo, logo a seguir ao cancro da mama. A venda deste medicamento só deverá ocorrer em Portugal em Janeiro de 2007, altura prevista para a aprovação pela Comissão Europeia e pela Agência Europeia do Medicamento.
A vacina que previne o papilomavírus humano, mais conhecido como cancro do colo do útero, é fabricada pelo laboratório Merck e comercializada em Portugal e na Europa por uma empresa parceira, a Sanofi Pasteur. A directora-geral desta empresa, Cristina Lains, explicou ao CM as razões do atraso na aprovação deste medicamento pelas autoridades europeias, em comparação com as entidades dos Estados Unidos: “O tipo de procedimento na avaliação dos medicamentos é diferente e a FDA terá participado na investigação da vacina, o que fez acelerar o processo de autorização da comercialização.”
A aprovação do medicamento, considerado 100 por cento eficaz pela FDA, não interfere no processo de aprovação pelas autoridades de Saúde da União Europeia. Existe sempre a hipótese de não ser aprovado, mas, na opinião de Cristina Lains, “não é provável que isso venha a acontecer”.
A Sanofi Pasteur submeteu o pedido de autorização de introdução no mercado à Agência Europeia do Medicamento no início de Dezembro de 2005 e prevê-se que só em Janeiro de 2007 seja anunciada uma decisão da autoridade europeia.
A aprovação do novo medicamento pela Comissão Europeia e pela Agência Europeia do Medicamento será válida automaticamente para todos os 25 Estados-membros da União, dispensando a autorização das entidades responsáveis pelos medicamentos em cada país – no caso de Portugal, o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed). Por enquanto, ainda não é possível saber qual será o preço de venda ao público deste novo medicamento no nosso país nem se será comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde.
A vacina para combater o papilomavírus humano, contra as estirpes 6, 11, 16 e 18 – as duas últimas as mais perigosas – será comercializada nos Estados Unidos com a marca Gardasil e as três injecções que a compõem vão custar 284 euros.
Segundo o laboratório Merck, a vacina tem indicação terapêutica para adolescentes e mulheres, dos nove aos 26 anos.
Um estudo apresentado esta semana pelo laboratório farmacêutico britânico GlaxoSmithKline dava conta de outra vacina experimental contra o cancro do colo do útero que desencadeou uma forte resposta imunitária em mulheres dos 15 aos 55 anos que participaram num teste clínico. A Glaxo vai pedir autorização à FDA para vender o Cervarix.
MUITAS JOVENS INFECTADAS
Milhares de jovens e mulheres podem estar hoje infectadas com o papilomavírus humano (HPV, sigla em inglês) sem o saberem. O problema é que este vírus, que não desencadeia quaisquer sintomas, pode evoluir para uma das formas de cancro mais mortífero para as mulheres, o cancro do colo do útero, e provocar ainda lesões cervicais graves. O alerta foi dado ao CM pelo antigo director da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologista e Obstetrícia, Vicente Pinto. “É uma epidemia tal a quantidade de jovens e mulheres que estão infectadas sem o saberem, milhares certamente.”
Segundo Vicente Pinto, hoje está provado cientificamente que esse vírus está na origem do cancro do colo do útero e que a infecção ocorre nas relações sexuais não protegidas. O ginecologista sublinha que a “arma” mais poderosa para prevenir a transmissão do papilomavírus humano – do qual existem cerca de 100 estirpes – do rapaz para a rapariga e vice-versa, é o uso do preservativo. Para detectar a presença do vírus é necessário uma análise clínica.
200 MORTES POR ANO
Em Portugal morrem todos os anos cerca de 200 mulheres vítimas do cancro do colo do útero.
958 NOVOS CASOS
No nosso país existem mais casos de cancro do colo do útero do que nos restantes membros da União Europeia, com 17 casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, 958 novos casos surgem todos os anos.
40 VÍTIMAS POR DIA
Todos os dias morrem 40 mulheres na Europa devido a este cancro, prevendo-se que por ano rondem as 15 mil mortes. O rastreio pode evitar as mortes, pois quando detectado de início, pode ser sujeito a um tratamento eficaz. A esperança reside agora na nova vacina que pode prevenir a doença.
290 MIL NA AMÉRICA
O cancro da cervical mata cerca de 290 mil mulheres nos Estados Unidos por ano.
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