Escândalo do caso Epstein abala a realeza britânica: irmão do rei é a vergonha do Reino Unido

André foi expulso pelo monarca para casa de campo em Sandringham, longe de Windsor. Ex-príncipe e Ghislaine Maxwell são acusados de torturar criança de seis anos.

11 de fevereiro de 2026 às 14:37
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A relação de André Mountbatten-Windsor com Jeffrey Epstein tornou-se num dos maiores escândalos a abalar a realeza britânica. O caso obrigou Carlos III a despojar o irmão de todos os títulos reais e expulsá-lo da residência de Royal Lodge, em Windsor, para uma propriedade em Sandringham, no Leste de Inglaterra, mais recatada, onde poderá viver o resto dos seus dias mergulhado na vergonha (se a tiver) e longe dos olhares desaprovadores da família. A divulgação de novos ficheiros sobre Epstein obrigaram André a deixar Windsor mais cedo do que o previsto e a meio da noite para evitar os paparazzi. O príncipe caído em desgraça encontra-se agora num chalé em Wood Farm, enquanto aguarda que as remodelações na casa de campo estejam concluídas.

Um castigo leve para quem, durante anos, foi cúmplice de um predador sexual, o que justifica o conflito interno que a sua presença está a gerar, com a maioria dos funcionários da Casa Real a recusarem-se a servi-lo. Muitos esperam que ele acabe por aceitar o convite do emir de Abu Dhabi, Mohamed bin Zayed Al Nayha, para se exilar nos Emirados Árabes Unidos.

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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o ex-príncipe deveria depor perante uma comissão do Congresso americano, após as novas revelações. Já o Palácio de Buckingham declarou na segunda-feira que o rei Carlos expressou “profunda preocupação” com as alegações contra o irmão e que “estará pronto para apoiar” a polícia caso seja contactado em relação às acusações.

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FOTO: Direitos Reservados
André com uma desconhecida numa festa na Riviera francesa, em 2007
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André Mountbatten-Windsor numa festa com uma mulher
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O ex-príncipe André era presença assídua nas festas de Epstein, mas assegura que não cometeu qualquer crime

“Animal de estimação” do pedófilo nega irregularidades

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André Mountbatten-Windsor tem negado veementemente qualquer irregularidade no caso Epstein, apesar das evidências. A polémica em torno do antigo príncipe tem vindo a crescer desde 2019, quando se afastou das suas funções reais após uma entrevista desastrosa à BBC sobre a sua amizade com o predador sexual, que diz ter conhecido “através de uma namorada” na década de 1990. As autoridades britânicas estão a investigar alegações de que o irmão de Carlos III partilhou relatórios confidenciais como enviado comercial do Governo com o pedófilo em 2010 e 2011. Está ainda a ser investigada a denúncia de uma segunda mulher – além de Virginia Giuffre, que disse ter sido traficada por Epstein e acusou André e outros homens influentes de explorá-la sexualmente, acabando por cometer suicídio em abril de 2025 –, que afirma ter sido enviada pelo financista para um encontro sexual com o então príncipe, em Royal Lodge, em 2010.

O mais recente lote de documentos incluem fotos de André ajoelhado sobre uma mulher não identificada e várias trocas de emails com Epstein. Num deles, André convida o amigo para ir ao Palácio de Buckingham, em 2010, noutro pergunta-lhe se é “bom estar livre” meses após ter sido preso por aliciar uma criança para prostituição e, num outro, enviado depois de ter estado em Nova Iorque para um jantar organizado pelo amigo em sua homenagem, que contou com figuras como Woody Allen, escreve: “Quem me dera ainda ser um animal de estimação da sua família.” Os documentos revelam ainda que os dois pediram a uma stripper para fazer um ‘ménage à trois’ na mansão do pedófilo na Florida, em 2006. Juan Alessi, ex-governanta de Epstein, afirmou em tribunal, em 2009, que André recebia “massagens diárias” naquela residência. Uma alegada vítima também denunciou episódios de abuso e tortura às mãos de Ghislaine Maxwel, braço-direito de Epstein, com André e outros homens a observarem, quando tinha entre 6 e 8 anos.

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O antigo duque de York com uma desconhecida numa festa na Rivieira francesa em 2007, quando já estava separado de Sarah Ferguson
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André com Virginia Giuffre, que o acusou de a ter violado quando tinha apenas 17 anos
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Ex-príncipe deitado ao colo de um grupo de mulheres numa foto que conta com a presença de Ghislaine Maxwell, cúmplice de Jeffrey Epstein
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Mette-Marit da Noruega pede perdão 

A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, pediu desculpas pelo seu relacionamento com Jeffrey Epstein. Os ficheiros relacionados com o predador sexual e divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contêm mais de 500 referências à princesa, sugerindo que estes mantiveram contacto entre 2011 e 2014. Mette-Marit chegou a morar na casa de férias de Epstein em Palm Beach (EUA).

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FOTO: AP
A princesa Mette-Marit
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Sofia da Suécia quebra o silêncio 

Sofia da Suécia falou pela primeira vez publicamente sobre a sua ligação a Jeffrey Epstein. A mulher do príncipe Carl Phillip esclareceu que o contacto entre os dois foi meramente circunstancial. “Conhecemo-nos num restaurante, num ambiente social onde me apresentaram, e numa sessão de cinema com muitas outras pessoas. Felizmente, foi só isso”, afirmou a duquesa da Varmlândia.

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FOTO: DIREITOS RESERVADOS
Sofia e Carl Philip da Suécia
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