Movimento de extrema-direita, nascido em 2017, alimenta a tese de que o Mundo é controlado por um cabala global de pedófilos poderosos.
A divulgação dos ficheiros Epstein está a voltar a dar força ao QAnon - movimento conspirativo de extrema-direita nascido em 2017 -, que alimenta a tese de que o Mundo é controlado por uma cabala global de pedófilos poderosos.
Por outras palavras, os crimes de Jeffrey Epstein estão a ser usados pelos seguidores do movimento para reforçar a convicção de que homens poderosos do mundo dos negócios e da política tinham relações próximas ao pedófilo norte-americano e que estavam por dentro de todos os seus crimes, fazendo também eles parte de uma rede de tráfico sexual de crianças. Esta teoria, desvalorizada durante muito tempo, parece começar a reunir reconhecimento. Bill Maher, humorista, comentador político e escritor, pediu mesmo desculpas aos seguidores do QAnon: “Eu sou suficientemente grande para dizer, QAnon, vocês estavam mais certos sobre isto do que eu admiti ou do que muitos admitiram.”
Também a ex-congressista da Georgia, Marjorie Taylor Greene, que já tinha sido porta-voz do movimento mas que o abandonou em 2021 por o considerar infundado, reconhece: “É terrível estar certa sobre muitas destas coisas.” Depois de terem caído por terra algumas teorias absurdas (o melhor exemplo é o ‘Pizzagate’, que dizia que figuras influentes do Partido Democrata, como Hillary Clinton, estavam envolvidas numa rede de tráfico sexual infantil que operava na cave da pizaria Comet Ping Pong, em Washington), especialistas acreditam que o QAnon está a ajustar posições perante as novas evidências e que poderá vir a crescer nos próximos tempos. Uma coisa é certa: para já sabemos que os arquivos de Epstein denunciam esforços para conseguir sexo com mulheres jovens, bem como os seus laços com figuras poderosas, incluindo políticos, ex-príncipes, bilionários e funcionários da Casa Branca.
Donald Trump ilibado da ‘cabala’ pelos apoiantes do movimento QAnon
Alimentando a ideia de que Donald Trump é uma espécie de figura heroica que luta contra a elite associada ao tráfico sexual de crianças, o movimento QAnon conseguiu contornar o embaraço criado pelas revelações de que o Presidente do EUA tinha afinal ligações a Epstein e que frequentou muitas das festas do magnata nos anos 90. Ora, os apoiantes do QAnon desculpam-se com o facto de Epstein ter sido preso precisamente durante o Governo Trump. Ainda assim, há quem veja isto como “dissonância cognitiva”, uma vez que continua por se provar se Trump apenas deixou divulgar os ficheiros que atacam os seus inimigos.
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