Há preocupações crescentes de que o Irão possa atacar alvos mais distantes após a tentativa de ataque à base do Reino Unido e dos EUA.
Há preocupações crescentes de que o Irão possa atacar alvos mais distantes do que anteriormente se pensava após a tentativa de ataque à base militar do Reino Unido e dos EUA, em Diego Garcia, no oceano Índico.
Dois mísseis foram lançados na passada sexta-feira, dos quais um falhou e outro foi intercetado, afirmou o secretário de Defesa britânico John Healey, segundo avança a BBC.
Diego Garcia fica a cerca de quatro mil quilómetros do Irão e a tentativa iraniana despertou as preocupações sobre o alcance dos mísseis do país e os medos de que o Irão possa atacar grande parte a Europa, até Londres e outras capitais europeias.
Ainda restam dúvidas sobre a capacidade dos mísseis iranianos de alcançar locais tão longínquos, mas aquele que falhou na sexta-feira, conseguiu viajar cerca de três mil quilómetros desde a base.
Posto isto, quão séria é a ameaça iraniana?
O Ocidente tem olhos nas trajetórias dos mísseis
Os EUA e o Reino Unido terão tido indicações claras de que o Irão estava a tentar atingir Diego Garcia e terão estado a vigiar os mísseis durante o voo.
A Força Espacial dos EUA é capaz de detetar cada míssil lançado a partir do Irão. Na Base Buckley da Força Espacial no Colorado, existe um centro de controlo a partir do qual é possível ver a trajetória de qualquer míssil lançado no planeta.
São utilizados um conjunto de satélites espaciais e radares poderosos no solo.
O Irão tem mísseis de maior alcance?
O lançamento, embora com pouco sucesso, sugere que o Irão não tem sido transparente sobre o programa de mísseis.
Teerão disse, anteriormente, que tinha unilateralmente limitado o alcance dos mísseis até dois mil quilómetros. Contudo, Israel alega que os mísseis iranianos têm o dobro desse alcance, até quatro mil quilómetros. Essa distância coloca não só Diego Garcia nas perspetivas de ataque, mas também grande parte do continente europeu.
Apesar das alegações, sabe-se que o Irão tem mísseis balísticos de curto alcance, até um máximo de três mil quilómetros, que têm sido lançados frequentemente contra Israel e outras nações vizinhas do Golfo nas últimas três semanas.
Antes da guerra, estimava-se que o Irão tivesse um stock de mais de dois mil mísseis de curto alcance. Apesar de os EUA e Israel terem estas munições como alvo, os mísseis continuam a ser lançados.
O programa de mísseis de curto alcance (entre três mil e 5,5 mil quilómetros) é menos transparente. Sidharth Kaushal do Instituto dos Serviços Unidos Reais explica que o programa já existia antes da guerra e dá duas razões. "Primeiro, mísseis de longo alcance seriam necessários se o Irão quisesse continuar a desenvolver uma arma nuclear - que têm persistentemente negado, apesar das acusações ocidentais. Segundo, o Irão tem necessitado de desenvolver 'rockets' para o próprio programa espacial", disse o especialista.
Londres está dentro do alcance?
Se o Irão escolhesse atacar a Europa, já existem precauções definidas para lidar com a ameaça.
Os EUA têm estado preocupados com os perigos de haver mísseis balísticos lançados a partir da região do Médio Oriente.
Sob o mandato do presidente Barack Obama, os EUA criaram sistemas de defesa contra mísseis balísticos na Polónia e na Roménia, que lançam o mesmo tipo de mísseis de interceção utilizados pela Marinha norte-americana para intercetar os ataques aéreos iranianos.
O Reino Unido tem poucas formas de proteção contra mísseis balísticos, uma lacuna reconhecida pelo governo.
Por enquanto, a ameaça parece remota.
Kaushal considera "inconcebível" que um míssil iraniano "possa atingir Londres". "O alcance dos mísseis é uma coisa elástica - se pusermos uma ogiva mais leve num míssil, podemos aumentar o alcance", disse à BBC. Isto significa que "não é terrivelmente surpreendente" que o Irão possa, em teoria, alcançar o Reino Unido com os mísseis, "e então?".
Os mísseis em questão seriam "um pequeno número de mísseis balísticos convencionalmente armados sobre um espaço aéreo bem defendido... e são pouco precisos a longas distâncias", explicou ainda Kaushal.
"Quando aumentamos o alcance, estamos a ir muito mais em direção ao espaço, mas também estamos a descer muito mais... por isso a velocidade aumenta, é preciso desenhar melhores escudos de temperatura", disse o analista Decker Eveleth.
"É verdade que um míssil pode atingir Londres", concluiu, mas acrescentou: "não vai ter particularmente boa capacidade de pontaria". "Eu diria que o nível de risco para Londres é bastante baixo", realçu Eveleth.
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