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Aeroportos da UE alertam para crise sistémica se estreito de Ormuz não reabrir em 3 semanas

Diretor-geral da ACI Europe alertou que uma interrupção prolongada do abastecimento de querosene teria efeitos diretos nas operações aeroportuárias.

10 de abril de 2026 às 14:59

A União Europeia (UE) poderá enfrentar uma "crise sistémica" de querosene se o tráfego pelo estreito de Ormuz não for restabelecido dentro de três semanas, alertou esta sexta-feira a associação de aeroportos ACI Europe, que pediu a Bruxelas medidas urgentes.

"Se o tráfego pelo estreito de Ormuz não for restabelecido de forma estável nas próximas três semanas, uma escassez sistémica de combustível de aviação na UE poderá tornar-se realidade", assinalou a associação numa carta dirigida aos comissários europeus da Energia e dos Transportes.

Na informação, a que o jornal Financial Times teve acesso, o diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, alertou que uma interrupção prolongada do abastecimento de querosene (derivado do petróleo) teria efeitos diretos nas operações aeroportuárias, na conectividade e na economia europeia.

A organização sublinhou que o transporte aéreo gera cerca de 851.000 milhões de euros de Produto Interno Bruto (PIB) e sustenta cerca de 14 milhões de postos de trabalho na Europa.

Desta forma, uma redução do tráfego afetaria setores-chave como o turismo e as exportações de alto valor, num momento especialmente sensível devido à proximidade da época alta de verão.

A ACI Europe destacou que uma escassez provocaria perturbações em cadeia em todo o sistema económico, agravando ainda mais o impacto do aumento do preço do petróleo.

A UE importa, através do Estreito de Ormuz, aproximadamente 40% do querosene refinado que consome, e os navios que transportam este combustível demoram normalmente um mês para chegar a território europeu.

Perante esta situação, o setor apela à Comissão Europeia para que supervisione urgentemente o mercado do querosene, considerando que atualmente não existe uma avaliação à escala comunitária da produção, disponibilidade ou reservas.

Além disso, solicita medidas excecionais, como facilitar as importações, estudar compras conjuntas a nível europeu ou reforçar as obrigações de refinação dentro da UE para garantir o abastecimento.

A ACI Europe pediu também para se clarificar a aplicação do regulamento europeu sobre emissões de metano, alertando que este poderá dissuadir fornecedores externos de fornecer combustível ao mercado comunitário.

Para além da urgência, a associação considerou que a crise põe em evidência a elevada dependência da UE das importações de querosene e a necessidade de reforçar a autonomia energética estratégica a médio prazo.

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