Fatih Birol reiterou que o mundo enfrenta "a maior crise energética da história" por causa da ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irão.
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) mostrou-se confiante esta quarta-feira de que os governos vão responder de forma decidida à crise dos combustíveis, como nas três anteriores, em especial na década de 1970.
Fatih Birol falava durante o 17.º Diálogo Climático de Petersberg, em Berlim, Alemanha, onde reiterou que o mundo enfrenta "a maior crise energética da história" por causa da ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irão em 28 de fevereiro, que resultou no bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passava um quarto do petróleo mundial antes do conflito.
O economista e especialista em energia turco recordou as três crises anteriores dos últimos 50 anos: as do petróleo de 1973 e 1979, e a crise do gás natural devido à guerra da Rússia contra a Ucrânia em 2022.
"A quantidade de petróleo e gás que perdemos nesta guerra [no Irão] é muito superior à das três crises anteriores juntas. Além disso, estamos a perder matérias-primas vitais: produtos petroquímicos, fertilizantes, hélio, enxofre e, no seu conjunto, trata-se de um problema muito grave", afirmou Birol.
O diretor executivo da AIE recordou que, após a crise do petróleo dos anos 1970, "houve uma grande resposta estratégica no setor energético".
Na altura, disse, um carro médio precisava de cerca de 20 litros de gasolina para percorrer 100 quilómetros e, em resposta, a indústria automóvel mudou rapidamente, levando a uma redução do consumo para 10 litros.
"A eficiência passou a ser fundamental", sublinhou.
No Brasil, exemplificou, o sucesso da bioenergia "é fruto dessas crises" e, por outro lado, cerca de 40% das atuais centrais nucleares foram construídas nessa altura.
Fatih Birol sublinhou que se verificou uma mudança importante na distribuição das fontes de produção de energia, uma vez que, antes da crise, o petróleo representava aproximadamente um terço da produção de eletricidade, enquanto hoje em dia vale apenas cerca de 2%.
"Acredito que haverá uma resposta semelhante à crise atual no setor energético", disse, salientando que "hoje estamos numa situação melhor do que há 50 anos, porque dispomos de muitas tecnologias disponíveis e rentáveis".
Citando o último relatório da AIE, disse que 75% de novas centrais elétricas instaladas no mundo corresponderam, em 2025, a energias renováveis e 25% a carvão, petróleo, gás e energia nuclear. As instalações de baterias aumentaram 40 % num único ano e a produção nuclear atingiu um máximo histórico.
Fatih Birol referiu ainda que as vendas de carros elétricos cresceram significativamente, com um aumento de 100% no Sudeste Asiático.
"Espero que haja uma resposta semelhante em todos os setores: indústria automóvel, setor elétrico e indústria em geral", afirmou.
"Cabe agora aos governos conceber políticas energéticas que mantenham a competitividade das indústrias atuais e preparem o caminho para as indústrias do futuro. É uma grande oportunidade", disse.
Para o diretor executivo da AIE, a COP31, que se realiza em novembro de 2026 na cidade de Antália, no sul da Turquia, "será fundamental para demonstrar que esta é uma oportunidade única para redesenhar o mapa energético mundial e reduzir as emissões".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.