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Ataque iraniano durante reportagem do CM

ALERTA A reportagem entre os destroços de ataques da véspera foi subitamente interrompida. Era preciso fugir.

14 de março de 2026 às 01:30

O silêncio no vale que observa as montanhas de Erbil só é interrompido pelo roncar dos motores dos carros que circulam a alta velocidade. Era sexta-feira, dia de orações, e pouco se escutou o zumbido arrepiante dos drones. Numa das duas bases do Partido da Liberdade do Curdistão (PLC) iraniano no Norte do Iraque, desconfiava-se da bonança. Se no Alasca nunca se está longe de um urso, aqui há sempre uma aeronave não tripulada por perto. Talvez isso explique a tensão permanente dos guerrilheiros ‘peshmerga’ do Irão, que ocupam os improvisados quartéis no Curdistão iraquiano, onde procuraram refúgio e recuo tático para uma ofensiva. Do nada, um zumbido escuta-se no ar. Ergue-se a cabeça para o azul do céu, como se fosse possível parar aquele pedaço de guerra só com um olhar. A reportagem entre os destroços de ataques da véspera foi subitamente interrompida. Era preciso fugir.

Antes, tinha havido tempo para o comandante do Partido da Liberdade do Curdistão explicar que os curdos do Irão não precisam de garantias para lutar contra o regime no seu país. “Esta é a nossa guerra. É a guerra pela libertação do nosso país”, disse ao CM Rabal Sherifi, devidamente escoltado pelos seus homens e respetivas metralhadoras Kalashnikov. “Quando entrarmos no nosso país, vamos para o libertar. E não o podemos fazer com base numa decisão dos Estados Unidos, nem nos retiraremos com base noutra decisão dos Estados Unidos”, esclarece. Ainda assim, apela ao apoio tanto dos EUA, como dos europeus e admite que mais armas são sempre bem-vindas. “Temos armas e meios para entrar no Irão, mas não são suficientes”, revela, apesar da confiança: “Uma vez lá dentro [do Irão], a Guarda Revolucionaria deixará milhões de armas para trás e nós vamos ficar com elas.” Até que este desejo se concretize, os curdos do Irão vão continuar no Iraque à espera. Mesmo que continuem a ser dos alvos preferenciais do poder fragilizado de Teerão.

Noutra base do PLC, onde a gata Lucy deambula agora no meio dos estilhaços espalhados por um foguete iraniano, há mais silêncio. O ataque recente causou um morto e três feridos, o que obrigou à fuga para as montanhas. Até que a esperada invasão terrestre seja uma realidade.

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