Casa Branca anunciou na segunda-feira que estava a analisar uma nova proposta iraniana para desbloquear o estreito de Ormuz.
O Catar defendeu esta terça-feira um "acordo abrangente" entre os Estados Unidos e o Irão para acabar com a guerra, em vez de o conflito ficar congelado e ser reativado a qualquer momento.
"Não queremos assistir a uma retoma das hostilidades na região brevemente, não queremos ver um conflito congelado" que se reativa a cada pretexto político, declarou o porta-voz da diplomacia do Catar, Majed al-Ansari.
O porta-voz disse que o Catar defende uma solução integral, ao ser questionado durante uma conferência de imprensa em Doha sobre a intenção de o Irão negociar separadamente as questões do estreito de Ormuz e do programa nuclear.
"Desejamos ver esta guerra terminar de forma duradoura, tendo em conta o conjunto das nossas preocupações na região e fora dela", disse Al-Ansari, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A Casa Branca (presidência norte-americana) anunciou na segunda-feira que estava a analisar uma nova proposta iraniana para desbloquear o estreito de Ormuz, quase paralisado desde o início da guerra no Médio Oriente.
As negociações entre os Estados Unidos e o Irão para terminar o conflito e reabrir totalmente o estreito estratégico não avançaram desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 08 de abril.
O Irão atacou com mísseis e drones os vizinhos do golfo, incluindo o Catar, em resposta aos ataques norte-americanos e israelitas contra a República Islâmica lançados a 28 de fevereiro.
Teerão visou interesses norte-americanos, mas também diversas infraestruturas, como refinarias de petróleo, complexos de gás e fábricas petroquímicas.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar insistiu que o acordo para terminar o conflito deve incluir todos os elementos da disputa.
Sobre a crise na estratégica passagem comercial, por onde passa 20% da energia para os mercados internacionais, considerou que o bloqueio do estreito de Ormuz "não pode ser justificado" e nunca deveria ter ocorrido.
O estreito "não deveria ser utilizado como um trunfo de pressão", afirmou, também citado pela agência espanhola Europa Press (EP).
O porta-voz disse que o Catar defende que o estreito "deve ser reaberto imediatamente, independentemente de outras questões que estejam a ocorrer na região".
Al-Ansari reiterou que a principal preocupação do Catar é a segurança regional e defendeu o trabalho do Paquistão para pôr fim ao conflito.
"Não precisamos de alargar o círculo de negociações. Apoiaremos a mediação paquistanesa", disse Al-Ansari, em declarações recolhidas pela cadeia de televisão Al-Jazeera do Catar.
O porta-voz disse que o Catar apoiou e esteve sempre em coordenação com os parceiros regionais e fora do golfo Pérsico sobre a mediação de Islamabad, nomeadamente nos contactos com Teerão.
"Mantemos a plena solidariedade com o Paquistão no papel de mediador", insistiu, reiterando que qualquer conflito na região "deve ser resolvido na mesa de negociações".
"Acreditamos no processo de negociação, apoiamo-lo e continuaremos a apoiar uma solução diplomática", acrescentou.
A guerra causou em dois meses mais de cinco mil mortos, de acordo com dados dos países afetados citados pela Al-Jazeera.
O Irão e o Líbano são os países que registam maior número de vítimas.
No Catar, pelo menos 16 pessoas ficaram feridas em ataques iranianos que visaram uma base aérea onde estão estacionadas forças norte-americanas e uma instalação de um radar, disseram as autoridades de Doha.
A guerra e o consequente bloqueio do estreito de Ormuz têm causado o receio de uma crise económica global devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás natural, bem como do transporte de mercadorias.
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